Caso Master

Banco Central decreta liquidação extrajudicial do Will Bank

Instituição financeira era controlada pelo Banco Master e integrava conglomerado sob regime especial

Ipolítica, com informações da Agência Brasil

De acordo com o Banco Central, quando foi decretada a liquidação extrajudicial do Banco Master, em novembro de 2025, optou-se inicialmente pela imposição do Regime Especial de Administração Temporária (RAET) à Will Financeira
De acordo com o Banco Central, quando foi decretada a liquidação extrajudicial do Banco Master, em novembro de 2025, optou-se inicialmente pela imposição do Regime Especial de Administração Temporária (RAET) à Will Financeira (Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

BRASÍLIA – O Banco Central do Brasil decretou, nesta quarta-feira (21), a liquidação extrajudicial do Will Bank, oficialmente denominado Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento. A instituição era controlada pelo Banco Master e integrava o conglomerado Master, que já se encontra sob regime especial após decisão da autoridade monetária.

A medida prevê, entre outras ações, a indisponibilidade dos bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição. Segundo o BC, a decisão foi tomada após a constatação do agravamento da situação econômico-financeira da Will Financeira, considerada insolvente.

Liquidação extrajudicial do Will Bank foi considerada inevitável

De acordo com o Banco Central, quando foi decretada a liquidação extrajudicial do Banco Master, em novembro de 2025, optou-se inicialmente pela imposição do Regime Especial de Administração Temporária (RAET) à Will Financeira. A avaliação, à época, era de que a medida poderia preservar o funcionamento da instituição controlada.

No entanto, essa alternativa deixou de ser viável após o descumprimento, em 19 de janeiro, da grade de pagamentos da Will Financeira junto ao arranjo Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos, o que resultou no bloqueio de sua participação no sistema.

Diante do cenário, o BC concluiu que a liquidação extrajudicial do Will Bank era a única solução possível, citando o comprometimento da situação financeira, a insolvência da instituição e o vínculo direto de interesse com o Banco Master, exercido por meio do controle societário.

Peso do conglomerado Master no sistema financeiro

O conglomerado liderado pelo Banco Master detinha:

  • 0,57% do ativo total do Sistema Financeiro Nacional (SFN)
  • 0,55% das captações totais do SFN

 

Apesar da participação relativamente pequena, o caso ganhou repercussão nacional pelo volume de recursos envolvidos e pelo impacto sobre investidores.

Entenda o caso envolvendo o Banco Master

Controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, o Banco Master registrou crescimento acelerado ao oferecer Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rentabilidade acima da média do mercado. Para sustentar esse modelo, a instituição passou a assumir riscos elevados e a estruturar operações que inflavam artificialmente seu balanço.

Relatórios do Banco Central e investigações da Polícia Federal apontam que, entre 2023 e 2024, o banco teria desviado cerca de R$ 11,5 bilhões por meio de triangulações financeiras. O mecanismo envolvia empréstimos a empresas consideradas de fachada, que aplicavam os recursos em fundos ligados à gestora Reag Investimentos.

Esses fundos, por sua vez, adquiriam ativos de baixo ou nenhum valor real, como certificados do extinto Banco Estadual de Santa Catarina (Besc), por preços inflados. O BC identificou seis fundos suspeitos, com patrimônio conjunto estimado em R$ 102,4 bilhões, com recursos circulando entre intermediários até chegar aos beneficiários finais.

A tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), a ligação com a Reag Investimentos e a pressão sobre órgãos de controle transformaram o episódio em um caso de grande repercussão institucional, com reflexos diretos sobre a confiança no sistema financeiro.

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