Estatísticas

Dengue já matou cinco pessoas e tem mais de 5 mil casos no estado

Outros nove óbitos ainda estão sob investigação no Maranhão; principal forma de prevenção é o combate aos mosquitos, eliminando os criadouros

Nelson Melo / O Estado

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h23

As estatísticas referentes à incidência de dengue no Maranhão continuam preocupando. Neste ano, já foram registrados 5.048 casos no estado, o que representa um aumento de 170,1% com relação ao mesmo período de 2018, que teve 1.869 casos. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, cinco pessoas morreram no território maranhen­se do dia 30 de dezembro do ano passado até o dia 24 de agosto deste ano. A população precisa colaborar e não deixar garrafas e recipientes em áreas descobertas, pois podem acumular água da chuva.

O Maranhão tem uma incidência de 313 casos de dengue por 100 mil habitantes neste ano, conforme dados do Ministério da Saúde. No mesmo período de 2018, essa incidência foi de 98,5. Em 2019, o estado já teve 121 casos de dengue com sinais de alarme (DSA) e 31 de dengue grave. Ademais, houve 5 mortes de pessoas que contraíram a doença, sendo 9 óbitos sob investigação. Ou seja, o número de óbitos pode aumentar, caso sejam confirmados esses sob suspeita.

No mesmo período de 2018, ocorreram 28 casos de DSA e cinco de dengue grave. Além disso, foram dois óbitos confirmados e seis que ficaram sob investigação. Ou seja, houve aumento em todos os aspectos quando os dados do ano passado são comparados com os deste ano, mas dentro do período de 30 de dezembro de 2018 a 28 de agosto de 2019.

Último no Nordeste
Apesar do aumento de óbitos, o Maranhão ocupa a última colocação dentre os estados do Nordeste com relação à incidência de casos de dengue. A Bahia lidera o ranking deste ano, com 58.956 casos. Na sequência, aparecem Pernambuco, com 31.056; Rio Grande do Norte, com 24.635; Alagoas, com 17.486; Ceará, com 14.763; Paraíba, com 13.959; Piauí, com 6.720, e Sergipe, com 5.054.

No Brasil, já foram contabilizados 1.439.471 casos prováveis neste ano, sendo que o mesmo período de 2018 fechou com 205.791 casos de dengue. O grupo da faixa etária dos 60 anos é o mais atingido pela doença de forma letal, correspondendo a 29,6% do total de óbitos do país, com destaque para os maiores de 80 anos.

São Luís
A alta incidência de dengue também é reflexo da conduta das pessoas, que precisam tomar alguns cuidados. É comum que os próprios moradores joguem lixo nas ruas, o que torna o local repleto de garrafas e recipientes abertos, que podem acumular água da chuva, possibilitando que o Aedes aegypti prolifere. É um hábito, também, jogar fora pneus velhos, que podem servir como criatório para o mosquito.

No bairro Areinha, em São Luís, O Estado flagrou verdadeiros “lixeiros” entre ruas. Nesses locais, há vários pneus velhos e garrafas. Moradores relataram que prováveis mosquitos da espécie Aedes são vistos nos quintais das residências. Por isso que é importante que entulho e lixo devem ser descartados corretamente. Guarde os pneus em local coberto ou faça furos para não acumular água. Já as garrafas devem ser embaladas e descartadas corretamente na lixeira, em local coberto ou de boca para baixo.

Chikungunya e zika
Conforme o Ministério da Saúde, já foram registrados 110.627 ca­sos prováveis de chikungunya no Brasil em 2019. No mesmo período de 2018, ocorreram 76.742 casos. No Maranhão, ocorreram 707 casos prováveis, o que representa uma variação percentual de 19,4% com relação ao mesmo período do ano passado, que encerrou com 592 casos. Por conta da doença, já morreram 57 pessoas no país. No Maranhão, apenas uma pessoa faleceu.

No que tange à Zika, foram registrados 9.813 casos prováveis em 2019. No mesmo período de 2018, ocorreram 6.669 casos. No Maranhão, 245 casos já aconteceram. Em 2018, foram 114. A variação foi de 114,9%. Apenas duas pessoas morreram em decorrência da doença neste ano no país. Esses dois óbitos aconteceram na Paraíba. A Seceretaria de Estado da Saúde (SES) afirma que realiza ações educativas e de mobilização social em apoio aos municípios, sendo estes os responsáveis pelas atividades de prevenção em suas cidades e capacitação de rotina dos técnicos municipais. l

SAIBA MAIS

SOBRE A DENGUE

Causa: A dengue é causada por um arbovírus (vírus transmitidos por artrópodes) que se apresenta em quatro tipos diferentes: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. Atualmente, os quatro sorotipos circulam no Brasil. intercalando-se com a ocorrência de epidemias, geralmente associadas com a introdução de novos sorotipos em áreas anteriormente não atingidas ou alteração do sorotipo predominante.

