Alerta

Machismo e feminismo são debatidos em bate-papo em universidade

Evento teve como foco de análise casos ocorridos no BBB e foi conduzido por dois profissionais do Direito e dois de Psicologia, na Universidade Dom Bosco

Nelson Melo / O Estado

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h21
O tema machismo e feminismo atraiu a atenção em evento realizado na Universidade Dom Bosco
O tema machismo e feminismo atraiu a atenção em evento realizado na Universidade Dom Bosco (UNDB bate-papo)

Tendo como foco de análise casos que ocorreram no Big Brother Brasil (BBB), foi realizado, na noite de quinta-feira, 20, um bate-papo na Universidade de Ensino Superior Dom Bosco (UNDB), na capital maranhense, com o tema “Do BBB para vida real: machismo, masculinidade tóxica e feminismo”. Durante o evento, uma aluna da instituição, Suzane Macedo, atuou como mediadora. Pelo menos 100 pessoas, de vários cursos, participaram do momento, que teve o formato de um talk, que possibilita o estímulo do público para que apresentem suas indagações acerca do assunto abordado.

O evento, que foi gratuito e aberto ao público de outras instituições acadêmicas, começou por volta das 17h30. O auditório, em pouco tempo, ficou lotado. O bate-papo foi conduzido por dois profissionais do Direito, Tuanny Soeiro e João Carlos Moura; e dois da Psicologia, Gracielle Santana e Gilberto Costa. Este último era o convidado. A universitária Suzane Macedo, que está cursando o 6º período de Psicologia, com sua habilidade retórica, provocou o debate com a plateia.

O evento foi promovido pela UNDB a partir de casos que ocorreram no Big Brother Brasil (BBB). De acordo com a professora e psicóloga Regienne Peixoto, todas as discussões envolveram a temática do feminismo e machismo que ganharam destaque no reality show. “Essas situações causaram muita movimentação com relação aos telespectadores. As pessoas estão comentando muito esses comportamentos de grupos de homens e mulheres. Por isso, resolvemos trazer esse debate para o ambiente acadêmico”, pontuou a docente.

A professora da UNDB explicou que o evento se tornou importante para levar essa reflexão à sociedade, para que as pessoas pudessem compreender o verdadeiro sentido do feminismo, a fim de romper os preconceitos. “As pessoas precisam refletir sobre esses comportamentos de um ponto de vista menos julgador. O ideal seria mais crítico, porque, muitas vezes, isso desperta paixões. Quando se discute somente pelo que nós sentimos, a discussão perde um pouco de consistência”, declarou a psicóloga.

Por este motivo, a proposta do talk foi a de analisar o fenômeno do machismo e feminismo por uma perspectiva responsável, sem a interferência das influências de pensamentos equivocados ou emocionais sobre o tema. Nesse sentido, o público foi convidado a se posicionar acerca da compreensão.

Discussão inovadora

O bate-papo se desenvolveu por meio de uma ideia conhecida como “lugar de fala”, termo frequente em conversas entre militantes de movimentos feministas, negros ou LBGT, assim como em discussões que ocorrem no âmbito virtual. Desse modo, a mulher, como foi explicado pela professora Regienne Peixoto, precisa falar por si. De igual modo, isso também é cobrado dos homens, a fim de ser um contraponto ao silenciamento habitual na sociedade.

“É muito fácil a mulher falar de machismo quando ela está do lado oprimido, assim como é fácil para o homem falar do feminismo quando ele está do lado privilegiado. Então, a proposta é fazer com que a comunidade venha ao ambiente para discutir essas questões, para que se tornem popularizadas”, expressou a psicóloga. O formato do evento atraiu muitas pessoas, tanto que o auditório lotado impressionou os organizadores.

Durante o evento, as dúvidas das pessoas foram provocadas, com um objetivo positivo. O posicionamento crítico de cada profissional, em sua especialidade, contribuiu para a relevância do bate-papo.

Conhecimento é poder

Para quem participou do talk, a interação foi considerada fundamental para o entendimento do significado dos temas abordados no evento. Thayná Menezes, estudante do 3º período de Psicologia da UNDB, comentou que o grande desafio é o preconceito. A fim de tornar a realidade menos confusa, uma ferramenta eficiente para combater os julgamentos preliminares, na opinião dela, seria o conhecimento, que é adquirido pela leitura e experiência.

“É um assunto muito bombardeado no momento. Então, esse momento me ajuda a entender e defender os conhecimentos na sociedade. Conhecimento é poder. A discussão aumentou o que já sabia sobre o tema. Eu quero levar isso às pessoas que ainda não sabem o que significa o feminismo, por conta do preconceito”, observou a universitária.

Como se expressou Thayná Menezes, as pessoas acham que feminismo é algo de outro mundo ou uma ideia radical. Esse pensamento é resultado da ignorância ou convicções de quem interpreta. “Se eu fosse dar um conselho à sociedade, seria o seguinte: leiam e busquem o conhecimento. Nós temos essa mania de julgar as coisas sem conhecê-las de verdade. A leitura nos empodera. Isso vale para mulheres e homens. Os fenômenos precisam ser compreendidos. E precisamos entender por que é importante defendê-los”, frisou a jovem.

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