Cidades | Outubro Rosa

Câncer de mama: se tocar é importante, mas não adianta nada sem o exame

Até há alguns anos, especialistas recomendavam que as mulheres priorizassem o chamado "autoexame", no entanto, a orientação mudou
Thiago Bastos / O Estado 17/10/2020
Mamografia é o exame ideal para detectar o câncer de mama

São Luís - Em tempo de campanhas alusivas e conscientização acerca de uma das doenças mais graves que afetam parte da população brasileira, um alerta. Até há alguns anos, especialistas recomendavam que as mulheres priorizassem o chamado “autoexame”, ou apalpamento das mamas, para possível diagnóstico de tumores nelas.

Esse método era (ou ainda é) considerado eficaz já que, dependendo do caso, pode ser a diferença entre a cura e a morte. No entanto, entidades como a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) orientam para que pacientes busquem logo os consultórios médicos e se submetam ao exame mamográfico.

O Estado buscará, nesta reportagem, explicar os motivos para a relativização da importância do autoexame. Alvo de várias campanhas alusivas ao tema, o ato deve ser substituído por uma frequência maior das pessoas em clínicas e locais de oferta de exames do gênero.

O objetivo é ainda situar o leitor acerca do atual panorama da doença na capital.

Em dobro
Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) mostram que São Luís apresenta uma estimativa de taxa bruta de novos casos por 100 mil habitantes mais do que o dobro da média registrada no estado.

De acordo com a pesquisa, enquanto no Maranhão o percentual de casos é de 23,30 por 100 mil habitantes, a capital maranhense apresenta um índice de 57,20 no mesmo grupo. Para 2020, ainda de acordo com o Inca, são esperados 840 novos casos de câncer de mama.

Destas ocorrências, ainda segundo a entidade, 330 (ou quase 40%) seriam registrados em São Luís. Apesar do índice da capital ser considerado alto, em relação à média de todo o estado, o Maranhão registra anualmente queda nos índices de mortalidade.

De acordo com o Inca, desde 2016, o Maranhão e os estados da Região Norte, exceto Rondônia e Tocantins, consolidam as menores taxas brutas de mortalidade por câncer de mama no país. O diagnóstico rápido e eficaz é inquestionavelmente a causa para a redução nos percentuais de óbitos.

Mas especialistas apontam: é preciso fazer este diagnóstico de forma correta e prudente.

Exame que Maria da Graça veio de Anajatuba fazer

Autoexame como forma de conhecimento do corpo
Desde a década de 1980, quando a política pública de combate ao câncer de mama tornou-se mais efetiva, gestores de saúde orientavam para a promoção do toque autônomo das mamas. A medida – válida para mulheres e também para homens – virou uma espécie de símbolo do combate à doença e até hoje é vista em campanhas publicitárias específicas.

Em todo o país, foram vários os casos de cânceres evitados ou que tiveram seus estágios encurtados pela identificação, através da sensibilidade das mãos, de nódulos.

Porém, com a consolidação das pesquisas, de debates acadêmicos e, principalmente, com a disseminação das redes sociais que aproximaram pacientes dos seus especialistas, os médicos revisaram seus conceitos acerca do tema.

Especialistas renomados e considerados referências no Brasil alertam seus pacientes para que busquem – com mais frequência – os ambientes clínicos e intensifiquem a submissão ao exame mais detalhado.

Uma das profissionais mais valorosas do estado acerca do câncer de mama, a médica Gláucia Mesquita, afirmou a O Estado que o autoexame não é “mais recomendado” pelos mastologistas para o diagnóstico. Para ela, a questão é simples, ou seja, no procedimento a identificação do nódulo no toque somente ocorre em estágio avançado da doença, o que compromete de forma significativa o tratamento.

Segundo a profissional, o autoexame ainda pode ser feito, desde que o paciente deseje conhecer o próprio corpo. “A nossa busca é pelo diagnóstico precoce. E isso somente é possível com a mamografia”, afirmou.

A médica recomenda ainda que a mamografia deve ser feita de forma mais constante a partir dos 40 anos de idade no caso das mulheres. “Quem tem histórico familiar inicia mais cedo, aos 35 anos. O autoexame fica apenas para autoconhecimento da mulher”, frisou Mesquita.

Além da SBM, o Ministério da Saúde (MS) e o Instituto Nacional de Câncer (Inca) confirmam a mesma orientação acerca do autoexame, no âmbito de relativizar o procedimento. “As mulheres têm uma tendência em não fazer a mamografia porque acham que o autoexame é suficiente. E não é. Isso ocorreu por campanhas errôneas que enaltecem o autoexame”, disse a médica.

Apesar das recomendações, os médicos não apontam que a mulher não faça o autoexame. No entanto, é preciso priorizar ações e, neste caso, a mamografia é preponderante. Mesmo com os índices importantes de queda nos óbitos, há pessoas que (por opção ou principalmente por falta de demanda na rede pública) deixam sempre o procedimento para depois. Outras mulheres têm mais sorte.

Quem prioriza a mamografia
Distante 140 quilômetros da capital maranhense, está situada a cidade de Anajatuba (MA). Lá, mora a pescadora Maria de Jesus da Conceição, de 47 anos. Ela – que veio esta semana para São Luís em busca da mamografia - admitiu a preocupação com o câncer de mama, disse que a cada dois anos faz o exame detalhado e que, ciente a partir de agora da importância do ato, reduzirá o intervalo entre um e outro procedimento para um ano. “Eu sempre me preocupei com a saúde das minhas mamas. Graças a Deus nunca deu nada, mas não é por isso que devo relaxar”, afirmou.

Segundo ela, não há histórico na família de pessoas com câncer de mama. Ainda assim, a prevenção, para ela, é um lema. Sem pudor, ela se submeteu à mamografia e permitiu o acompanhamento in loco de O Estado. “Até para servir de exemplo para outras mulheres. Previnam-se!”, afirmou.

SAIBA MAIS

As últimas ações publicitárias voltadas para a prevenção contra o câncer de mama tiveram como foco a mamografia. Com o mote “Cuidado com as mamas, carinho com seu corpo”, o INCA e o Ministério da Saúde (MS) aderiram à campanha Outubro Rosa 2020.

De acordo com o MS, o câncer de mama é segundo tipo que mais acomete brasileiras. A doença representa 25% de todos os cânceres que afetam principalmente o público feminino.

A prática de atividade física e de alimentação saudável, com manutenção do peso corporal adequado, estão associadas a menor risco de desenvolver câncer de mama: cerca de 30% dos casos podem ser evitados quando são adotados esses hábitos. A amamentação também é considerada um fator protetor.

NÚMEROS

25% é o percentual de câncer de mama no país, em comparação a outros tipos
30% dos casos de câncer de mama podem ser evitados com a adoção de atividades físicas
840 novos casos de câncer de mama são esperados no Maranhão em 2020

Fonte: Instituto Nacional de Câncer (Inca)

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