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Mudanças climáticas são um problema tão sério quanto a Covid-19, diz pesquisa

Para 66% dos entrevistados, ações em prol do meio ambiente devem ser prioridade na recuperação econômica pós-pandemia
11/05/2020 às 16h02
Mudanças climáticas são um problema tão sério quanto a Covid-19, diz pesquisaSete em cada 10 brasileiros acreditam que mudanças climáticas são um problema (Divulgação)

São Paulo - Para 71% da população do Brasil, as alterações climáticas no mundo, no longo prazo, são uma crise tão séria quanto a pandemia de Covid-19. Esse é o principal resultado da pesquisa “Earth Day 2020”, realizada pela Ipsos, por meio da plataforma Global Advisor, com 14 nações. O índice dos entrevistados brasileiros reflete perfeitamente a percepção global, também de 71%.

A China, um dos países mais impactados pelo surto de coronavírus, está no topo do ranking entre os que mais acreditam que as mudanças no clima representam um problema de mesma gravidade da pandemia, com 87% de concordância com a premissa. Em segundo lugar, vem o México, com 84%. Logo atrás, está a Índia (81%).

Em contrapartida, Canadá (64%), Austrália (59%) e Estados Unidos (59%) são as nações que menos concordam que as alterações climáticas sejam uma crise tão séria quanto a pandemia.

O levantamento também apontou que 65% dos entrevistados no mundo acreditam que os governos de seus países devem priorizar ações de combate às mudanças climáticas durante a recuperação econômica após a Covid-19. Considerando apenas os brasileiros, são 66%.

Índia (81%), México (80%) e China (80%), novamente, são as nações que mais concordam com a afirmativa. Por outro lado, os participantes australianos, alemães e americanos, com 57% de concordância cada um, mostraram um menor grau de interesse nas iniciativas futuras de seus governos em respeito às alterações climáticas.

Apesar de as mudanças no clima serem uma pauta importante em diversos países - como mostrou o estudo -, para quase metade dos ouvidos globalmente, o tema não deve se sobrepor à retomada econômica. Entre todos os entrevistados das 14 nações, 44% acreditam que seus governos devem focar primeiro em ajudar a economia a se recuperar, mesmo que isso signifique tomar certas atitudes que tenham impacto negativo ao meio ambiente.

No Brasil, apenas 37% concordam com a afirmativa. Índia (63%), Rússia (55%), e Austrália (50%) são as nações que mais acreditam que o desempenho econômico deve vir em primeiro lugar, mesmo que seja necessário causar dano o meio ambiente. Os países com menor índice de concordância são Alemanha (36%), França (35%) e Japão (35%).

Apoio político

Um segundo recorte da pesquisa, dessa vez realizado com 29 nações, avaliou as expectativas dos entrevistados em relação ao suporte de seus governos às questões ambientais. Para 68% dos entrevistados, um governo estaria desapontando sua população caso não tomasse atitudes efetivas para combater as mudanças climáticas.

Entre os brasileiros, 74% concordam com a premissa. A Colômbia, a África do Sul e o Chile são os países que mais esperam ações pró-ambientais de seus líderes, com índices de 87%, 84% e 83%, respectivamente. Na outra ponta do ranking, estão Holanda (55%), Arábia Saudita (51%) e Rússia (35%).

Pouco mais do que a metade dos ouvidos globalmente (57%) afirma que não votaria em um partido político caso ele não tivesse propostas sérias contra as alterações climáticas. No Brasil, são 67%. Os eleitores que mais levam em conta os planos para o meio ambiente de seus possíveis candidatos são os indianos (75%), os colombianos (72%) e os peruanos (71%). Já os americanos (43%), japoneses (41%) e russos (29%) tendem a não considerar tanto os projetos para a área ambiental antes de escolher seus votos na urna.

A pesquisa “Earth Day 2020” contém resultados de dois levantamentos on-line; sendo o primeiro realizado entre os dias 16 e 19 de abril de 2020 com 28.000 entrevistados de 14 nações; e o segundo realizado entre 21 de fevereiro e 06 de março de 2020 com 20.000 entrevistados de 29 nações. A margem de erro para o Brasil é de 3,5 p.p. para a primeira parte do estudo (em 14 países) e de 3,1 p.p. para a segunda parte (em 29 países).

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