Eduardo Bolsonaro questiona urnas e defende saída de Flávio do Brasil em caso de derrota
Em podcast, Eduardo Bolsonaro questiona as urnas eletrônicas e defende que o irmão, Flávio, deixe o país caso perca o pleito presidencial de domingo.
BRASIL – O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) questionou a confiabilidade das urnas eletrônicas brasileiras e defendeu que o irmão, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), deixe o Brasil caso perca a eleição. As declarações foram feitas nesta sexta-feira (23), durante entrevista ao podcast americano “Louder with Crowder”, apresentado pelo comentarista político Steven Crowder.
Ao ser questionado sobre o que a família faria se Flávio não vencesse a disputa, Eduardo respondeu inicialmente, em tom de brincadeira, que deveriam ser enviados fuzileiros navais. Depois, em tom sério, afirmou ser favorável à saída do irmão do país em caso de derrota.
Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputam o segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25). No primeiro turno, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula teve 45,16%.
Eduardo Bolsonaro defende saída do irmão do país
A declaração foi feita após um espectador perguntar, pelo chat do programa, se a família tinha algum plano para ajudar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, caso Flávio perdesse a eleição.
“Mandar os fuzileiros navais”, respondeu Eduardo, aos risos.
Na sequência, o apresentador Steven Crowder comentou a possibilidade de uma reação política e afirmou que “alguma coisa tem que ser feita”. Eduardo, então, disse que Lula teria ameaçado o irmão durante o debate presidencial ao afirmar que, após a eleição, ele perderia a imunidade parlamentar e seria investigado.
“Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza”, declarou o ex-deputado.
Ex-deputado questiona confiabilidade das urnas eletrônicas
Durante a entrevista, Eduardo também criticou o sistema de votação brasileiro e afirmou que a ausência de cédulas de papel e de uma contagem pública dos votos impediria a verificação do resultado.
“O problema é que nós não usamos papel, não há contagem pública dos votos, e você precisa confiar na máquina. Nós usamos máquinas e é isso. Esse é o problema”, disse.
Ele também atribuiu ao ditador soviético Josef Stálin uma frase sobre a contagem de votos e afirmou que não poderia provar a ocorrência de fraude, assim como, segundo ele, não seria possível provar que ela não aconteceu.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), porém, afirma que nunca houve fraude comprovada no sistema de votação por urnas eletrônicas, utilizado no Brasil desde 1996.
Ao fim da votação, cada urna imprime o boletim de urna, documento que registra os votos daquela seção eleitoral. Uma via é afixada no local de votação, fiscais partidários podem receber cópias e os dados também são disponibilizados na internet para consulta e comparação com o resultado oficial.
Eduardo ainda criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) por decisões relacionadas a propostas de adoção do voto impresso. O Congresso aprovou medidas sobre o tema em 2002, 2009 e 2015. A primeira foi revogada pelo próprio Legislativo em 2003, enquanto dispositivos das outras duas foram derrubados pelo STF, em 2013 e 2020, sob o argumento de que ameaçavam o sigilo do voto.
Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos
Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde 2025. Em dezembro daquele ano, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados declarou a perda do mandato dele por excesso de faltas às sessões.
Em junho de 2026, a Primeira Turma do STF o condenou, por unanimidade, pelo crime de coação no curso do processo. Segundo denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) aceita pelo tribunal, ele atuou junto ao governo americano para promover medidas contra o Brasil, incluindo tarifas sobre exportações brasileiras e suspensão de vistos de autoridades.
O STF concluiu que a atuação buscava interferir no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no processo relacionado à trama golpista.
A pena foi fixada em quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto. A condenação tornou-se definitiva em 3 de outubro, sem possibilidade de novos recursos. Em decisão assinada em 7 de outubro e divulgada no dia seguinte, o ministro Alexandre de Moraes determinou o início do cumprimento da pena e a expedição de mandado de prisão, além do cancelamento dos passaportes brasileiros de Eduardo.
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