SÃO LUÍS – A senadora Eliziane Gama (PT-MA), relatora da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro, enviou nesta terça-feira (27) ofícios a autoridades para alertar sobre a necessidade de reforçar a segurança em Brasília nos próximos meses. A parlamentar manifestou preocupação com acontecimentos após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 e apontou semelhanças com episódios registrados entre a eleição de 2022 e os ataques às sedes dos Três Poderes, em janeiro de 2023.
Os documentos foram encaminhados ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), ao Ministério da Defesa, ao Governo do Distrito Federal e aos presidentes do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF).
Nos ofícios, Eliziane solicitou que as autoridades avaliem medidas preventivas para identificar possíveis ameaças de violência política, reforçar a articulação entre órgãos de segurança e proteger as sedes dos Poderes e outros locais de interesse institucional.
“O Brasil precisa ficar atento. Alguns acontecimentos após as eleições deste ano nos lembram o caminho que levou aos ataques de 8 de janeiro de 2023”, afirma trecho de um dos documentos.
A senadora ressaltou que o alerta não significa afirmar que exista um plano identificado para repetir os ataques de 2023, mas defendeu atenção aos sinais de risco e atuação coordenada das instituições.
Eliziane cita questionamentos eleitorais e saída de Flávio Bolsonaro
A parlamentar relacionou a preocupação ao ambiente político após a derrota do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial. Segundo ela, declarações que contestam a legitimidade do resultado eleitoral e fazem acusações contra a Justiça Eleitoral e o STF exigem acompanhamento das autoridades.
Na noite da eleição, Flávio afirmou que não reconheceria o resultado e anunciou que pediria a anulação do pleito. No dia seguinte, o PL reconheceu a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Flávio, por sua vez, afirmou que organizaria a oposição e anunciou que pediria a cassação da chapa vencedora.
A suspeita de que o senador tenha deixado o Brasil também integra o contexto recente de preocupação. A Polícia Federal apura se Flávio saiu do país após notícias sobre uma possível viagem ao exterior. A movimentação ocorre depois de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou a entrega dos passaportes do senador.
Eliziane afirmou que o direito de questionar resultados eleitorais pela Justiça deve ser preservado, mas alertou para os riscos da divulgação de acusações sem comprovação.
“Questionar o resultado na Justiça é um direito. Agora, lançar acusações infundadas para instigar a população contra a democracia, isso é um perigo real”, declarou.
Senadora relembra episódios anteriores ao 8 de Janeiro
No documento enviado ao Ministério da Justiça, Eliziane recuperou acontecimentos posteriores às eleições de 2022. Naquele período, a contestação do resultado foi acompanhada por bloqueios de rodovias, acampamentos em frente a instalações militares e pedidos de intervenção das Forças Armadas.
Em dezembro daquele ano, também foram registrados episódios de violência em Brasília, incluindo ataques nas proximidades da sede da Polícia Federal e uma tentativa de atentado com explosivo perto do aeroporto da capital. Em 8 de janeiro de 2023, manifestantes invadiram e depredaram as sedes do Congresso Nacional, do STF e do Palácio do Planalto.
A senadora afirmou que acompanhou esses acontecimentos como relatora da CPMI que investigou os ataques e os alertas anteriores aos episódios.
“Eu não estou dizendo que um novo 8 de janeiro vai acontecer. Mas nós já vimos o que pode ocorrer quando sinais de alerta são ignorados”, disse.
Ofícios pedem investigação de possíveis irregularidades
Eliziane também apontou a necessidade de esclarecer denúncias sobre dificuldades de transporte de eleitores durante a votação deste ano. Em 2022, operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) dificultaram o deslocamento de eleitores, principalmente no Nordeste. A Procuradoria-Geral da República mencionou essas operações na denúncia sobre a trama golpista.
Neste ano, eleitores de diferentes cidades enfrentaram falta de ônibus para chegar aos locais de votação. A Polícia Federal investiga os episódios e apura se houve ação deliberada para dificultar o voto.
Nos ofícios, a senadora solicitou que as autoridades acompanhem eventuais ameaças, fortaleçam o compartilhamento de informações dentro dos limites legais, monitorem convocações com ameaças concretas de violência e apurem possíveis indícios de financiamento ou organização de atos ilícitos contra as instituições democráticas.
A parlamentar também pediu que seu gabinete receba informações gerais sobre as providências adotadas, respeitados o sigilo e os limites legais.
“A democracia brasileira resistiu em 2023. E todos nós temos a responsabilidade de defendê-la permanentemente”, afirmou.
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