Em 2019

75% dos inquéritos de crimes sexuais em 2019 foram por estupro de vulnerável

Um total de 405 inquéritos foram registrados na delegacia no ano passado e 90% dos casos de violência sexual contra menores foram cometidos na residência da vítima

Ismael Araújo / O Estado

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h18
Casos desse tipo de violência reduziram na pandemia, possivelmente pela impossibilidade de o criminoso agir
Casos desse tipo de violência reduziram na pandemia, possivelmente pela impossibilidade de o criminoso agir (menor)

São Luís - As crianças e os adolescentes continuam sendo vítimas de violência sexual. No fim do mês passado, um homem de 46 anos, foi preso em São Luís, suspeito de ter engravidado e violentado sua filha, menor de idade. Segundo a polícia, 75% dos 405 inquéritos instaurados no ano passado, para investigação de crimes sexuais no estado, foram por estupro de vulnerável e em 90% desses casos o ato criminoso foi cometido dentro da residência da vítima, por uma pessoa da família.

Somente na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), localizada na Beira-Mar, durante o ano de 2019, foram instaurados 300 inquéritos de violência sexual contra criança e adolescente, 205 especificamente referentes a casos de estupro de vulnerável. “O aliciamento, a importunação sexual e o estupro são enquadrados como violência sexual”, explicou Adriana Meirelles, delegada titular dessa especializada.

Ela ainda informou que no decorrer do primeiro semestre deste ano já foram instaurados mais de 70 inquéritos de violência sexual na DPCA e, entre eles, 56 tratam de estupro de vulnerável. A maioria das vítimas desse tipo de crime são menores de 14 anos, do sexo feminino.

A delegada citou que durante o período de pandemia da Covid-19 houve redução na quantidade de registros desse tipo de crime, e acredita que, possivelmente, o isolamento social tem dificultado as ações dos possíveis agressores.

Alguns sinais podem ajudar a identificar possíveis casos de abuso e exploração sexual estão, a maioria das vezes, associados à mudança de comportamento da vítima, como por exemplo, crises de gritos, tentativa de suicídio e até mesmo fuga de casa.

Combate
O Programa “Mais infância Mais turismo” é um projeto da Secretaria de Estado do Turismo (Setur-MA), que tem como objetivo desenvolver ações de enfrentamento e de sensibilização da população contra o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes, com foco nos polos turísticos maranhenses.

Várias ações desse programa já ocorreram nas cidades de Caxias, Timon, Codó, Pedreiras, Imperatriz, Santo Amaro, Atins, Estreito, Tasso Fragoso, Vargem Grande, Riachão e Carolina e na Grande Ilha de São Luís, com a realização de blitz na Avenida Litorânea e no início da BR-135 até a região da Estiva.

Uma dessas ações ocorreu em pleno período carnavalesco deste ano, na Avenida Beira-Mar. Na ocasião, os servidores da Setur-MA realizaram abordagens informativas em toda essa localidade, inclusive, para os brincantes. Os servidores entregaram e colaram materiais informativos como cartazes, adesivos e bottons em áreas de fácil visibilidade, principalmente, nos estabelecimentos visitados.

SAIBA MAIS

No começo deste mês, dois homens foram presos suspeitos de estupro de vulnerável mediante fraude, na cidade de Santo Antônio dos Lopes. Entre os detidos, de acordo com a polícia, havia um pastor evangélico. As vítimas eram uma criança e uma mulher.

COMO DENUNCIAR

Em caso de suspeita, o Disque 100 é uma das ferramentas de denúncia anônima disponível, ou ainda, pelos telefones da DPCA-MA, nos números (98) 3214-8667 / 3214-8688. As denúncias podem ser também feitas ao Ministério Público, aos Conselhos Tutelares de cada município e para a polícia.

NÚMEROS

405 inquéritos foram instaurados no ano passado para investigação de crimes sexuais no estado
70 inquéritos de violência sexual na DPCA foram instaurados durante o primeiro semestre deste ano

Dicas de prevenção ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes

  • Converse com a criança sobre as partes íntimas do corpo: as crianças precisam saber nomear corretamente as partes do corpo e identificar o que é íntimo, para assim, poderem relatar aos pais quando algo fora do comum acontecer.
  • Explique sobre os limites do corpo: ensine a criança a não permitir que ninguém toque as suas partes íntimas, ou ainda, que ela não toque nas partes íntimas de nenhuma pessoa, seja ela conhecida ou desconhecida.
  • Incentive a criança a conversar com você: é preciso que o seu filho se sinta seguro para lhe contar qualquer coisa, inclusive uma situação de abuso. Muitas vezes, os abusadores pedem às crianças para manterem o ocorrido em segredo, seja ameaçando-a ou de maneiras lúdicas.
  • Relação de autoestima com o corpo: estimulem que os adolescentes e jovens mantenham uma relação saudável com o seu corpo. Explique que eles não precisam se sujeitar a situações desagradáveis e desconfortáveis por insegurança ou medo de não serem aceitos.
  • Identifique os possíveis sinais de um abuso: embora não seja fácil notar os sinais físicos de um abuso sexual, é possível que a criança tenha alterações no seu comportamento, como: irritação, ansiedade, dores de cabeça, alterações gastrointestinais frequentes, rebeldia, raiva, introspecção ou depressão, problemas escolares, pesadelos constantes, xixi na cama e presença de comportamentos regressivos (por exemplo, voltar a chupar o dedo). Outro sinal de alerta é quando a criança passa a falar abertamente sobre sexo, de forma não-natural para a sua idade, física e mental.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais Twitter, Instagram e TikTok e curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.