Rodrigo Bomfim
COLUNA
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Rodrigo Bomfim é jornalista do Grupo Mirante. Editor de política do Imirante, também atua na Mirante News FM e TV Mirante.
Opinião

Lista de boicote a estabelecimentos em São Luís é perseguição e deve ser responsabilizada

Listas com nomes de empresários e profissionais em São Luís colocam em risco o emprego de quem nada tem a ver com a disputa eleitoral

Rodrigo Bomfim/Imirante.com

- Atualizada em 27/10/2026 às 19h27
Listas de boicote a empresas em São Luís circulam nas redes sociais após eleições e geram críticas por possíveis prejuízos ao comércio.
Listas de boicote a empresas em São Luís circulam nas redes sociais após eleições e geram críticas por possíveis prejuízos ao comércio. (Rperodução/Divulgação)

Lamentavelmente, hoje, pela manhã, me deparei nas redes sociais com supostas listas com nomes de “empresários e profissionais” que tentam induzir um fracassado boicote a estabelecimentos comerciais em São Luís, após o resultado das eleições no Brasil.

Não se sabe qual o interesse, de fato, de incentivar uma medida dessas. Algumas dessas postagens tinham o único objetivo de viralizar nas redes sociais, sem medir o impacto na vida das pessoas - nesse caso, o empresário e do trabalhador.

Essas listas tentam imputar posições políticas a empresas. Mas fica o questionamento: quem garante que o dono do comércio votou em quem a lista diz, de fato? Quem provou que ele fez campanha? Apesar da pergunta, em uma sociedade séria, nada disso importa - em tese, somos civilizados.

Quem cria e divulga isso muitas vezes nem se identifica, e ainda coloca o nome de quem trabalha na mira de milhares de pessoas. Quem repassa no grupo “só para informar”, de forma irresponsável e movida por paixões políticas rasas também faz parte disso. 

Chega a ser curioso. Quem cria e defende essas listas são os mesmos que, na pandemia de Covid-19, diziam que os negócios iriam quebrar por conta do “fique em casa”. O distanciamento social, por meio da restrição sanitária, era o que garantia a sobrevivência das pessoas num momento de medo. Mas, naquela hora, a preocupação com negócios era enorme. Agora, porque o resultado da urna não agradou, o mesmo negócio pode esvaziar sem problema? A preocupação com o comércio era sincera ou só valia quando servia ao discurso?

Quem sente primeiro um boicote é o dono do pequeno comércio e o funcionário que abre a loja todo dia. Quando o movimento cai, o primeiro corte é na folha de pagamento do trabalhador e no caixa do empresário, não no salário do presidente da República ou do político preferido - ou adversário - dos incentivadores de boicotes.

Lembro: criar, publicar ou compartilhar listas de boicote por motivações políticas ou difamatórias pode ser considerado crime. A conduta pode configurar difamação (Art. 139 do Código Penal) e até perseguição (Art. 147-A), além de gerar indenização por danos morais. Respondem não só quem cria, mas também quem participa ativamente do compartilhamento, inclusive administradores de páginas sensacionalistas no Instagram e em grupos de WhatsApp e Telegram que incentivam esse ato.

Quem discorda do resultado da eleição tem o direito de se manifestar, de cobrar, de fiscalizar e de voltar a votar daqui a quatro anos, é claro. Agora, transformar divergência política em perseguição é um absurdo.

Um absurdo que pode prejudicar o emprego de vários trabalhadores e o negócio de diversos empresários que buscam prosperar e incentivam a economia do nosso Maranhão.

Em tempo: na última quarta-feira (21/10), foi sancionada pelo Governo Federal a lei que perdoa as dívidas de microempreendedores individuais (MEIs) com a União. O teto de faturamento do MEI também sobe, de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027. Mais de 3,6 milhões de pequenos empreendedores podem ser beneficiados. A medida passa a valer em 1º de janeiro de 2027.


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