Violência Sexual

Crianças vítimas de violência têm atendimento integral no HU-UFMA

Hospital é referência para assistência às crianças, adolescentes e mulheres vítimas de violência sexual.
Imirante.com, com informações do HU-UFMA24/10/2019 às 19h37
Crianças vítimas de violência têm atendimento integral no HU-UFMAOs números registrados pelo Ambulatório de Atendimento às Pessoas em Situação de Violência Sexual do HU-UFMA comprovam esse cenário cruel. (Foto: Divulgação)

SÃO LUÍS - Quando se fala em primeira infância, que compreende a faixa etária entre zero e seis anos, é normal associar às primeiras conquistas, a um mundo de descobertas que serão essenciais para a vida. A realidade, no entanto, pode não ser tão positiva para todas. E traumática, em especial, para quem sofre abusos em uma idade em que a inocência não deveria ser maculada pela violência sexual.

Os números registrados pelo Ambulatório de Atendimento às Pessoas em Situação de Violência Sexual do HU-UFMA comprovam esse cenário cruel. Entre janeiro e setembro deste ano, o Hospital, vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares - Ebserh - atendeu 17 crianças, mais que em 2018, quando foram atendidas 11 crianças. Se contabilizadas menores com até 12 anos incompletos, os números também podem vir a superar os do ano passado. Enquanto em 2018 foram 67 atendimentos, até setembro deste ano já houve 62 casos de vítimas desse tipo de violência.

O HU-UFMA é referência para o atendimento às crianças, adolescentes e mulheres vítimas de violência sexual. O ambulatório, que existe desde 2000, deu início em 2014 ao Projeto Tecendo Redes, fruto de uma parceria entre o HU-UFMA e a Alumar, cujo objetivo principal é consolidar as ações assistenciais e preventivas relacionadas à violência sexual contra crianças e adolescentes.

A assistente social Luciana Castelo Branco diz que com o início do projeto foi possível trabalhar na perspectiva do atendimento integral “Quando essa criança ou adolescente chega, tem uma equipe multiprofissional para que não seja trabalhada só a questão do problema de saúde que a trouxe até aqui, e sim, tudo o que está por trás da questão da violência, o fator psicológico, os efeitos em relação a exposição, a parte legal de orientação sobre o que fazer pós violência, e outras questões”.

Entre as ações assistenciais, estão o atendimento do serviço social (acolhimento, escuta qualificada, entrevista, notificação a conselhos tutelares), consultas médicas e de enfermagem, atenção farmacêutica, atendimento psicológico e psiquiátrico, imunização e exames laboratoriais e de imagem.

Há dois fluxos de atendimento, um dentro das 72 horas do ocorrido e outro fora desse prazo, explica a assistente social. “No primeiro caso, a criança vai passar por toda uma profilaxia, que entra a medicação de emergência para tomar os antirretrovirais, a benzetacil, e exames de laboratório. Se for adolescente, tem também a pílula do dia seguinte. Dependendo do quadro clínico pode ser necessário a internação. Após esse primeiro atendimento, seguem para fazer o acompanhamento ambulatorial. Fora das 72 horas, elas são acolhidas e passam pelos atendimentos necessários no âmbito do Ambulatório com a equipe multiprofissional envolvida”, detalhou Luciana.

Há casos em que as crianças são encaminhadas para o Materno Infantil apenas com suspeita de violência. A assistente social Rosena Correa explica como o hospital atua nesses casos “É feito o atendimento e logo depois o encaminhamento para o Centro de Perícias para a confirmação. O que tem que ficar claro é a importância de que mesmo que seja apenas uma suspeita , o caso deve ser encaminhado a uma unidade de saúde, principalmente as da primeira infância.”

Entre as propostas futuras para aprimorar o atendimento do Ambulatório estão a retomada das palestras educativas nas salas de espera, a ambientação de uma sala para proporcionar um atendimento mais acolhedor a essa criança, além das visitas domiciliares. Por meio deste último, antes que a psicóloga dê a alta, a equipe pretende fazer uma visita ao ambiente em que a criança está inserida para que possa ser percebido se, de fato, é um ambiente favorável.

Violência Sexual

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a “violência sexual é qualquer ato sexual, tentativa do ato não desejado ou atos para traficar a sexualidade de uma pessoa, fazendo uso de repressão, ameaça ou força física, praticados por qualquer pessoa independente de suas relações com a vítima e de qualquer cenário, não limitado ao lar ou trabalho”. Ou seja, é uma agressão focalizada na sexualidade da pessoa, mas que a atinge em todo o seu ser.

Violência contra Criança e Adolescente

A violência sexual contra crianças e adolescentes é o envolvimento destes em atividades sexuais com um adulto, ou com qualquer pessoa um pouco mais velha ou maior, nas quais haja uma diferença de idade, de tamanho ou de poder, em que a criança é usada como objeto sexual para gratificação das necessidades ou dos desejos do adulto, sendo ela incapaz de dar um consentimento consciente por causa do desequilíbrio no poder ou de qualquer incapacidade mental ou física.

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