Repercussão política

Flávio Bolsonaro divulga carta após ir para os EUA e se declara 'presidente eleito'

Nos Estados Unidos, senador afirma que liderará a oposição a Lula e alega perseguição política e fraude eleitoral, sem apresentar provas das acusações.

Imirante, com informações do Metrópoles

- Atualizada em 28/10/2026 às 17h42
Flávio Bolsonaro divulgou carta nos Estados Unidos em que se declara presidente eleito e afirma que liderará a oposição ao governo Lula.
Flávio Bolsonaro divulgou carta nos Estados Unidos em que se declara presidente eleito e afirma que liderará a oposição ao governo Lula. (Reprodução)

BRASIL – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado à Presidência da República, divulgou nesta quarta-feira (28) uma carta em que se declara “presidente eleito do Brasil” e afirma que vai liderar a oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a partir dos Estados Unidos.

No documento, o parlamentar acusa autoridades brasileiras de perseguição política e alega que houve fraude nas eleições presidenciais. Ele não apresenta provas para sustentar as acusações.

Flávio também afirma que deixou o país para proteger a família e continuar atuando politicamente no exterior. Na carta, agradece ao presidente da Argentina, Javier Milei, e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo acolhimento.

Flávio Bolsonaro acusa autoridades brasileiras

Ao longo do texto, o senador questiona o resultado do segundo turno das eleições, realizado no domingo (25), e contesta decisões relacionadas ao horário de votação. Ele também acusa autoridades de abuso de poder político e econômico durante a campanha de Lula e Geraldo Alckmin (PSB).

Flávio afirma que a reação das instituições às suas contestações representa perseguição política. Segundo ele, a intenção seria impedir sua atuação como liderança da oposição.

O senador também diz que não havia mandado de prisão contra ele e que deixou o Brasil por considerar que sua família estaria sob ameaça. As declarações fazem parte da versão apresentada pelo próprio parlamentar na carta.

Senador diz que liderará oposição dos Estados Unidos

Na carta, Flávio afirma que pretende se comunicar regularmente com os brasileiros e apresentar uma estratégia para mobilizar a oposição por meios que classifica como pacíficos e legítimos.

O parlamentar também cita políticos e lideranças históricas que atuaram fora de seus países, como Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí, para justificar sua decisão de continuar a atividade política no exterior.

Ao final do documento, ele afirma que não abandonou os brasileiros e que pretende seguir na oposição ao governo Lula.

Saída do Brasil

Flávio Bolsonaro chegou a Miami, nos Estados Unidos, na manhã desta quarta-feira (28), acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas, segundo as informações divulgadas pelo Metrópoles.

A família deixou o Brasil na noite de terça-feira (27), cruzou a fronteira com a Argentina e embarcou em um avião particular com destino aos Estados Unidos, com uma escala no Equador.

A saída ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal, no âmbito de uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro. De acordo com o texto publicado pelo Metrópoles, Flávio não cumpriu o prazo estabelecido pela decisão.

Leia a íntegra da carta de Flávio Bolsonaro:

“Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil.

Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão.

Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno.

Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível.

E as nulidades não são o único problema. Ao longo de toda a campanha, houve abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição. São fatos graves, expressamente vedados por lei, que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin.

A resposta do regime ao meu questionamento veio rápida. Como num plano previamente elaborado, sete minutos após essa repugnante fraude eleitoral, o juiz, implicado em um imenso escândalo de corrupção, diretamente citado no inquérito que usou para tentar sequestrar meus passaportes, e que muito provavelmente estaria preso, se eles não tivessem impedido a minha posse, pôs em andamento a máquina de perseguição política do regime.

Sendo impedido de origem e completamente suspeito para iniciar qualquer procedimento judicial contra mim, a sua mera participação em atos processuais mostra o tamanho da arbitrariedade e ilegalidade em andamento.

Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado.

A perseguição política que começou com meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns e até mesmo cidadãos americanos, tem um único objetivo: silenciar qualquer pessoa que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista.

Para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão contra mim, porque eu não cometi nenhum crime. O que existe é uma caça às bruxas politicamente motivada, que visava me colocar como refém e objeto de chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do impeachment.

Eis o roteiro da perseguição: apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e, finalmente, condenação política.

Não vou submeter minha família a isso e meu país não merece passar novamente por este vexame internacional. Diante da instrumentalização política da Justiça no Brasil, trouxe minha família para os Estados Unidos, onde estamos em segurança.

Agradeço, mais uma vez, ao Presidente Trump e ao governo americano por nos acolherem e nos darem a segurança jurídica que não temos mais no Brasil.

Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime.

Não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país longe dele. Rui Barbosa foi para o exílio por enfrentar o arbítrio de Floriano Peixoto e de lá seguiu defendendo a lei e a liberdade. Charles de Gaulle liderou a França Livre a partir de Londres, condenado à morte pelo regime de Vichy, e voltou para libertar o seu país. José Martí organizou a luta pela independência de Cuba a partir de Nova York.

Na Venezuela, Juan Guaidó e Edmundo González tiveram que deixar o país por enfrentar a ditadura chavista, e María Corina Machado, mesmo perseguida, se recusou a legitimar a fraude e se tornou um símbolo mundial da resistência democrática. Todos eles foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentavam. A história os chamou de outra coisa.

Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil.

Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania.

Vocês que almejavam a mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação.

Às instituições brasileiras, faço um apelo: essa sandice precisa acabar. O Brasil vive hoje um caos jurídico, de corrupção e de perseguição política, em que a oposição tem medo de falar e a família de um ex-presidente é tratada como inimiga do Estado.

Nenhuma nação consegue viver em paz ou prosperar assim. Ainda há tempo de restabelecer o equilíbrio entre os Poderes e devolver aos brasileiros a confiança que perderam.

À comunidade internacional, peço: não normalizem o que está acontecendo no Brasil. O que acontece hoje no meu país não é normal e não pode ser tratado como normal.

Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política.

Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr.

E a você, que votou em mim e sonha com a mudança: não estamos derrotados e não estamos sozinhos. Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil.

Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil.

Peço a cada um que permaneça firme e jamais desista.

Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre. E esse dia vai chegar.

Que Deus abençoe o Brasil.

Flávio Bolsonaro”.

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