Cidades | DIA DE FINADOS

Feriado de Finados é oportunidade de renda extra para comércio informal

Movimentação nos cemitérios no dia 2 de novembro mobiliza centenas de comerciantes para o entorno dos espaços; além da venda de flores, água mineral, entre outros produtos, serviços de limpeza e pintura de jazigos são oferecidos
MONALISA BENAVENUTO / O ESTADO31/10/2019

A dois dias do Feriado de Finados, 2 de novembro, a movimentação de vendedores ambulantes próximo aos cemitérios de maior concentração de visitantes em São Luís já é intensa. Coroas de flores, velas, terços, água mineral e outros são os principais produtos do mercado que se forma nesse dia em celebração aos mortos. No Cemitério do Gavião, serviços de limpeza e manutenção de sepulturas e jazigos também são negociados, principalmente por quem mora na região da Madre Deus. Atividades são fontes de renda extra para centenas de famílias durante o período.

O costume de homenagear e visitar os entes queridos a cada 2 de novembro gera movimentação nos diversos cemitérios da capital e aquece a economia local por meio da venda e consumo de produtos e serviços disponibilizados próximo aos espaços. No Cemitério do Gavião, o mais antigo da cidade, localizado na Madre Deus, região central de São Luís, dezenas de pessoas aproveitam o período para faturar e garantir uma renda extra para as despesas de casa, como contou a ambulante Marizeth Lima, que desde os 16 anos vende água mineral e suquinho durante o feriando e dias que o antecedem.

“Todo ano, há uns 16 anos, venho vender no cemitério. É um dinheiro que, mesmo sendo pou­co, ajuda em casa quando falta um açúcar, um óleo, por exemplo. Normalmente nessa época, os dias de mais venda são 1º e 2 de novembro, quando vem mais gente. As pessoas que costumam vir já me conhecem. Muitos já são meus clientes, incentivam meu trabalho, e consigo faturar uma média de R$100,00 nos dois dias”, contou a vendedora.

Além dos vendedores informais, o movimento de trabalhadores realizando limpeza dos jazigos já é grande, alguns, inclusive, oferecem os serviços há anos. Mas, apesar da oportunidade de faturamento, alguns comerciantes contam que, com o passar dos anos, muitas famílias abriram mão da visita aos entes, o que tem desfavorecido os negócios dos ambulantes. Para Cláudio dos Santos, desempregado a três anos, o serviço é um importante auxílio no fim do ano, mas, segundo ele, o lucro reduziu em cerca de 50% nos últimos anos.

“Antigamente, nesse período, o cemitério estava cheio, conseguia faturar até R$ 100,00 por dia, hoje, pra conseguir tirar R$ 50,00 a gente pena muito. Meu faturamento, nesta época, era de quase R$1 mil, mas nos últimos anos não passa de R$ 500,00”.

Mas nem sempre a limpeza e manutenção dos jazigos é terceirizada. Algumas famílias fazem questão de realizar os serviços e aproveitar o momento para homenagear os parentes que já faleceram. Assim faz, ano após ano, o aposentado Samuel Ferreira que, acompanhado pelo filho, esteve, ontem (30), no Cemitério do Gavião para renovar a pintura da sepultura de sua esposa, sogra e outros entes.

Segundo ele, que durante muitos anos trabalhou como pedreiro, além de manter a tradição da visita no período, cuidar da estrutura por conta própria é uma maneira de economizar e garantir que o serviço seja feito com qualidade.
“Todos os anos eu venho aqui, tanto para visitar quanto para cuidar da sepultura da minha família. No ano que não vim, contratei uma pessoa para pintar e não gostei do serviço, ficou muito mal feito e paguei R$ 50,00. Como trabalhei como pedreiro e pintor a vida toda, preferi continuar cuidando pessoalmente e hoje trouxe o meu filho para me ajudar e fazer companhia. É uma forma de manter vivo o costume de homenagear nossos mortos”, declarou.

SAIBA MAIS

Tradição por religião

Cristianismo protestante

Após a Reforma Protestante, a celebração do Dia de Finados foi fundida ao da Festa de Todos os Santos na Igreja Anglicana, ainda que tenha sido posteriormente desmembrada em certas igrejas coesas ao Movimento de Oxford no século XIX. A observância da comemoração foi restaurada, todavia, em 1980, por meio da publicação do livro litúrgico The Alternative Service Book, o qual define a data como “festividade menor” intitulada “Comemoração dos Fiéis Defuntos”.

Entre os protestantes históricos da Europa, a tradição foi mais tenazmente mantida. Mesmo a forte influência de Martinho Lutero não foi suficiente para abolir sua celebração na Saxônia durante sua vida e, apesar da sanção oficializada pela Igreja Luterana, sua memória sobrevive fortemente no costume popular.

Em 1816, a Prússia introduziu uma nova data para a lembrança dos mortos, com feriado, entre os cidadãos luteranos: era o Totensonntag, ou seja, Domingo dos Mortos, celebrado no último domingo antes do Advento. Este costume foi mais tarde adotado também pelos protestantes alemães, ainda que não se tenha espalhado muito além das regiões de maioria luterana na Alemanha.

Para a Igreja Metodista, são santos todos os fiéis batizados, de modo que, no Dia de Todos os Santos, a congregação local honra e recorda seus membros falecidos.

Espiritismo

Para os espíritas, visitar o túmulo é a exteriorização da lembrança que se tem do espírito querido, é uma forma de manifestar a saudade, o respeito e o carinho, pois segundo consta n’O Livro dos Espíritos, questão 320, a lembrança dedicada aos desencarnados os sensibiliza, conforme sua situação. Entretanto, nada há de solene comparando-se aos demais dias.

Desde que realizada com boa intenção, sem ser apenas um compromisso social ou protocolar, desde que não se prenda a manifestações de desespero, de cobranças, de acusações, como ocorre em muitas situações, a visitação ao túmulo não é condenável, como nada o é no Espiritismo, apenas é conduzida à compreensão de forma lógica e racional.

O espírito, ou alma, agora desencarnada, não se encontra no cemitério, e pode ser lembrada e homenageada através da prece em qualquer lugar. A prece proferida pelo coração, pelo sentimento, santifica a lembrança, e é sempre recebida com prazer e alegria pelo espírito desencarnado.

Leia mais notícias em OEstadoMA.com e siga nossas páginas no Facebook, no Twitter e no Instagram. Envie informações à Redação do Jornal de O Estado por WhatsApp pelo telefone (98) 99209 2564.

© 2019 - Todos os direitos reservados.
Tamanho da
Fonte