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Combate ao Aedes aegypti é foco de ações contumazes em São Luís

Mais de 800 casos de arboviroses foram registrados na capital somente neste ano; para combater a proliferação do mosquito Aedes aegypti, o Programa de Combate à Dengue mantém rotina de atividades pela cidade
MONALISA BENAVENUTO / O ESTADO26/09/2019
Combate ao Aedes aegypti é foco de ações contumazes em São LuísAcúmulo de água, suja ou limpa, é facilitador da proliferação de mosquitos (Biné Morais / O ESTADO)

O aumento do número de casos de dengue, chikungunya e zika é preocupante em todo o Brasil. No Maranhão, cinco óbitos por dengue já foram confirmados, outros nove seguem sob investigação. Em São Luís, mais de 800 casos de arboviroses foram registrados só neste ano, o que alarmou a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) a implantar estratégias de controle para evitar que o número de vítimas do mosquito Aedes aegypti cresça ainda mais. Visitas a residências, nebulização com carros fumacê em bairros, além de ações de conscientização oferecidos à população em escolas, associações de moradores e outros espaços públicos da cidade vêm sendo realizadas periodicamente na capital.

Conforme o monitoramento dos casos de arboviroses urbanas transmitidos pelo Aedes aegypti, disponibilizado no Boletim Epidemiológico nº 22, do MS, 5.048 casos de dengue haviam sido registrados até 24 de agosto deste ano, no Maranhão, 3.193 a mais que no mesmo período de 2018. Desse total, 16% é referente à capital, onde 851 casos foram confirmados.

Para combater a proliferação do mosquito transmissor das arboviroses e proteger a população de novos casos, a Semus, por meio do Programa de Combate à dengue, mantém uma rotina de ações visando o controle epidemiológico, diagnóstico e tratamento de casos, além de ações de educação e saúde, para envolver a população e provocar mudança de hábitos.

De acordo com a Semus, as principais ações realizadas são visitas domiciliares periódicas em 100% dos imóveis da cidade; visitas quinzenais em pontos estratégicos como borracharias e cemitérios, para detectar focos e criadouros de mosquito; nebulização espacial nos bairros, com carro fumacê; palestras em escolas, creches, igrejas, associações de moradores e outros espaços públicos; recolhimento de bagulhos volumosos e pneus em borracharias e capacitação dos profissionais de saúde.

A Semus ressaltou que o trabalho continua sendo realizado normalmente em todos os imóveis abertos e com a permissão dos proprietários em imóveis fechados. Nesta última modalidade, caso o responsável não seja localizado, há novas tentativas de visitação, mas, se ainda assim não houver possibilidades, não há como realizar o trabalho. Por isso, além das ações realizadas pelo poder público, a participação da população é imprescindível para o combate ao Aedes, seja impedindo o desenvolvimento das larvas do mosquito em casa e na comunidade ou permitindo o trabalho dos agentes.

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que, de 30 de dezembro de 2018 a 14 de setembro deste ano, 5.290 casos de dengue foram registrados pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) no Maranhão. Também foram notificados 716 casos de chikungunya e 289 de zika vírus. Em 2018 (de 1° de janeiro a 29 de dezembro), foram 2.189 casos de dengue, 717 de chikungunya e 211 de zika.

Por fim, a secretaria acrescentou que mantém apoio contínuo aos municípios nas ações de mobilização social e combate vetorial, por meio do serviço de monitoramento e assessoria técnica com acompanhamento das operações de campo, controle vetorial com aplicação UBV, monitoramento e vigilância dos casos.

Números

5.290 casos de dengue foram registrados, neste ano, no Maranhão

851 casos de dengue foram registrados em São Luís

5 óbitos relacionados à doença foram confirmados no estado

SAIBA MAIS

Transmissão da dengue

A dengue é transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. Após picar uma pessoa infectada com um dos quatro sorotipos do vírus, a fêmea pode transmitir o vírus para outras pessoas. Há registro de transmissão por transfusão sanguínea.

Não há transmissão da mulher grávida para o feto, mas a infecção por dengue pode levar a mãe a abortar ou ter um parto prematuro, além da gestante estar mais exposta para desenvolver o quadro grave da doença, que pode levar à morte. Por isso, é importante combater o mosquito da dengue, fazendo limpeza adequada e não deixando água parada em pneus, vasos de plantas, garrafas, pneus ou outros recipientes que possam servir de reprodução do mosquito Aedes Aegypti.

Em populações vulneráveis, como crianças e idosos com mais de 65 anos, o vírus da dengue pode interagir com doenças pré-existentes e levar ao quadro grave ou gerar maiores complicações nas condições clínicas de saúde da pessoa.

Como prevenir a dengue?

A melhor forma de prevenção da dengue é evitar a proliferação do mosquito Aedes Aegypti, eliminando água armazenada que podem se tornar possíveis criadouros, como em vasos de plantas, lagões de água, pneus, garrafas plásticas, piscinas sem uso e sem manutenção, e até mesmo em recipientes pequenos, como tampas de garrafas.

Roupas que minimizem a exposição da pele durante o dia – quando os mosquitos são mais ativos – proporcionam alguma proteção às picadas e podem ser uma das medidas adotadas, principalmente durante surtos. Repelentes e inseticidas também podem ser usados, seguindo as instruções do rótulo. Mosquiteiros proporcionam boa proteção para aqueles que dormem durante o dia, como bebês, pessoas acamadas e trabalhadores noturnos.

No momento, só existe uma vacina contra dengue registrada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que está disponível na rede privada. Ela é usada em 3 doses no intervalo de 1 ano e só deve ser aplicada, segundo o fabricante, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Anvisa, em pessoas que já tiveram pelo menos uma infecção por dengue. Esta vacina não está disponível no Serviço Único de Saúde (SUS), mas o Ministério da Saúde acompanha os estudos de outras vacinas.

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