Em Paço do Lumiar

Supostas vítimas de pastor preso por estelionato e estupro de vulnerável começam a depor

Além das possíveis vítimas e testemunhas, a Polícia Civil deve ouvir a mulher do pastor, que, assim como ele, é psicóloga e também pastora.

Imirante.com

Atualizada em 22/04/2026 às 15h31
O pastor David Gonçalves Silva era o responsável por definir a quantidade de golpes que cada fiel deveria receber.
O pastor David Gonçalves Silva era o responsável por definir a quantidade de golpes que cada fiel deveria receber. (Foto: Reprodução/TV Mirante)

PAÇO DO LUMIAR - Nesta quarta-feira (22) começaram a ser ouvidas na Delegacia de Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís, as pessoas que afirmam terem sido vítimas do pastor cearense David Gonçalves Silva. Além das supostas vítimas, testemunhas também devem prestar depoimentos.

O líder religioso foi preso na última sexta-feira (17), durante a operação “Falso Profeta”. David é suspeito de usar a igreja Shekinah House Church, liderada por ele, para aplicar castigos físicos e punições psicológicas contra fiéis. Após dois anos de investigação da Polícia Civil do Maranhão, David Gonçalves foi detido pelos crimes de estelionato, estupro de vulnerável, posse sexual mediante fraude e associação criminosa.

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Três pessoas já foram ouvidas sobre o caso, e mais oito ainda devem depor entre esta quarta e quinta-feira (23).

“A gente conseguiu, depois da prisão dele, contato via WhatsApp com várias vítimas pelo Brasil e aqui em São Luís, que se propuseram a vir à delegacia e prestar depoimento sobre os fatos que viveram naquela igreja”, explicou o delegado Sidney Oliveira de Sousa, responsável pelas investigações.

Além das possíveis vítimas e testemunhas, a Polícia Civil deve ouvir a mulher do pastor, que, assim como ele, é psicóloga e também pastora.

O delegado Sidney Oliveira destaca que, após os depoimentos, as investigações devem continuar para identificar outros envolvidos nos crimes.

“A gente também está desenvolvendo a investigação para identificar os outros envolvidos, que também praticaram os crimes com ele. O inquérito (que está aberto) deve encerrar, mas em relação aos que estão soltos, a gente ainda deve prosseguir nas investigações. Então, vamos colher o máximo de informações possíveis sobre todos os crimes que eram cometidos ali dentro”, destacou o delegado.

Castigos físicos e a imposição de "respeitar o líder"

De acordo com o inquérito, quem descumpria as normas impostas pela congregação sofria agressões físicas denominadas “readas”, que consistiam em chineladas e chicotadas. O pastor David Gonçalves Silva era o responsável por definir a quantidade de golpes que cada fiel deveria receber. Em um dos episódios relatados à polícia, quatro vítimas foram punidas com 15 a 25 chicotadas cada uma por não seguirem as diretrizes impostas pelo líder religioso

Isolamento e vigilância constante

A estrutura da igreja, que funcionava há mais de 20 anos, era utilizada para isolar os fiéis do convívio social. Mais de 100 jovens viviam em alojamentos onde eram proibidos de usar celulares, visitar a família ou sair desacompanhados. O pastor se referia aos seguidores como “piões” e os dormitórios eram chamados de “baias”.

Relatos indicam que havia vigilância constante, com a instalação de câmeras inclusive em áreas íntimas, como banheiros. Esse ambiente de pressão psicológica era utilizado para garantir que não houvesse questionamentos sobre as ordens estabelecidas pelo pastor David Gonçalves Silva.

Denúncias de abusos sexuais e estelionato

As agressões e o controle psicológico também serviam como ferramenta para a prática de abusos sexuais. A polícia afirma que, embora a comunidade tivesse homens e mulheres, os homens e meninos eram os principais alvos dos abusos. Uma das vítimas relatou que o pastor utilizava manipulação religiosa, afirmando que os atos sexuais não eram pecado.

“Ele dizia que, por fora, podia ser homem, mas que, em quatro paredes, tinha que ser mulher para poder nos ludibriar. Isso aconteceu por vários anos e hoje sou um cara que vive atormentado, com muitas lembranças. Tenho vergonha, mas tô lutando todos os dias para mudar esse centro na minha mente", relatou uma das vítimas.

David Gonçalves Silva é investigado pelos crimes de estupro de vulnerável, estelionato e lesão corporal. Até o momento, cinco pessoas formalizaram denúncias contra o religioso. A defesa do pastor informou que não pode se manifestar sobre as acusações, pois ainda não teve acesso integral aos autos da investigação.

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