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Site do Itaú Cultural celebra centenário de Zuzu Angel

Homenageada em 2014 pela organização com a Ocupação Zuzu e com extenso verbete na Enciclopédia Itaú Cultural, a instituição traz novas entrevistas, agora com a biógrafa dela, Virginia Siqueira Starling, o estilista Ronaldo Fraga e Hildegard Angel
06/06/2021 às 07h49
Site do Itaú Cultural celebra centenário de Zuzu Angel Divulgação/André Seiti

São Paulo - O Itaú Cultural colocou no ar, em seu site www.itaucultural.org.br, conteúdo especial para celebrar o centenário de nascimento da estilista Zuzu Angel (1921-1976), comemorado no dia 5 (sábado). Ao lado de amplo e histórico material dedicado a ela no hotsite da exposição Ocupação Zuzu (https://www.itaucultural.org.br/ocupacao/zuzu-angel/), de 2014, e no verbete em seu nome que integra a Enciclopédia Itaú Cultural (https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa505043/zuzu-angel), traz novos olhares sobre ela, em conversas com Virginia Siqueira Starling, que está escrevendo a sua biografia, o estilista Ronaldo Fraga, que em 2020 lhe prestou homenagem no São Paulo Fashion Week, e a jornalista Hildegard Angel, sua filha caçula, que traz antigos e novos olhares sobre a mãe.

O material produzido pelo Itaú Cultural para comemorar o centenário de nascimento de Zuzu Angel dá luz à postura revolucionária, tanto na moda, quanto na maternidade, no feminino e na militância. A proposta é trazer à tona mais olhares sobre quem foi Zuzu Angel.

Moda e luta

Nascida na cidade de Curvelo, em Minas Gerais, Zuleika de Souza Netto ficou conhecida nacional e internacionalmente como Zuzu Angel, estilista e figurinista e uma das responsáveis pela criação de um mercado nacional de moda. Em 1971, o seu filho Stuart Angel, de 26 anos, foi preso e morto pelo regime. Ela usou o seu trabalho e reconhecimento para denunciar essa morte e como forma de protesto contra a política e a violência do Estado brasileiro durante a ditadura.

“A gente tem de conhecer Zuzu a fundo porque ela nos ensinou e continua a ensinar o que podemos fazer com as nossas próprias mãos, com criatividade, e como achar força em um momento de dificuldade para poder falar o que acredita”, diz Virginia ao site do Itaú Cultural. “Ela fez o que achava que tinha de fazer. A gente não pode deixar passar essa história em branco e falar 'ah! ela enfrentou a ditadura', mas, sim, entender porque ela a enfrentou e porque isso era importante para ela”, complementa.

A biógrafa destaca, ainda, que, além de mãe, militante e estilista, Zuzu era uma empresária que acreditava na moda brasileira e que somente poderia ser reconhecida internacionalmente se fosse legítima. A afirmação é confirmada pelo estilista Ronaldo Fraga. Na época da Ocupação, gravou um depoimento em vídeo sobre a sua relação com ela (https://www.itaucultural.org.br/ronaldo-fraga-ocupacao-zuzu-2014-parte-13 e agora voltou a falar para o site do Itaú Cultural sobre a importância da estilista para a moda do país.

“Zuzu Angel foi a primeira estilista a falar em legitimidade da moda brasileira, o primeiro nome feminino em um universo dominado por homens. Principalmente, se dedicou a este ofício, em uma época em que o Brasil era muito dependente das notícias do que era lançado na Europa”, analisa Fraga. “Imagina o que era se inspirar em Lampião e Maria Bonita em 1971”, diz.

Para ele, a figura de Zuzu também é marcada pela coragem de usar seu ofício como costureira e criadora como uma forma de manifesto: “quando você vê a trajetória dela, entende que não é única só no Brasil; é única no mundo. Na história da moda você não tem um inglês, italiano, francês, alemão que tenha usado a moda de forma tão radical como denúncia do governo como ela fez. Acho que Zuzu, hoje, deveria ser estudada para além das escolas de moda”, conclui Fraga.

Herança

Nessa celebração aos 100 anos de nascimento desta personalidade revolucionária e marcante na história e cultura do Brasil, o site do Itaú Cultural reúne, ainda, o olhar de Hildegard, que assinou com a equipe da instituição e o cenógrafo Valdy Lopes Jn, a curadoria da Ocupação Zuzu, e leva o legado da mãe a outras gerações com o Instituto Zuzu Angel (IZA).

Hildegard fala sobre quem foi Zuzu para a moda brasileira e como a moda e o modo de se vestir de cada um são um ato político. A jornalista comenta também como definiria quem foi a sua mãe para alguém jovem, que não a conheceu. Ela tenta vislumbrar como Zuzu reagiria e se relacionaria atualmente e faz uma reflexão sobre se é possível pensar o país por meio da moda. Conta, ainda, o que considera que ainda falta ser dito sobre a estilista, uma vez que muito já se falou sobre a sua atuação pessoal e profissional.

No site, o público pode assistir, ainda, ao depoimento dado por Hildegard para a Ocupação Zuzu (https://www.itaucultural.org.br/hildegard-angel-ocupacao-zuzu-2014-parte-19). Ela fala, emocionada, sobre o início do trabalho da mãe como costureira e a abertura da primeira boutique, dá luz aos conceitos de algumas das coleções de Zuzu, da legitimidade da moda brasileira, o início da carreira internacional. E a busca pelo filho desaparecido.

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