Economia

Auxílio Emergencial: 1,4 milhão de pessoas no país não sacaram o benefício

R$ 1,3 bilhão foram devolvidos aos cofres do governo; beneficiários têm 90 dias para movimentar os valores a partir do crédito na poupança social digital. No caso dos beneficiários do Bolsa Família que receberam o benefício, o prazo é de 270 dias

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h17
O auxílio chegou a quase 68 milhões de pessoas, com o total de recursos ao redor de R$ 290 bilhões
O auxílio chegou a quase 68 milhões de pessoas, com o total de recursos ao redor de R$ 290 bilhões (O auxílio chegou a quase 68 milhões de pessoas, com o total de recursos ao redor de R$ 290 bilhões)

BRASÍLIA - Cerca de 1,4 milhão de pessoas não sacaram o Auxílio Emergencial no prazo estipulado - e os recursos não sacados, um total de R$ 1,3 bilhão, foram devolvidos aos cofres da União.

Os beneficiários têm 90 dias para movimentar os valores do Auxílio a partir do crédito na poupança social digital. No caso dos beneficiários do Bolsa Família que receberam o benefício, o prazo é de 270 dias.

O calendário de liberação de saques do benefício foi encerrado no dia 28 de janeiro. O auxílio chegou a quase 68 milhões de pessoas, com o total de recursos ao redor de R$ 290 bilhões.

Foram pagas cinco parcelas de R$ 600 e depois o governo liberou o chamado Auxílio Emergencial Extensão, no valor de R$ 300, que foi pago em quatro parcelas.

A estimativa é de que o fim do auxílio deixará ao menos 63 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza e 20 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza extrema, segundo reportagem do Fantástico.

O fim do auxílio esquentou o debate sobre uma possível extensão do benefício. Economistas se preocupam com o impacto fiscal, já que o endividamento público chegou ao maior nível da história em dezembro, alcançando quase 90% do PIB, e o problema é que o aumento do gasto público pode agravar a crise econômica, gerando mais desemprego e inflação.

Retomada

O Ministério da Cidadania não fala sobre uma possível retomada do benefício, mas informa que 1,2 milhão de pessoas foram incluídas no Bolsa Família neste ano. Agora, no total, são mais de 14,2 milhões de famílias beneficiadas, com um valor médio de R$ 190,57.

O Ministério da Cidadania afirma ainda que tem trabalhado na reformulação do Bolsa Família e que uma nova proposta deve ser anunciada nos próximos dias, ampliando o número de famílias contempladas, reajustando os valores pagos atualmente e dando maior eficiência no gasto do dinheiro público.

O governo cogitou lançar um novo programa que englobaria beneficiários do auxílio e do Bolsa Família, mas não saiu do papel. Também desistiu de prorrogar o pagamento, argumentando que o país tem uma capacidade de endividamento e não pode desequilibrar as contas públicas. Uma possibilidade será a ampliação do número de pessoas assistidas pelo Bolsa Família.

Teto de despesas

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que seu governo vai respeitar o teto de despesas e descartou a prorrogação do auxílio emergencial. Mas pressão política e econômica, com a escalada dos casos de covid-19 após as festas de fim de ano, pode fazer o governo apresentar proposta atrelada ao controle de gastos.

Apesar das resistências, o Ministério da Economia já discute a possibilidade, mas desde que tenha um acordo com o Congresso para aprovação rápida de medidas de corte de gastos. A decisão deve ser tomada com diálogo entre o novo comando da Câmara e do Senado e a equipe econômica do governo.

No Congresso, já há pelo menos nove projetos para estender o benefício até que a situação da Covid-19 seja controlada no país.

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