Política

Políticos condenam ataques a José Sarney

Marco Aurélio D´Eça, O Estado

Atualizada em 27/03/2022 às 13h13

SÃO LUÍS - A classe política maranhense classificou ontem de criminosa e covarde a campanha dirigida pela imprensa do Sul do país contra o presidente do Congresso Nacional, senador José Sarney (PMDB), e sua família. Os ataques diários e sistemáticos também foram criticados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que os chamou de “excesso de denuncismo” e “condenação prévia”. Para os líderes políticos, os ataques ao senador têm apenas o objetivo de tirá-lo do comando do Congresso.

Os ataques ao presidente do Senado partem, sobretudo, da imprensa paulista, alinhada ao projeto de poder do PSDB, que tenta voltar a comandar o país nas eleições de 2010, com a provável candidatura do governador de São Paulo, José Serra.

Para o deputado Carlos Alberto Milhomem (DEM), “trata-se de uma campanha dirigida, com objetivos escusos”. Para o parlamentar, “nunca se viu uma perseguição tão implacável contra um ex-presidente da República, em qualquer lugar do mundo”. “Não é possível que interesses meramente políticos levem a uma campanha tão violenta quanto esta. Pior: baseada no nada, porque não traz nenhum crime, não mostra nenhuma irregularidade, apenas questões familiares expostas de forma covarde”, afirmou Milhomem.

Covardia - O também deputado estadual Joaquim Haickel (PMDB) disse que está havendo no Brasil uma caça, uma perseguição que pode levar por água as ações legítimas para moralizar o Senado. “É uma covardia instalada com cara de jornalismo”, disse. “Se esse tipo de violência ocorresse contra um Antonio Carlos Magalhães (ex-senador do DEM-BA, falecido há dois anos), um Pedro Simon (PMDB-RS), eles já teriam cometido um desatino”, afirmou o parlamentar, referindo-se ao temperamento sóbrio e democrático de Sarney.

O deputado estadual e atual secretário de Infraestrutura, Max Barros, também aponta as eleições de 2010 como pano de fundo das denúncias contra Sarney. “O PSDB de São Paulo não tolera a presença de Lula e do PT no comando do país. E sabe que o apoio de Sarney a Lula representa uma forte aliança em favor da ministra Dilma Rousseff (PT). Por isso os ataques a Sarney, na tentativa de afastá-lo do processo”, avaliou.

Os parlamentares concordam que as supostas denúncias já ultrapassaram todos os limites da dignidade pessoal. Para eles, o “excesso de denuncismo” citado por Lula pode levar exatamente ao descrédito das acusações.

Lula prega investigação correta

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem cuidado nas investigações sobre o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), durante entrevista à Rádio Globo. “É preciso que você estabeleça confiabilidade nas instâncias de investigação e nas instâncias de julgamento”, disse ele, ao defender com veemência o presidente do Senado.

Lula afirmou que Sarney chegou a pedir investigações contra seu neto, e disse que o Senado tem condições de investigar Sarney mesmo que ele permaneça no cargo. Sobre a pressão que Sarney tem recebido para deixar a presidência do Senado, Lula disse não entender por que uma pessoa tem de deixar o cargo ao ser investigado. “Eu não posso entender que cada pessoa que é alvo de uma denúncia tem que renunciar ao seu cargo. Eu não posso entender, se amanhã sair uma denúncia contra você, a Rádio Globo te manda embora antes de você ser julgado, ser investigado”, disse Lula ao entrevistador do programa.

Lula afirmou que não pediu ao Ministério Público que tivesse atenção apenas à biografia de Sarney, ex-presidente da República: “Eu disse muito mais do que isso. Eu não disse apenas a biografia. Eu disse que o Ministério Público, como uma instituição poderosa que é, tem que tomar cuidado de cumprir a lei ao pé da letra, porque, se ele ceder à pressão do Executivo, à pressão da imprensa e à pressão do Legislativo, muitas vezes as pessoas são condenadas antes de provar que não cometeram um crime”.

Lula firmou que é preciso não cometer um crime antecipado. “Tem denúncias que, investigadas, são verdadeiras, e aí tem que ter um processo. O Ministério Público indicia e o Poder Judiciário dá a pena e faz o julgamento. Mas tem denúncias que não deram em nada e as pessoas já estão condenadas antes. É isso o que eu quero evitar e esse foi o meu discurso no Ministério Público: quanto mais poder nós temos, mais justos nós temos que ser e mais cuidadosos nós temos que ser”.

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