Explicação

Governistas fazem ofensiva e presidente do Banco Central será ouvido no Senado

Roberto Campos, presidente do Banco Central, irá pela segunda vez a comissão do Senado para falar sobre a política monetária e a taxa básica de juros.

Ipolítica, com informações do Senado

Roberto Campos poderá ir ao Senado para falar sobre política monetária
Roberto Campos poderá ir ao Senado para falar sobre política monetária (Pedro França - Agência Senado)

BRASÍLIA - Senadores que atuam na linha de frente do governo Lula (PT) na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, deram início a uma ofensiva e aprovaram requerimentos para que o presidente do Banco Central, Roberto Campos, seja novamente convidado ao colegiado para prestar esclarecimentos sobre a política monetária e a definição da taxa básica de juros, a Selic. 

No fim de semana a senadora maranhense, Ana Paula Lobato (PSB) anunciou ter enviado ofício ao Conselho Monetário Nacional (CMN), pedindo a exoneração do presidente do Banco Central.  O fato foi abordado pelo Imirante.

Na Comissão de Assuntos Econômicos, quatro pedidos de convite a Roberto Campos foram aprovados: Um deles de autoria do senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP); outro foi de autoria de Ciro Nogueira (PP-PI); um terceiro pedido, do senador Rogério Marinho (PL-RN); e um último pedido, de Plínio Valério (PSDB-AM). 

Essa será a segunda vez que o gestor do Banco Central comparecerá na CAE. A primeira ocorreu no dia 25 de abril deste ano. Na ocasião, Roberto Campos, que também integra o Conselho Monetário Nacional (CNM), defendeu a autonomia da entidade monetária, tratou de questões referentes ao regime de metas; processo de autonomia; inflação no mundo e no Brasil; atividade econômica; política fiscal; taxas de juros, mercado de capitais; e "agenda inclusiva". 

Os senadores ouviram o gestor sobre o que é necessário para reduzir a taxa básica de juros (Selic), que desde agosto de 2022 tem se mantido em 13,75%.

Em seu requerimento, o senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), líder do governo no Congresso, afirmou que o "Brasil está estupefato" diante da sétima vez consecutiva, o Copom ter mantido a taxa de juros.

"O choque com a decisão do Copom é de fácil compreensão. O Brasil passa por um claro processo de redução da inflação. O IPCA dos últimos meses tem sido reiteradamente abaixo das expectativas, e desacelerou para apenas 0,23% em maio. A projeção de IPCA para 2023 do Relatório Focus — que o Banco Central afirma tanto levar em conta em suas decisões — caiu de mais de 6% para pouco mais de 5% nas últimas semanas. Já a prévia do IGP-M trouxe a maior deflação da história: 6,7% negativo no acumulado em 12 meses. E, talvez ainda mais importante, as expectativas de inflação para 2024 estão dentro do intervalo de flutuação da meta", disse.

Exoneração

O pedido de exoneração enviado pela senadora Ana Paula Lobato ao CMN, tomou por base a insatisfação do governo Lula com a postura de Roberto Campos em relação à política monetária adotada pelo Banco Central. 

Segundo o documento, a demissão deve ocorrer devido ao “comprovado e recorrente desempenho insuficiente para o alcance dos objetivos da instituição”.

"O objetivo do Banco Central é assegurar a estabilidade de preços e, sem prejuízo deste, zelar pela estabilidade e pela eficiência do sistema financeiro, suavizar as flutuações do nível de atividade econômica e fomentar o pleno emprego. O que se verifica da análise do mandato até aqui exercido pelo presidente do Banco Central é que o seu desempenho não está sendo suficiente para que a instituição alcance os objetivos acima mencionados", justificou a senadora no ofício.

O CMN ainda não se manifestou sobre o pedido da socialista. 

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.