Comportamento

Consumo consciente deve ser incentivado desde a infância

Especialistas indicam que família e escola trabalhem o tema com as crianças; esse tipo de rotina as leva a valorizarem a natureza e o que ela oferece

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h23
O consumo consciente passa pelo encantamento, desde criança, com o não consumo
O consumo consciente passa pelo encantamento, desde criança, com o não consumo

Curitiba- Uma pesquisa publicada no fim de 2018 pelo Instituto Akatu aponta que 76% dos 1.090 entrevistados – homens e mulheres com mais de 16 anos – não praticam o consumo consciente. Além das vantagens para a sociedade, a prática também gera economia para o bolso, especialmente ao evitar comprar desenfreadamente e reduzir o desperdício de água, luz e alimentos.

O doutor em Educação, pós-doutor no departamento de Psicologia Social da Universidade de São Paulo (USP) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, Marcos Sorrentino afirma que o consumo consciente passa pelo encantamento, desde criança, com o não consumo. “Brincar sozinho e em jogos colaborativos, observar a natureza, da textura do tronco das árvores e formas das suas folhas, observar as formigas e outros animais, tudo isso tira o valor do consumo por si só e mostra outras possibilidades de ação no dia a dia. Essa consciência passa pelo diálogo com os pais, com a natureza e consigo próprio, por meio do silêncio, da meditação, do contato com a natureza. Atividades que distanciam do consumir, consumir e consumir”, expõe. Esse tipo de rotina, além de dar outro peso ao consumismo, leva as crianças a valorizarem a natureza e o que ela oferece.

Altemir Farinhas, especialista em finanças pessoais e consultor da Conquista Solução Educacional, reforça que a criança segue os exemplos dos pais. “Se um pai está gastando exageradamente, a criança vai pedir coisas e insistir até conseguir porque ela entende que se seus pais podem gastar à vontade, elas também podem comprar o que desejam”, explica Farinhas. Segundo ele, a conversa sobre consumo deve ser clara: quanto os pais ganham e quanto gastam, quais despesas a família tem, qual o valor do que é consumido em casa, quais etapas cada alimento sofre para que chegue à mesa, etc.

Farinhas salienta que é importante se colocar no lugar da criança, não querer simplesmente impor o mundo adulto para ela. “É preciso usar exemplos que elas entendam para garantir que a mensagem foi compreendida e assimilada”, explica.

Na escola, o tema pode ser abordado em praticamente qualquer componente curricular. Segundo Farinhas, seja em Matemática, Ciências ou Geografia, por exemplo, é sempre possível transmitir para o aluno a necessidade de refletir sobre aquilo que se consome. “Pode ser falando sobre o processo de produção agrícola em uma aula de Ciências, ou sobre a ausência de certo produto em um determinado país, na aula de Geografia, ou, em Matemática, o cálculo da quantidade de impostos sobre a caneta que o aluno está usando na aula. Qualquer assunto pode ser gancho para criar a consciência de consumo dentro e fora de aula”, exemplifica.

O Instituto Akatu indica 12 princípios para o consumo consciente:

1. Planeje suas compras
Não seja impulsivo nas compras. A impulsividade é inimiga do consumo consciente. Planeje antecipadamente e, com isso, compre menos e melhor.

2. Avalie os impactos de seu consumo
Leve em consideração o meio ambiente e a sociedade em suas escolhas de consumo.

3. Consuma apenas o necessário
Reflita sobre suas reais necessidades e procure viver com menos.

4. Reutilize produtos e embalagens
Não compre outra vez o que você pode consertar, transformar e reutilizar.

5. Separe seu lixo
Recicle e contribua para a economia de recursos naturais, a redução da degradação ambiental e a geração de empregos.

6. Use crédito conscientemente
Pense bem se o que você vai comprar a crédito não pode esperar e esteja certo de que poderá pagar as prestações.

7. Conheça e valorize as práticas de responsabilidade social das empresas
Em suas escolhas de consumo, não olhe apenas preço e qualidade do produto. Valorize as empresas em função de sua responsabilidade para com os funcionários, a sociedade e o meio ambiente.

8. Não compre produtos piratas ou contrabandeados
Compre sempre do comércio legalizado e, dessa forma, contribua para gerar empregos estáveis e para combater o crime organizado e a violência.

9. Contribua para a melhoria de produtos e serviços
Adote uma postura ativa. Envie às empresas sugestões e críticas construtivas sobre seus produtos e serviços.

10. Divulgue o consumo consciente
Sensibilize outros consumidores e dissemine informações, valores e práticas do consumo consciente. Monte grupos para mobilizar seus familiares, amigos e pessoas mais próximas.

11. Cobre dos políticos
Exija de partidos, candidatos e governantes propostas e ações que viabilizem e aprofundem a prática de consumo consciente.

12. Reflita sobre seus valores
Avalie constantemente os princípios que guiam suas escolhas e seus hábitos de consumo.

Adolescentes são um público visado por muitas marcas
Adolescentes são um público visado por muitas marcas

Consumismo na adolescência

Os adolescentes são um público muito visado por certas marcas, essa parcela do mercado consumidor é uma fonte de dinheiro para diversas companhias. Os veículos de comunicação usam a principal característica do adolescente (se sentir aceito) para explorarem a vontade de consumo na adolescência. É necessário que os pais não cedam ás vontades de consumo dos filhos.

O consumo na adolescência é algo que deve ser analisado, pois pode se tornar um problema para a família. Muitos adolescentes acham que para se auto afirmarem precisam da roupa da marca X, do celular Y e, normalmente, essas marcas são mais caras do que de lojas de departamento. Muitos pais acabam gastando mais do que podem apenas para satisfazerem os prazeres dos filhos.
O maior problema de satisfazer a vontade do adolescente é de que esse prazer é momentâneo, em alguns dias algo novo será lançado e esse adolescente vai querer consumir de novo. Um dos maiores incentivadores do consumismo adolescente são os meios de comunicação. Eles ditam tendências e os adolescentes querem segui-las.

Outro fator que potencializa o consumismo é o fetichismo da mercadoria. Os produtos deixaram de ser apenas algo par se usar e passaram a ser adorados, você não precisa ter 10 bolsas, 50 pares de sapato, 30 vestidos, mas você quer ter. O fetichismo da mercadoria é um dos motivos do consumismo exacerbado da nossa sociedade.

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