Alerta

Sem casos de febre amarela há 25 anos, MA não está livre da doença

No Maranhão, a vacinação é obrigatória desde os nove meses de vida da criança.
Imirante.com, com informações da UFMA27/01/2018 às 10h59
Sem casos de febre amarela há 25 anos, MA não está livre da doençaA vacinação ainda é a melhor prevenção da doença. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

SÃO LUÍS - O surto de febre amarela na região Sudeste tem deixado a população de todo o país em alerta. De acordo com o Ministério da Saúde, de 1º de julho de 2017 a 23 de janeiro deste ano foram confirmados 130 casos de febre amarela nos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, além do Distrito Federal. Desses, 53 pessoas vieram a óbito. Ao todo, foram notificados 601 casos suspeitos, sendo que 162 permanecem em investigação e 309 foram descartados. No Maranhão, o último caso em humanos confirmado foi em 1992.

Porém, o Estado não está totalmente livre da doença. Segundo a professora do departamento de Patologia/UFMA, Maria dos Remédios Carvalho, o Maranhão está localizado em uma área considerada endêmica para a febre amarela, e sempre esteve em alerta para a doença.

“Geograficamente, o surto da doença está longe do Maranhão, e a gente tem uma população com vacinação obrigatória. Mas não estamos totalmente sem o risco, já que a doença está ocorrendo em áreas de parques, zonas rurais e tem cidades no estado cercadas por localidades assim. Fora desse surto, a doença existe normalmente na região amazônica”, destacou Maria do Rosário.

Segundo ela, o surto da doença pode estar relacionado à tragédia de Mariana-MG, quando 55 milhões de m³ de lama vazaram da barragem de Fundão após seu rompimento, o que causou um desequilíbrio ambiental, que pode ter levado a doença das florestas para perto de áreas urbanas.

A febre amarela possui dois ciclos: o silvestre, transmitido pelos mosquitos Haemagogus e o Sabethes; e o ciclo urbano, onde o vírus é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. De acordo com o Ministério da Saúde, não há registros da doença do ciclo urbano desde 1942.

A transmissão acontece por meio da picada do mosquito infectado no ser humano. Após a infecção, a pessoa pode apresentar sintomas de grau leve à grave. Em áreas endêmicas, a doença pode passar até despercebida, sendo facilmente confundida como uma virose. Em casos moderados, o infectado pode apresentar febre, dores de cabeça, no corpo e na coluna, além de hemorragia e olhos levemente amarelados. Em casos mais graves, além desses sintomas, o paciente tem o fígado e o rins comprometido pela doença, o que pode levar à morte em sete dias, se não tratado a tempo.

A vacinação ainda é a melhor prevenção da doença. De acordo com a professora Maria dos Remédios Carvalho, no Maranhão, a vacinação é obrigatória desde os nove meses de vida da criança, com uma dose de reforço após 10 anos. O que garante a imunidade da doença, segundo a professora.

“Uma pessoa com mais de 10 anos de idade, com duas doses da vacina ao longo da vida, ela já está protegida. O reforço de 10 em 10 anos não é mais realizado, por uma recomendação da Organização Mundial da Saúde. Então, não existe mais o reforço a cada 10 anos. No Maranhão, a maioria dos adultos não precisam tomar porque já receberam as duas doses ao longo da vida”, destaca a professora.

Quanto à medida do Ministério da Saúde de aplicar a dose fracionada da vacina, Maria dos Remédios Carvalho explica que a eficácia continua garantida, porém por um período de oito anos. Essa decisão do Ministério tem assegurado uma maior cobertura vacinal nas regiões de surto.

“Em uma situação como essa, o certo é a vacina fracionada, ou seja, uma dose de 0,5 mL (quantidade padrão) dividida para cinco pessoas, o que equivale a 0,1 mL/pessoa. Esse método é utilizado para vacinar muita gente, em um período muito curto de tempo, e com a mesma eficácia”, explica a especialista.

Podem vacinar crianças, a partir dos nove meses de vida, e adultos, até 60 anos. Porém, gestantes, idosos, pessoas em quimioterapia e em determinados tratamentos de saúde não devem receber a vacina por causa dos riscos de reações graves.

Além da vacinação, é recomendável evitar áreas de mata e parques. O uso de repelente também pode ser o aliado para impedir a doença.

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