PAÇO DO LUMIAR - Uma das vítimas do pastor Davi Gonçalves Silva, preso nessa sexta-feira (17), relatou como funcionavam as punições impostas a fiéis que não seguiam suas ordens. Segundo os relatos feitos, as práticas envolviam agressões físicas, psicológicas e abusos sexuais. Veja abaixo um dos momentos em que o Pastor agride um fiel:
De acordo com a vítima, o líder religioso da igreja Shekinah House Church utilizava termos próprios para se referir aos castigos. As chamadas “readas” eram agressões feitas com chicote de cavalo, conhecido como reio. Já o “estado” consistia em agressões aplicadas com as próprias mãos.
Em mensagens trocadas com uma das vítimas, o pastor detalhava a aplicação das punições. Em um dos trechos, ele divide a quantidade de agressões: 25 para uma pessoa, 20 para outras duas e 15 para uma quarta vítima.
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Veja relatos das vítimas
“Se a gente não fizesse o que ele queria, a gente era punido. Ele deixava a gente de canto, fazia a gente ficar sem comer, fazia a gente apanhar se a gente não fizesse o desejo dele”, conta a vítima, que chegou à igreja Shekinah House Church aos 13 anos de idade enquanto vivia em situação de rua. Segundo as informações, o pastor Davi Gonçalves Silva utilizava a manipulação religiosa para justificar a violência sexual, afirmando que, ao ter relações com ele, o fiel estaria se relacionando com Deus.
Os relatos também apontam, que o pastor usava discursos para coagir fiéis a manter relações sexuais com ele. De acordo com as situações expostas pela vítima, ele determinava comportamentos e fazia exigências às vítimas.
“Ele dizia que, por fora, podia ser homem, mas que, em quatro paredes, tinha que ser mulher para poder nos ludibriar. Isso aconteceu por vários anos e hoje sou um cara que vive atormentado, com muitas lembranças. Tenho vergonha, mas tô lutando todos os dias para mudar esse centro na minha mente", afirmou uma das vítimas.
Além disso, outro tipo de punição consistia em fazer com que a vítima escrevesse frases repetidas vezes. A polícia aprendeu, em um dos quartos das vítimas, um papel onde estava a frase “Eu preciso aprender a respeitar o meu líder” escrita cerca de 100 vezes.
Em um dos áudios analisados pelos investigadores, o pastor afirma: “Até resolver a situação da bomba, estão sem comer”, indicando o uso da fome como forma de punição.
A prisão do líder religioso aconteceu após dois anos de investigação policial. De acordo com as investigações, entre 100 e 150 fiéis residiam no local sob a liderança do pastor, principal alvo da operação. Durante o cumprimento do mandado de prisão, o líder religioso foi encontrado em seu quarto, acompanhado de outro dirigente da instituição.
Segundo a Polícia Civil, o investigado é apontado, em tese, como autor dos crimes de estelionato, estupro de vulnerável, posse sexual mediante fraude e associação criminosa.
"Lá, eles não tinham nem acesso ao público de fora e tinham seu comportamento determinado por ele o tempo todo, com separação de homens e mulheres com uma vigilância intensa inclusive na hora do banho, com câmeras no local de banho, que ele conseguia verificar se os indivíduos estavam inclusive satisfazendo as questões sexuais dele, para poder punir esses indivíduos, que eram devidamente punidos", disse o delegado Sidney Oliveira.
Materiais apreendidos e investigação em andamento
Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão, os policiais recolheram aparelhos celulares, documentos e outros objetos que devem auxiliar no aprofundamento das investigações.
O delegado Sidney Oliveira, titular da Delegacia de Paço do Lumiar, informou que o inquérito policial tramita há cerca de dois anos. Até o momento, já foram identificadas entre cinco e seis vítimas relacionadas aos crimes investigados.
A Polícia Civil segue com as investigações para identificar outras possíveis vítimas e reunir mais elementos que possam esclarecer a extensão dos crimes.
A prisão do líder religioso ocorreu no bairro Recanto dos Poetas, em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís, durante a operação “Falso Profeta”. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em um endereço ligado à igreja.
Em nota, a defesa do pastor informou que, no momento, não pode se manifestar porque ainda não teve acesso aos autos da investigação.
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