Conscientização

Projeto em escolas alerta para bullying e violência contra mulher

Projeto existe há 8 anos; alunos e alunas recebem palestras e outras atividades sobre bullying; um dos temas que será tratado na edição deste ano é a violência contra a mulher

Nelson Melo / O Estado

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h23

[e-s001]“Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos”. A frase, atribuída ao filósofo e matemático Pitágoras de Samos, poderia ser um lema na atualidade nesse contexto de violência desenfreada no Brasil. Pensando nisso, o guarda municipal e pedagogo Antonio Bergson de Sousa Rios Júnior desenvolve um projeto nas escolas municipais de São Luís. O foco é trabalhar cinco eixos temáticos com as crianças e adolescentes, incluindo bullying e a violência contra a mulher.
A abertura do projeto, que enfatiza a violência escolar, ocorreu na tarde dessa quinta-feira, 12, na Unidade de Ensino Básico (UEB) Governador Jackson Kepler Lago, na Cidade Operária, na capital maranhense. De acordo com o idealizador da iniciativa, as ações acontecem há oito anos, e ocorrem somente nas escolas municipais. Os eixos trabalhados são bullying, depredação do patrimônio público, drogas, indisciplina e violência contra a mulher.
Especialista em Coordenação Pedagógica, Antonio Bergson esclareceu que o projeto é dividido em 12 etapas. “A gente desenvolve o projeto há 8 anos, sempre em escolas do município. Lá na UEB Jackson Lago, como são 11 turmas, a gente vai trabalhar durante 4 meses. Iremos trabalhar os cinco eixos temáticos diariamente. Cada eixo será trabalhado de forma diferente. Nos cinco eixos, serão feitas várias palestras”, frisou o pedagogo.
Bergson deixou claro que, além de palestras, também serão exibidos filmes aos alunos e alunas. Uma caminhada será realizada dentro da temática e, ao final do projeto na escola, uma cartilha será produzida. “Antes do encerramento, a gente vai fazer uma cartilha, uma cartilha da paz, como se fosse um contrato social no qual os próprios estudantes falarão o que pode e não pode fazer dentro do ambiente escolar, para terem uma convivência saudável uns com os outros”, explicou o guarda municipal.
Cabe ressaltar que essa cartilha será produzida pelos alunos e alunas, mas será confeccionada pelos membros do projeto. “Eles é que vão dar as diretrizes para terem uma escola de paz. Ano passado, a gente aplicou na escola Severiano de Sousa, na área Itaqui-Bacanga”, completou o pedagogo.

[e-s001]Edição deste ano
A novidade da edição deste ano do projeto é a inclusão de mais um eixo, que é o da violência contra a mulher, que é um tema muito debatido na imprensa, nas universidades, nas rodas de conversas, em virtude das estatísticas elevadas com relação ao feminicídio. “É um assunto que deve ser levado à escola, para que esse tipo de conduta repugnante não mais ocorra”, ressaltou Antonio Bergson.

SAIBA MAIS

O projeto

Segundo ele, o projeto acontece, geralmente, duas vezes por ano. Isso significa que duas escolas são beneficiadas pelas atividades. O guarda municipal disse que está articulando para que os estabelecimentos de ensino estaduais também recebam as ações pedagógicas. “Nesse primeiro semestre, a gente teve um problema e não pudemos aplicar. A gente está fazendo agora, nesse segundo semestre. Diretamente, quatro pessoas participam do projeto. Indiretamente, a Ronda Escolar do Município dá um suporte”, destacou Bergson. “Nosso trabalho é pedagógico, mas com um olhar de segurança. Por enquanto, somente as escolas municipais estão sendo beneficiadas, mas, futuramente, se der tudo certo, a gente vai abranger as do estado, também”, pontuou o idealizador do projeto. A abertura da edição deste ano ocorreu por volta das 16h, na UEB Jackson Lago. O evento contou com a presença de representantes da Secretaria Municipal de Segurança com Cidadania (Semusc) e da Secretaria Municipal de Educação (Semed).

O bullying

Bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. O termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. Mesmo sem uma denominação em português, é entendido como ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maus-tratos.
O bullying pode ocorrer em qualquer contexto social, como escolas, universidades, famílias, vizinhança e locais de trabalho. O que, à primeira vista, pode parecer um simples apelido inofensivo, pode afetar emocional e fisicamente o alvo da ofensa. Além de um possível isolamento ou queda do rendimento escolar, crianças e adolescentes que passam por humilhações racistas, difamatórias ou separatistas podem apresentar doenças psicossomáticas e sofrer de algum tipo de trauma que influencie traços da personalidade.

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