Relacionamentos

Como paquerar em tempos de pandemia?

Sem a agitação da vida social, solteiros abusam da criatividade para superar o desafio do isolamento e viver um grande amor, em tempos de isolamento social

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h19
Aplicativos de paquera são aliados
Aplicativos de paquera são aliados (tinder)

SÃO LUÍS- Barzinhos, festas e encontros cancelados durante a pandemia. A recomendação é o distanciamento social, sem evitar aglomerações e o acessório da vez são as máscaras, que cobrem sorrisos. Nada de encontros românticos com beijos, abraços e carícias, por enquanto; a orientação dos especialistas é ficar em casa e manter o distanciamento social. A vida de solteiro não é mais a mesma e o desafio é encontrar o amor em um novo tempo cheio de percalços.

A consultora de moda, Patrícia Reis, de 25 anos, tinha uma vida social agitada; sempre buscava fazer programas diferentes com amigas e amigos, mas agora vem cumprindo o isolamento social à risca. Morando com familiares que fazem parte do grupo de risco, ela tem mais receio ainda de descumprir as medidas adotadas pelas autoridades de saúde. Para Patrícia, a maior dificuldade é a falta do convívio com outras pessoas.

“O fato de não estar na rua, nos lugares, isso inviabiliza o ato de conhecer pessoas diferentes. Tudo acaba se restringindo ao mundo virtual, se limitando em alguém que te segue numa rede social, ou uma pessoa que você já conversava no whatsapp. Independente de conhecermos melhor as pessoas através dessas ferramentas acaba fazendo muita falta o contato, o encontro, que nesse momento por questão de segurança é frustrado”, detalha.

Independência afetiva

“Os solteiros estão sofrendo bastante porque não estão se arriscando para encontrar outras pessoas, sofrem com o distanciamento, mas essa é uma oportunidade de se autodescobrir mais, fazer atividades que se gosta e que não dependem de outra pessoa. O momento, também, pode criar mais independência afetiva”, pondera Celiane Lopes, psicóloga do Hapvida Saúde.

É exatamente isso o que Patrícia Reis está colocando em prática. “Eu tento ver pelo lado positivo, no sentido que é sempre bom desacelerar, olhar mais pra mim e o distanciamento social ajudou. Alguns vazios são supridos apenas pela nossa própria companhia, porque existem coisas que só nós podemos fazer por nós mesmos. A quarentena está sendo um momento em que eu consegui me reaproximar da minha essência, exercitar mais o amor próprio, e sem dúvida, consolidar meu conceito de solitude”, revela.

Nova paquera: deu match!

A psicóloga aponta que as redes sociais são aliadas nessa nova “paquera”. “A internet é uma válvula de escape para manter relações, traçar novas formas de se conectar ao outro e até encontrar um par ideal. Mesmo com limitações, na internet as possibilidades são infinitas. As redes sociais já filtram as pessoas por gostos e desejos individuais. Ao respeitar a quarentena, há também um respeito com o outro”, comenta.

Pesquisa realizada pelo Tinder, aplicativo que promove encontro de pessoas com afinidades, os solteiros estão gastando mais tempo nos aplicativos de paquera. Só no Tinder, houve um aumento mundial de 20% na quantidade de conversas diárias, sendo que a duração média dos papos cresceu 25%. No Brasil, os matches (conexões por afinidade) aumentaram em 25% e as conversas já são 20% mais longas.

O The Inner Circle também registrou crescimento na sua base de usuários. Os matches do aplicativo aumentaram 99%. Já o acréscimo de mensagens enviadas é de 116%, enquanto os encontros online registraram um acréscimo de 50%.

Atenção com o coração e a mente!

Mas a psicóloga, também, pondera o uso das plataformas digitais no universo do amor online, pois é importante levar em consideração se o que a pessoa está buscando tem o mesmo objetivo que o outro. “As intenções por parte de quem busca este tipo de aplicativo vão desde a possibilidade de um relacionamento sério até o sexo casual. As relações podem ser mais duradouras ou simplesmente passageiras, o cuidado que deve ser tomado é com a expectativa versus a frustração”, alerta.

A fluidez dos relacionamentos, enfatizada por Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, em seu livro Modernidade Líquida, faz parte das novas formas de vínculos. No caso dos aplicativos, o fácil acesso, a possibilidade de desconectar ou deletar a pessoa sem a necessidade de dar maiores satisfações, reforça a ideia da inconstância dos vínculos. “Se alguém não me agrada, não há problema porque há outros para escolher”, contemporiza a psicóloga.

“Não se trata de colocar o aplicativo como vilão, até porque há pessoas que constroem boas relações por meio deste recurso. É importante compreender que para que haja um vínculo amoroso com bases sólidas, é preciso tempo. Tempo para perceber o outro, como também para se perceber e reconhecer as próprias dificuldades e não fugir delas, não projetando no outro a responsabilidade de suprir as suas próprias carências”, finaliza Celiane.

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