BRASÍLIA – A CPI do Crime Organizado deve ouvir nesta terça-feira (3) o empresário João Carlos Falbo Mansur, fundador do grupo Reag. Ele foi convocado, o que torna a presença obrigatória.
Já o depoimento do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, é incerto. A convocação foi transformada em convite pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, nesta segunda-feira (2).
Convocação x convite
A decisão de André Mendonça tornou facultativa a presença de Campos Neto.
A diferença é jurídica:
- Convocação: presença obrigatória, com possibilidade de condução coercitiva
- Convite: comparecimento voluntário, com direito ao silêncio
O requerimento de convocação de Campos Neto à CPI do Crime Organizado foi apresentado pelo senador Jaques Wagner (PT-BA), que apontou necessidade de esclarecimentos sobre possíveis falhas na supervisão do sistema financeiro.
Operação Carbono Oculto
A Reag entrou no radar da Polícia Federal por suspeita de envolvimento em operações de lavagem de dinheiro investigadas na Operação Carbono Oculto.
A apuração envolve esquema ligado ao setor de combustíveis e suposta participação do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo as investigações, fundos administrados pela empresa teriam sido usados para movimentações atípicas.
Em setembro de 2025, a operação foi considerada a maior já realizada no país contra o crime organizado. À época, a Receita Federal identificou ao menos 40 fundos, com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões, parte deles geridos pela Reag.
Após o avanço das investigações, João Carlos Mansur formalizou sua saída da holding e vendeu o controle da Reag Investimentos por R$ 100 milhões para executivos da própria empresa, por meio da Arandu Partners Holding S.A.
Operação Compliance Zero
Em janeiro deste ano, a Reag também foi citada na Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
Na segunda fase da operação, Mansur foi alvo de mandado de busca e apreensão. No dia seguinte, o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, braço responsável pela gestão dos fundos da Reag.
A suspeita é que a Reag tenha atuado ao lado do Master para estruturar e gerir fundos destinados a operações consideradas atípicas, com o objetivo de inflar resultados e ocultar riscos.
Durante a operação, o presidente do banco, Daniel Vorcaro, chegou a ficar preso por 11 dias. O banco acabou liquidado pelo Banco Central.
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