Sua saúde

"É preciso ir ao médico"

Pessoas têm deixado de ir às consultas com medo de se contaminar pela Covid-19; resultado é o aumento em 30% nas mortes em casa, por doenças cardiovasculares

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h19

[e-s001]São Luís - A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) lançou uma campanha para lembrar as pessoas de que, mesmo em tempos de pandemia, é preciso ir ao médico. “As pessoas estão deixando de ir às consultas com medo de se contaminar pela Covid-19. O resultado tem sido aumento na ordem de 30% das mortes em casa por doenças cardiovasculares e cardíacas, aponta a SBC”, alerta o cardiologista e ecocardiografista Márcio Mendes Pereira, especialista em hospital referência em atendimento cardíaco em São Luís.

O cardiologista explica que sem acompanhamento médico, o AVC e o infarto matam mais do que a Covid-19. “As pessoas têm de ir ao médico e à emergência em caso de sintomas, pois as 12 primeiras horas são cruciais para restabelecer o fluxo da coronária entupida”, ressalta o cardiologista Márcio Pereira.

Ele afirma que a classe médica tem observado em todo o país uma diminuição expressiva, de aproximadamente 70%, nos atendimentos cardiológicos. “Um estudo italiano demonstrou um aumento de 58% no número de paradas cardíacas fora do hospital. O mesmo cenário deve estar acontecendo no Brasil, justamente por um medo excessivo”, compara.

Para o cardiologista, é importante para a população não confundir a orientação de “ficar em casa” com uma inexistente recomendação de “não ir ao médico”.

[e-s001]Comorbidades
O médico alerta que as pessoas, principalmente com histórico de hipertensão, obesidade, sedentarismo, cardiopatias, diabetes e também os idosos devem ficar atentas para os sintomas e para a importância de consultas e exames de rotina.

“Nestes tempos de isolamento, temos observado muitas pessoas se exercitando menos, comendo mais e relaxando nos exames, consultas e até deixando de tomar seus medicamentos. É um risco, principalmente para quem tem doenças ligadas aos sistema cardiovascular”, reforça o médico Márcio Pereira.

O cardiologista observa que, para pessoas desses grupos, os fatores de risco para o desenvolvimento de um quadro mais grave da Covid-19 são os mesmos das doenças cardiovasculares, incluindo o infarto agudo do miocárdio (IAM) e o acidente vascular encefálico (AVE).

“Diante desse cenário, a população deve ter atenção redobrada com sua saúde, pois além de adotar medidas preventivas contra a Covid-19 (distanciamento social, lavagem das mãos e uso de máscaras), precisa também continuar atenta à prevenção das doenças cardiovasculares e aos seus sintomas”, explica.

SAIBA MAIS

[e-s001]Duas dicas:

- Saber identificar os sintomas do infarto agudo do miocárdio (IAM) e do acidente vascular encefálico (AVE) e não postergar a procura por serviço médico de emergência. No caso do IAM o principal sintoma é a dor no peito que irradia para a mandíbula, pescoço e braço esquerdo, associada algumas vezes a sudorese fria e falta de ar. Os principais sintomas do AVE são caracterizados por fraqueza na face, no braço ou na perna, localizada em um lado do corpo; confusão mental; alterações da fala ou da compreensão. Nestas duas doenças, a procura por um atendimento médico de emergência é crucial para o sucesso no tratamento.

- Manter o acompanhamento cardiológico, que consiste nas consultas regulares e na realização de exames, o que permitirá o efetivo controle dos fatores de risco e a identificação precoce de alterações que antecedem o IAM e o AVE.

Se precisar ir ao hospital

Entre em contato com seu médico de confiança

Se você tiver um profissional com o qual se consulta há bastante tempo, mantenha-o informado de quaisquer sintomas, especialmente se já houver um histórico de comorbidade.

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A popularidade dos aplicativos de consultas médicas vem aumentando com a quarentena. Pelo celular é possível fazer desde o agendamentos até a própria consulta pela câmera do aparelho.

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Se você pertence a taxa de 25,3% da população que, de acordo com o IBGE, não possui acesso à internet ou não tem como contatar um médico de confiança, a alternativa é se dirigir à Unidade Básica de Saúde mais próxima.

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