Ciência

Jovem maranhense tem projeto selecionado pela Nasa

Formada pela Uema, Gabriela Domingues criou uma startup e foi selecionada pela Singularity University (Universidade da Nasa).
Priscille Damous / Imirante.com03/08/2018 às 12h17
Jovem maranhense tem projeto selecionado pela NasaCom apenas 27 anos, Gabriela teve sua startup selecionada por uma faculdade de renome mundial. (Foto: Reprodução / Instagram)

MARANHÃO - A cientista maranhense Gabriela Domingues, com apenas 27 anos, é formada em Ciências Sociais na Universidade Estadual do Maranhão (Uema) e chegou a fazer o curso de economia na Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Há quatro anos, a jovem cientista trabalha em uma companhia multinacional mas por opção própria, decidiu se dedicar exclusivamente a HOKI, startup criada por ela e sua amiga Sole, onde possui o objetivo de lutar contra a pobreza na América Latina.

Recentemente, o projeto foi selecionado pela Singularity University (Universidade da Nasa), em San Francisco, nos Estados Unidos, para participar do programa de incubação, onde a maranhense aprenderá a desenvolver o projeto.

Confira:

"A Hoki surgiu do amor que sinto pelo mar. Morei toda a minha vida em cidades costeiras e fiz esportes aquáticos, sempre vi a poluição marinha de perto. Quando comecei a conhecer mais sobre o mundo das startups e do desenvolvimento de estratégias ambientais, entendi que era essa luta que eu queria comprar! Nós produzimos muito lixo, principalmente plástico, e realmente a situação é desastrosa! Um estudo feito pela fundação Ellen MacArthur disse que se até 2015 não fazemos nada pra parar essa situação, vamos ter mais plásticos que peixes nos oceanos e, se depender de mim, isso não vai acontecer!", explica Gabriela.

O objetivo é o que move a maranhense, o seu maior incentivo para dar continuidade ao projeto é estar focada em solucionar esses problemas em relação ao meio ambiente, principalmente com a grande poluição existente nos dias atuais.

Apaixonada pelo mar, Gabriela Domingues já havia sido selecionada anteriormente mas não conseguiu ir, "Eu me inscrevi no programa de incubação no começo do ano, em março, soube que tinha sido aprovada, mas estava na Ásia, em Bali, conhecendo vários projetos de reciclagem e também indo surfar! Já que a Indonésia é o segundo país do mundo com a maior quantidade de plástico na sua costa, eu disse pra eles que não poderia ir porque realmente não tinha tempo hábil para me organizar e conseguir o dinheiro, então eles voltaram a me contactar nessa semana, me avisando que o meu projeto seguia sendo "standing out"e que eu deveria participar da incubação em setembro! Só que pra isso, eu preciso arrecadar 18 mil dólares até o dia 05/08 para poder ir, por isso lancei um financiamento coletivo!"

Durante entrevista ao Imirante.com, a cientista diz que o motivo que a levou criar o projeto foram suas experiências pessoais, pois segundo ela, "Quando você tem conexão e amor por algo, não quer que isso acabe. O oceano está cheio de plástico e os peixes comem esse plástico e nós comemos esses peixes. Estamos todos perdendo com isso".

Sobre a HOKI
Mas afinal, como o projeto funciona? A HOKI é uma startup, que tem como objetivo lutar contra a pobreza na América Latina através da utilização dos plásticos poluentes dos oceanos como matéria prima, utilizando tecnologias exponenciais, especificamente impressoras 3D e big data.


O que é uma startup?
Uma startup é uma empresa emergente, ou seja, que tem como objetivo desenvolver um modelo de negócio escalável e repetível, trabalhando em condições de extrema incerteza. Além disso, é uma empresa que possui custos de manutenção muito baixos, mas que consegue crescer rapidamente e que dependendo do projeto, gera grandes lucros.

Impactos

Quando questionada sobre os impactos que a sua startup têm, Gabriela conclui, "A situação no nosso planeta já é extremamente critica. São 8 a 12 milhões de toneladas de plástico que são jogadas nos oceanos todos os anos. Virtualmente, cada pedaço de plástico já produzido segue no nosso planeta. Especificamente, nos oceanos Pacífico e Atlântico temos um estimativo de 30 mil toneladas de plástico de mais de 5mm e 4mil toneladas de plástico de menos de 5mm. É muito plástico! Existem muitas iniciativas pelo mundo para a coleta e reciclagem e o que queremos fazer é ressignificar esse plástico e ajudar as pessoas a mudar a sua relação com esse material".

Planos futuros

Já pensando no futuro, a maranhense diz que quando você possui um projeto que é selecionado para participar de uma faculdade de renome como é a faculdade da Nasa, isso deixa claro que eles acreditam que o projeto tenha o potencial de acalçar um bilhão de pessoas, utilizando tecnologias exponenciais. "Inicialmente, nosso objetivo é poder ser referência no processo de ressignificação de plásticos na América Latina, criando um mapeo sobre as principais necessidades da população (através de big data) e criando materiais que possam atender as suas necessidades (através de impressão 3D), dando oportunidades de negócio a essas pessoas. E por outro lado, unirmos a empresas para que possamos criar uma cadeia de consumo mais consciente e que beneficie a todos!", garante a cientista.

Para quem deseja seguir nessa área e tem o sonho de criar alguma startup e ser reconhecido por isso, Gabriela Domingues também dá um conselho: "Primeiro, procure um problema, um problema difícil de ser solucionado e não aceite que 'não dá' ou que 'não pode'! Tenha foco sempre no problema, a solução pode ter que mudar várias vezes e você vai ter que ser flexível e resiliente, mas se o seu problema está ligado a um propósito chave, ele sim nunca vai mudar. Em segundo, o mundo está cheio de boas ideias, cheio! Mas poucos são os que implementam! Não tenha medo de contar as suas ideias, quanto mais gente escuta, mais feedbacks você tem!"

Para conhecer mais sobre o projeto e saber como ajudar, as informações estão disponíveis nas redes sociais da HOKI.

  • Instagram: @hokiinternational
  • Facebook: Hoki International
  • Twitter: @hokiin

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