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PEC da Segurança pode avançar mesmo com pauta trancada na Câmara

Trancamento provocado pelo PL Antifacção impede votação de projetos de lei, mas não barra análise da PEC da Segurança, que pode ir a plenário em março.

Ipolítica, com informações do g1

Atualizada em 19/02/2026 às 14h23
PEC da Segurança pode avançar mesmo com pauta trancada.
PEC da Segurança pode avançar mesmo com pauta trancada. (Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil)

BRASIL - A PEC da Segurança pode avançar na Câmara dos Deputados mesmo com o PL Antifacção trancando a pauta de votações. O bloqueio impede a análise de projetos de lei, mas não atinge Propostas de Emenda à Constituição (PECs) nem Medidas Provisórias (MPs).

O projeto que trata do enfrentamento às organizações criminosas passou a travar a pauta nesta quinta-feira (19). Ainda assim, líderes articulam para que a PEC da Segurança seja analisada no início de março.

O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), afirmou que o governo não deve retirar a urgência do PL Antifacção para destravar a pauta.

Por que a PEC da Segurança pode ser votada

O trancamento ocorre por causa da chamada urgência constitucional.

Pelas regras:

  • O projeto tem até 45 dias para tramitar em cada Casa;
  • Se houver alterações na Casa revisora, há mais 10 dias;
  • Após esse prazo, a proposta passa a trancar a pauta;
  • Projetos de lei ficam impedidos de votação até a análise da matéria com urgência.

Mesmo com a pauta bloqueada, a PEC da Segurança pode ser votada porque não é um projeto de lei, mas uma proposta de emenda à Constituição — tipo de matéria que não é afetado pelo trancamento.

Tramitação da PEC da Segurança

Enviada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso em abril de 2025, a PEC da Segurança propõe mudanças estruturais na política de segurança pública.

Entre os principais pontos do texto estão:

  • Integração das forças de segurança do país;
  • Ampliação das competências da Polícia Federal (PF);
  • Ampliação das atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF);
  • Reformulação da gestão do sistema prisional.

A proposta é relatada pelo deputado Mendonça Filho (União-PE). O texto já passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e aguarda votação em comissão especial antes de seguir ao plenário.

Para ser aprovada, a PEC da Segurança precisa do apoio de três quintos dos deputados, em dois turnos de votação. Depois, o texto ainda precisa passar pelo Senado, também em dois turnos.

A expectativa é que líderes se reúnam com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), na próxima segunda-feira (23) para definir o calendário de votação.

O que é o PL Antifacção

O PL Antifacção foi enviado ao Congresso em outubro de 2025 e busca endurecer o combate às facções criminosas.

A proposta:

  • Atualiza a Lei das Organizações Criminosas;
  • Amplia penas para integrantes de facções e milícias;
  • Cria diferenciação entre organizações criminosas, facções e milícias;
  • Proíbe visitas íntimas para presos provisórios ou condenados ligados a esses grupos.

O texto foi aprovado na Câmara, mas sofreu alterações no Senado sob relatoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Por isso, precisa ser analisado novamente pelos deputados.

Na Câmara, o relator foi o deputado Guilherme Derrite (PP-SP).

Mesmo com o impasse causado pelo trancamento da pauta, a avaliação de líderes é que a PEC da Segurança deve avançar nas próximas semanas, abrindo caminho para votação ainda em março.

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