Transmissão: O vírus é transmitido pela picada de mosquitos da espécie Aedes, que também são responsáveis pela transmissão da chikungunya, febre amarela e Zika.

Sintomas: A dengue pode ter diferentes apresentações clínicas e de prognóstico imprevisível. Os primeiros sintomas aparecem de quatro a 10 dias depois da picada do mosquito infectado. A doença começa bruscamente e se assemelha a uma síndrome gripal grave caracterizado por febre elevada, fortes dores de cabeça e nos olhos, além de dores musculares e nas articulações.
Durante a evolução da doença, destacam-se três fases: febril, crítica e de recuperação. Na fase crítica da dengue (entre o terceiro e o sexto dia após o início dos sintomas), podem surgir manifestações clínicas (sinais de alarme) correspondentes a uma complicação da doença potencialmente letal chamada dengue grave (conhecida anteriormente como dengue hemorrágica), que aparecem devido ao aumento da permeabilidade vascular e da perda de plasma, o que pode levar ao choque irreversível e à morte.
Os sinais clínicos de alarme da dengue grave são: dor abdominal intensa e contínua; vômitos persistentes; hipotensão postural e/ou lipotimia (tonturas, decaimento, desmaios); hepatomegalia dolorosa (aumento de tamanho do fígado); sangramento na gengiva e no nariz ou hemorragias importantes (vômitos com sangue e/ou fezes com sangue de cor escura); sonolência e/ou irritabilidade; diminuição da diurese (diminuição do volume urinado); diminuição repentina da temperatura do corpo (hipotermia); e desconforto respiratório.
Uma infecção curada de dengue confere ao paciente imunidade contra o tipo de vírus responsável. Por existirem quatro tipos diferentes de vírus, para estar totalmente imunizado, é necessário ter tido contato com todos eles. Caso contrário, a cada contágio com um novo tipo de vírus, os sintomas são mais intensos e o risco de desenvolver a dengue grave é mais alto.

Diagnóstico: O diagnóstico da dengue é feito comumente mediante sorologia para determinar a presença de anticorpos contra o vírus no sangue, mas não determina especificamente qual tipo de vírus é responsável pela infecção. Métodos de biologia molecular mais elaborados podem ser utilizados para detectar as proteínas do vírus.

Prevenção: Desde o fim de 2015, a primeira vacina contra dengue foi registrada em diferentes países para ser usada em indivíduos de 9 a 45 anos vivendo em áreas endêmicas ou de risco. A OMS recomenda que os países considerem a introdução da vacina contra dengue apenas em zonas geográficas onde os dados epidemiológicos indicam um alto índice da doença. Outras vacinas com diferentes tipos do vírus se encontram em período de desenvolvimento.
De modo geral as vacinas têm mostrado uma efetividade muito variável (entre 50% e 80%), dependendo do tipo de vírus que causa a infeção, do tipo de indivíduos vacinados e do local onde tem sido implementada. Igualmente, o tempo de duração da proteção está sendo estudado. Atualmente, a principal forma de prevenção é o combate aos mosquitos – eliminando os criadouros de forma coletiva com participação comunitária – e o estímulo à estruturação de políticas públicas efetivas para o saneamento básico e o uso racional de inseticidas.

Cuidados: não deixe água parada, destruindo os locais onde o mosquito nasce e se desenvolve; deixe sempre bem tampados e lave com bucha e sabão as paredes internas de caixas d'água, poços, cacimbas, tambores de água ou tonéis, cisternas, jarras e filtros; entregue pneus velhos ao serviço de limpeza urbana, caso precise mantê-los, guarde em local coberto; mantenha sempre limpo: lagos, cascatas e espelhos d'água decorativos. crie peixes nesses locais, eles se alimentam das larvas dos mosquitos; mantenha o quintal limpo, recolhendo o lixo e detritos em volta das casas, limpando os latões e mantendo as lixeiras tampadas. Não jogue lixo em terrenos baldios, construções e praças. Chame a limpeza urbana quando necessário; sempre que for trocar o garrafão de água mineral, lave bem o suporte no qual a água fica acumulada; permita sempre o acesso do agente de controle de zoonoses em sua residência ou estabelecimento comercial.

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