Cidades | Incêndios

Maranhão é o terceiro no ranking nacional de queimadas, com mais de 14 mil focos

Em setembro deste ano, o Maranhão ocupava a 5ª colocação no ranking; de janeiro até o 11 de novembro, foram registrados 14.601 focos de incêndios
Nelson Melo / O Estado13/11/2019
Maranhão é o terceiro  no ranking nacional  de queimadas, com  mais de 14 mil focosOperação Verde Brasil, do Exército, foi realizada na Amazônia Legal maranhense para combater queimadas (Divulgação)

O Maranhão está na terceira posição com relação a quantidade de focos de incêndios no Brasil, ficando atrás somente do Mato Grosso e Pará. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), este ano, de 1º de janeiro até o dia 11 de novembro, já foram registrados 14.601 focos de incêndios florestais no estado. Recentemente, o Exército encerrou a “Operação Verde Brasil”, que foi realizada para combater as queimadas e crimes ambientais na região da Amazônia Legal.

Com relação ao mesmo período do ano passado, houve um aumento de 29% nos focos de queimadas no Maranhão. Em 2018, foram registrados 11.322 situações. Desse modo, o estado, que até setembro, estava na quinta colocação do ranking nacional, passou para terceiro. O Mato Grosso lidera com 29.881 focos de queimadas. Em seguida, aparece o Pará, com 23.997, como mostra o novo boletim informativo do Inpe.

Ainda segundo o Inpe, órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), nos últimos cinco dias, foram registrados 655 focos de incêndios florestais no Maranhão. Na segunda-feira, 11, ocorreram 202 situações de queimadas no estado.

Nota do Governo
O Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA) informou que atua, desde agosto, na operação “Maranhão Sem Queimadas”. O trabalho objetiva controlar e combater os incêndios florestais, cujas causas, em sua maioria, são oriundas do uso de técnicas inadequadas de manejo do solo. “Para tanto, o CBM segue com operações em todo estado, atuando na identificação, monitoramento e combate aos focos de incêndio, em grandes áreas de vegetação, incluindo as de preservação ambiental”, diz a instituição.

Já a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) ressaltou que realiza, frequentemente, fiscalizações pontuais, acompanhada do Batalhão Polícia Ambiental (BPA), além do monitoramento e ações de Educação Ambiental, por meio do “Programa Fogo Zero” (incêndio zero), “Dia D Contra as Queimadas”, palestras, para a conscientização da população maranhense sobre queimadas.

Operação encerrada
Recentemente, o 24º Batalhão de Infantaria de Selva (24º BIS) encerrou a “Operação Verde Brasil”, que foi deflagrada no dia 24 de agosto deste ano, com o intuito de combater as queimadas e crimes ambientais na região da Amazônia Legal maranhense. Com o apoio de outros órgãos, como Polícia Federal (PF) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), os militares efetuaram 55 ações de combates a incêndios florestais e fecharam dois garimpos ilegais.

Segundo o capitão George, da Comunicação Social do 24º BIS, para as missões, foram capacitados 210 militares em ações de combate a queimadas, e as instruções foram realizadas pelo Corpo de Bombeiros Militar (CBMMA). Ademais, 21 militares do Exército da área de saúde receberam orientações sobre primeiros socorros relacionados às queimaduras. Efetivamente, as equipes saíram de São Luís, no quartel do Batalhão de Infantaria Leve, no dia 28 de agosto, em direção aos municípios maranhenses que seriam alvo da “Operação Verde Brasil”.

Patrulhas
Nesses dois meses de operação, foram realizadas 15 patrulhas terrestres, oito reconhecimentos aéreos, 12 Postos de Bloqueio e Controle de Estradas (PBCE), três Ações Cívico-Sociais (ACSo), 55 combates a focos de incêndios florestais e cinco ações de apoio logístico a agências. Além disso, as equipes fecharam cinco madeireiras e dois garimpos ilegais.

De acordo com o capitão, os militares apreenderam mais de 780 m3 de madeira extraída ilegalmente, 30m3 de carvão e 40kg de carne de animais silvestres. Duas pessoas foram detidas nessas incursões. “O apoio logístico contou com a participação 343 militares do 24° BIS, 3 da Força Aérea Brasileira (FAB) e 117 das demais agências. Além de 20 viaturas do 24° BIS; três aeronaves, sendo um do Exército, um da FAB e um da Polícia Militar do Maranhão, as quais empregaram um total de 37 horas de voo”, explicou George.

Desde o início da “Operação Verde Brasil”, foi montada uma Sala de Situação, localizada na sede da Defesa Civil, na região central de São Luís. O objetivo era monitorar os focos de incêndio no Maranhão, ainda mais nesse segundo semestre, quando o período da seca, de estiagem, é intensificado. Desse centro de comando, que era composto por integrantes do Exército e Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), as regiões do território maranhense foram estudadas para que as medidas de prevenção e combate às queimadas pudessem ser executadas pela força-tarefa.

SAIBA MAIS

Queimadas

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, além da ação humana, as queimadas também podem ser causadas pelo tempo seco nas regiões. Conforme o órgão, 80% do território nacional fica sem chuva nesta época do ano, o que propicia que o fogo se espalhe na vegetação. O Inpe diz que os efeitos desses incêndios são muitos, como a destruição da fauna e da flora, o empobrecimento do solo e a redução da penetração de água no subsolo.

Regionalmente, as queimadas causam poluição atmosférica e alteram ou destroem o ecossistema, modificam a composição química da atmosfera e até mesmo do clima no planeta.

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