Pandemia

Taxa de isolamento social recua 19 pontos no Maranhão em seis meses

Índice chegou a 54,8% em março, no auge da pandemia, mas ontem estava em 35,4%, segundo a plataforma de geolocalização Inloco, que opera a partir de uma base de dados de 60 milhões de celulares em todo o Brasil

Kethlen Mata/ O Estado MA

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h18
Rua Grande é o principal ponto de aglomeração em São Luís
Rua Grande é o principal ponto de aglomeração em São Luís (rua grande aglomera)

São Luís – Contando 6 meses do primeiro caso de Covid-19 – em 20 de março – confirmado no Maranhão, o índice de isolamento social atual é de 35,4%, de acordo com a plataforma In Loco, empresa de tecnologia que usa dados enviados por aplicativos parceiros para aferir deslocamentos dos usuários. Para monitorar o deslocamento, a In Loco utiliza GPS, sinais de Wi-Fi, Bluetooth e telefonia. Nesta quarta-feira, 23, o consórcio de veículos de imprensa, que atualiza diariamente os dados sobre a pandemia no Brasil, apontou a situação do Maranhão como em alta em relação ao número de mortes pela doença. Já na quinta-feira, 24, o estado voltou a situação de estabilidade, no entanto, durante praticamente todo o mês de agosto e início de setembro, o Maranhão estava em queda no número de óbitos.

Desde o princípio da pandemia, especialistas de todo o mundo recomendaram o isolamento social como medida preventiva para evitar a disseminação do vírus Sars-Cov-2, descoberto em 31 de dezembro de 2019, na China. Porém, houve muita discussão sobre qual seria a melhor forma de adotar esse distanciamento: o isolamento horizontal, ou o vertical.

O isolamento em formato vertical é indicado apenas para pessoas que compõem o grupo de risco da doença – idosos, portadores de doenças crônicas, imunossuprimidos, transplantados, pacientes oncológicos, gestantes, etc. –, sendo assim, mais benéfico para a economia. Já no isolamento em formato horizontal, apenas os serviços essenciais são mantidos, enquanto o resto da população fica em casa, evitando o contato com outras pessoas.

Lockdown

No Maranhão, logo em março, escolas, restaurantes, universidades, comércios não essenciais, bares, e outros, precisaram parar, sendo assim, o estado optou pelo distanciamento em linha horizontal. O primeiro lockdown (bloqueio total) do Brasil, aconteceu nas quatro cidades que compõem a região metropolitana do Maranhão – São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar, e Raposa. O bloqueio iniciou em 5 de maio e durou até o dia 17 do mesmo mês. Durante esse período, o estado conseguiu ultrapassar 53% de percentual de isolamento, segundo o In Loco. Ressaltando, que o maior nível atingido pelo país, foi de 62,2%, em 22 de março, quando o Maranhão também atingiu seu pico, com 54,8%.

Após o lockdown na Ilha de São Luís, o Governo do estado passou a flexibilizar o comércio, começando pelas lojas, depois os bares e restaurantes. Foi nessa mesma época que o índice de isolamento começou a cair, uma consequência óbvia, já que as pessoas voltaram a sair de casa para trabalhar, contanto, uma parte da população também voltou a sair, mas não por necessidade, e sim para encontrar amigos, e muitas vezes gerar aglomerações.

A importância do isolamento

O percentual ideal de isolamento seria 70%, o país quase atingiu essa meta, porém em março, ainda no início de tudo. Em entrevista a O Estado, o professor e epidemiologista, Antônio Augusto Moura da Silva, o isolamento realmente caiu muito, já que muitas pessoas estão achando que a pandemia foi vencida ou estão percebendo que o risco de contágio diminuiu e estão retornando às suas atividades. “Por outro lado, também muitas pessoas já foram infectadas e o risco de uma reinfecção para quem já foi contaminado parece baixo no curto prazo. Houve também cansaço de ficar isolado. Essa percepção de risco menor é o que faz com que as pessoas saiam mais de casa”, explicou.

De acordo com o professor, há ainda os céticos, aqueles que acham que a epidemia é só uma gripe e que tudo está sendo exagerado. No entanto, ele reforça a importância do isolamento, e das medidas de proteção. “Como não sabemos ainda qual a duração da proteção, é importante manter as medidas de controle. Claro que não é nesse momento necessário passar o dia todo em casa trancado, mas procurar sair o mínimo possível é aconselhável. E sempre que sair usar máscara, manter o distanciamento físico de pelo menos 1,5 metro e não descuidar da higiene das mãos”, completou.

Impacto na economia

Em matéria de O Estado, publicada no dia 17 de setembro, foi constatado que 30% dos restaurantes e bares não reabriram pós-flexibilização, em São Luís, ou seja, o isolamento horizontal foi o mais eficaz na contenção do vírus, porém as feridas na economia ainda não se cicatrizaram, como aponta a reportagem.

Em uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), esse segmento representa 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e geram cerca de seis milhões de empregos por todo o país. Contudo, com a suspensão temporária dos serviços e a necessidade de adaptação a uma nova realidade, muitos estabelecimentos não conseguiram reabrir suas portas. No Maranhão, até junho, haviam ocorrido 7 mil demissões devido à pandemia da Covid-19.

SAIBA MAIS

Volta às aulas

O processo de retorno presencial de aulas para estudantes de escolas particulares começou em agosto, essas escolas adotaram o ensino híbrido, uma semana em formato virtual, e outra presencial, dessa forma fazendo um revezamento entre salas e evitando uma grande circulação de pessoas no interior das instituições. Mas, mesmo com essas medidas, algumas escolas suspenderam suas aulas presenciais após a reabertura, já que alguns profissionais contraíram a Covid-19.

Já a rede pública de ensino ainda está no modelo totalmente virtual, e se adequando a essa nova realidade que o coronavírus forçou a existir. Recentemente a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), também retornou com suas aulas, porém, de forma inteiramente virtual. Algumas universidades privadas já retornaram com aulas presenciais, mas apenas para alguns cursos, e também revezando as salas para evitar aglomerações.

Números

35,4% taxa de isolamento atual

54,8% pico de isolamento no estado

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