Violência

Quase 300 casos de violência a idosos foram atendidos este ano em São Luís

Foram realizados mais de 800 atendimentos relacionados a idosos apenas em 2020, sendo 289 deles por violência, na capital maranhense

Bárbara Lauria / O Estado

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h19
Idosos são vítimas de violência na capital maranhense
Idosos são vítimas de violência na capital maranhense (idoso)

São Luís - No mês em que celebra o dia mundial do combate à violência contra o idoso (15 de junho) criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), a cidade de São Luís já realizou 892 atendimentos relacionado ao idoso e, desses atendimentos, foram registrados 289 casos de situações de violência - de janeiro a junho deste ano -, 32% deles relacionados a violação de qualquer direito dos idosos, mas que não foram registrados. Os dados foram divulgados pela Defensoria Pública do Maranhão (DPE).

Os 892 atendimentos realizados se referem ao serviço social, psicologia, encaminhamentos, mediações de conflitos, visita domiciliar, orientações, atividades de prevenção, cárcere privado, violência física, violência psicológica, abuso financeiro, negligencia, abandono, autonegligência, solicitação de atendimento médico e medicamentos.

A psicóloga especializada em saúde mental dos idosos, Reijane de Fátima Ribeiro, define violência, segundo a OMS, como uso intencional de força física ou poder, e ameaças reais contra si, ou uma pessoa, ou contra um grupo, que resulta em ferimento morte ou dano psicológico.

“Podemos observar como essa violência e como todas essas indicações podem trazer um prejuízo imenso, tanto na questão física, quanto na questão psicológica do Idoso”, frisou a psicóloga.

De acordo com os dados da DPE, os tipos de violência são divididos em “abuso financeiro”, “negligência”, “violência psicológica”, “abandono”, “autonegligência”, “violência física”, “solicitação de atendimentos médico”, documentação”, “cárcere privado” e “solicitação de medicamentos”.

De acordo com pesquisas realizadas, inclusive pelo IBGE, foi indicado que frequentemente os agressores são os próprios familiares das vítimas, fator que muitas vezes, pode dificultar a notificação da violência, devido à ligação física e emocional do idoso com seu algoz. Reijane Ribeiro explicou que essa situação pode levar muitas vezes o idoso a depressão.

No Brasil, existe o Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003), que prevê como crime, a conduta de colocar em risco a vida ou a saúde do idoso, através de condições degradantes ou de privação de alimentos ou cuidados indispensáveis, o que implica em pena de dois meses a um ano de detenção, e multa. Caso ocorra lesão corporal de natureza grave, será aplicada a pena de reclusão de um a quatro anos. Se a violência resultar em morte, a pena de reclusão será de quatro a 12 anos.

Casos comuns
De acordo com a psicóloga Reijane Ribeiro, na maioria das vezes os casos de violência se originam do despreparo das famílias e cuidadores com a condição do idoso de perda de massa corpórea, perda da cognitividade, da memória, perda neural e até mesmo doenças físicas.

“Como a família não tem esse conhecimento, não tem esse suporte, ela acaba não entendendo essa mudança brusca de comportamento do idoso. E automaticamente, por não entender, muita das vezes a violência acontece por conta de uma perda de memória ou então de uma agressão (o idoso fica mais agressivo), ele também já tem um comprometimento de um controle inibitório”, explica a psicóloga.

Nessas situações, a psicóloga indica que essas famílias procurem profissionais que possam ajudar no cuidado desse idoso e orientar os familiares que os acompanham, como psicólogos e geriatras. No caso dos idosos que ficam com cuidadores, ela enfatiza que é importante observar se o idoso não apresenta sinais de violência:

“Nós não sabemos o que está de fato correndo ali, então nós precisamos verificar se ele não está sendo humilhado ou desrespeitado na sua intimidade e na sua autoestima. É importante a gente começar a observar esse olhar do impacto para o nosso idoso, porque muitas das vezes nós associamos a violência com agressão, que é um fato, por ele estar mais fragilizado. Quando você começa a observar sinais de que o idoso já está mais arredio, ele já não gosta mais de fazer aquilo que ele sempre fazia, você vai começando a observar que ele já está entrando no processo de depressão”.

Casas de apoio
Reijane Ribeiro também destaca que muitas vezes se torna mais saudável para o idoso ir para uma casa de apoio devido a condição de violência em seu domicílio. “Várias famílias não possuem esse suporte interno, e levam os seus idosos para casa de repouso. De certa forma, embora a melhor opção seria conviver com familiares, nesse local ele vai ter atenção primária, e ter o atendimento das questões de saúde e a observação necessária com essas mudanças”, concluiu.

No Maranhão, algumas Instituições de Longa Permanência para Idosos, como Solar do Outono, fazem parte da rede estadual e acolhem idosos que, inclusive, passaram por situação de violência.

SAIBA MAIS

Mapa da violência

Segundo pesquisa do IBGE, no Brasil existem 23,5 milhões de idosos, cerca de 10% da população. E a cada dez minutos, um idoso sofre algum tipo de violência. Por dia, 41 idosos morrem vítimas de violência.De acordo com os dados divulgados pela Defensoria Pública do Maranhão, em São Luís as violências mais comuns contra os idosos são:

  • Abuso Financeiro (18%)
  • Negligência (17%)
  • Violência Psicológica (16%)
Ainda de acordo com os Dados da DPE, os bairros com maiores números de ocorrências são: Centro, Cohatrac e Anjo da Guarda.

TIPOS DE VIOLÊNCIA

  • Física - a violência doméstica, quando é manifestada de forma física, geralmente é utilizada para sujeitar os idosos a realizarem algo que não desejam, causar por diversos motivos, ferimentos e lesões que podem gerar a morte, devido à fragilidade física que, comumente, fazem parte de suas estruturas corpóreas.
  • Psicológica - as ações de restrição da liberdade de locomoção, convívio social ou simplesmente a negação aos seus hábitos de lazer e diversão são considerados como um ataque à saúde mental da pessoa idosa e, consequentemente, como uma forma de violência psicológica.
  • Financeiro ou Material - é uma das ações mais praticadas pelos membros da família, devido aos problemas de locomoção ou de incapacidades psíquicas de controlarem os seus rendimentos e patrimônio. Os idosos passam a ter as suas economias e benefícios previdenciários apropriados por outros, constituindo em uma exploração ilegal e indevida.
  • Sexual - a violência sexual, praticada contra os idosos pode ser de caráter hétero (sexo oposto) ou homo (mesmo sexo) e incluem a relação sexual ou práticas eróticas por meio de aliciamento, violência física ou ameaças sem o consentimento do idoso.
  • Negligência - é a omissão ou a negação em fornecer assistência básica que os idosos necessitam em sua vida, por parte dos seus responsáveis (Família ou instituição). Este ato é mais comumente praticado ao idoso que se encontra em situação de dependência do outro, possui limitações ou incapacidades físicas, psíquicas ou emocionais.
  • Abandono - os agressores também tratam os idosos de forma hostil por não entenderem ou não terem paciência em ouvir o que os idosos querem dizer, muitas vezes os idosos contam histórias repetidas ou “inventam” algo, o que é produzido por sua mente confusa.
NÚMEROS

892 atendimentos relacionado ao idoso, este ano, em São Luís
289 casos de situações de violência, de janeiro a junho deste ano na capital
32% relacionados a violação de qualquer direito, sem registro feito

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