CPI DO CRIME

Fundador da Reag nega ligação com PCC em depoimento no Senado

Empresário João Carlos Mansur afirmou que não há menção à facção em investigações da Polícia Federal.

Ipolítica, com informações da Agência Brasil

O fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur.
O fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur. (Geraldo Magela/Agência Senado)

BRASIL - O fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, negou nesta quarta-feira (11) qualquer ligação da empresa com o Primeiro Comando da Capital (PCC) durante depoimento à CPI do Crime Organizado, no Senado Federal.

Segundo o empresário, não há qualquer referência à facção criminosa nas investigações conduzidas pela Polícia Federal.

“Não temos nenhuma ligação com o PCC. No procedimento da operação Carbono Oculto, com 15 mil páginas, não existe nenhuma menção à associação com o crime organizado”, afirmou Mansur.

A comissão investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo facções criminosas e avalia a eficácia das políticas públicas de combate ao crime organizado no país.

Empresa foi alvo de investigações

Apesar da negativa, a gestora de ativos é citada em três investigações conduzidas pela Polícia Federal:

  • Operação Carbono Oculto, que apura lavagem de dinheiro;
  • Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no sistema financeiro;
  • Operação Quasar, que apura movimentação de recursos ligados a facções criminosas.

A Reag Investimentos foi liquidada em janeiro deste ano pelo Banco Central do Brasil após suspeitas de ligação com irregularidades envolvendo o Banco Master.

Segundo investigações, as fraudes relacionadas ao banco podem alcançar cerca de R$ 50 bilhões.

Relação com Banco Master

Durante o depoimento na CPI do Crime, Mansur confirmou que o Banco Master era cliente da gestora, mas negou irregularidades.

De acordo com ele, a empresa sempre manteve auditorias internacionais e estrutura de governança semelhante à de companhias de capital aberto.

“Não éramos e nunca fomos empresa de fachada. Não temos investidores ocultos. É um partnership com vários sócios”, disse.

A gestora chegou a administrar cerca de 700 fundos de investimento, que somavam aproximadamente R$ 300 bilhões em ativos.

Investigação mira lavagem de dinheiro no mercado financeiro

O presidente da comissão, o senador Fabiano Contarato, afirmou que a investigação busca identificar a atuação de organizações criminosas no sistema financeiro.

Segundo ele, a operação Carbono Oculto identificou indícios de que recursos ligados ao PCC teriam sido movimentados por meio de fundos financeiros.

O parlamentar destacou ainda que parte dos investigados possui escritórios na Avenida Faria Lima, em São Paulo, considerada um dos principais centros do mercado financeiro brasileiro.

Relator critica silêncio de investigado

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira, criticou o fato de Mansur ter evitado responder a várias perguntas da comissão.

Segundo o parlamentar, muitas das perguntas feitas não teriam potencial de autoincriminação.

“São vários questionamentos que não são, a priori, autoincriminatórios”, afirmou o relator durante a sessão.

A CPI do Crime segue analisando novos requerimentos, incluindo quebras de sigilo, pedidos de informações e convocações relacionadas a possíveis esquemas de lavagem de dinheiro no sistema financeiro.

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