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Número de mortes no trânsito na Grande Ilha se mantém alto

Somente este ano, 55 pessoas perderam a vida em decorrência de acidentes de trânsito, uma média de seis casos por mês; durante os primeiros 10 meses do ano passado, o registro foi de 69 óbitos na região metropolitana
Ismael Araújo / O Estado10/09/2019
Número de mortes no trânsito na Grande Ilha se mantém altoAcidente no Jaracati culminou na morte de quatro pessoas (Divulgação)

O número de mortes no trânsito na Região Metropolitana de São Luís continua alto. Ao todo, 55 pessoas já perderam a vida em acidentes desta natureza durante este ano, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP). A média é de seis mortes por mês. De janeiro a outubro do ano passado, o registro foi de 69 óbitos na Ilha.

Os moradores do Jaracati, ain­da ontem, estavam fortemente abalados com o acidente ocorrido na madrugada do último domingo naquele bairro, que culminou na morte da auxiliar penitenciária Carla Correa Diniz, de 40 anos; Henrique Martins Durans Neto, de 37 anos; Maurício Andrey Landivar Soares, de 25 anos; e Tiana Naid Alves Correa, de 32 anos. Ficaram feridos, ain­da, Petrolina Pereira, de 41 anos; Dione Lopes Machado, de 28 anos; Giuliana Tereza Tribuzzi Neves, de 25 anos; Temar Diniz, de 40 anos; e Sami Tavares, de 24 anos.

“Eu não estou morto porque tinha entrado em minha casa pou­cos minutos antes de acontecer a tragédia”, desabafou Haster Loubeth Correa, de 25 anos. Ele informou que as suas duas primas, Carla e Tiana Correa, morreram no acidente e a sua mãe ficou ferida. “Não foi fácil olhar meus parentes no chão, ensanguentados. Até o momento, eu estou sem chão”, declarou.

Os corpos de Tiana e Carla Correa foram velados ontem, em uma igreja evangélica, no bairro Liber­dade, e o sepultamento ocorreu no período da tarde, em um cemitério na capital. O enterro de Luís Henrique aconteceu na ma­nhã de ontem, no Parque da Saudade. Sobre a quarta vítima, a família não informou o local do ve­lório e o enterro.

Pânico
Pedro Cavalcante Neto, de 54 anos, disse que os moradores viveram momento de pânico durante a madrugada de domingo, 8, quando um veículo Corolla desceu a ribanceira, descontrolado, quebrou duas árvores, em segui­da passou por cima do grupo de pessoas, que estava participando de uma festa de aniversário, bateu em duas motocicletas e ainda danificou a frente de várias residências. “O acidente deixou um estrago grande, e os meus vizinhos acabaram morrendo”, disse o morador.

Ele ainda declarou que a sua residência teve a encanação de água e a parede da frente danificada. Houve casos de portões e a instalação elétrica de outras residências de vizinhos danificados. “Não sei como o carro não invadiu a casa da vizinha”, comentou o morador.

Mayara Lima, de 30 anos, frisou que somente ontem teve condições de limpar o estrago deixado pelo acidente. Havia restos de peças de carro quebradas, mo­tos destruídas e uma carroça cheia de entulhos no meio da rua.

A moradora também disse que nesse trecho da Avenida Carlos Cunha é frequente a ocorrência de acidentes de trânsito, inclusive com atropelamentos. “Há menos de um mês, uma motocicleta desceu a ribanceira, mas nenhum morador ficou ferido”, informou Mayara Lima.

Prisão
A polícia informou que o acidente foi ocasionado pelo condutor do Corolla, identificado como Victor Yan Barros de Araújo, de 25 anos, que sofreu apenas escoriações. Ain­da segundo a polícia, o detido apresentava sinais de embriaguez e foi apresentado no Plantão da Polícia Civil das Cajazeiras, onde foram tomadas as devidas providências.

O caso vai ser investigado pela Delegacia de Acidentes de Trânsito (DAT). No decorrer desta semana, testemunhas e o condutor do veículo devem ser ouvidos mais uma vez na delegacia. A polícia tem prazo de um mês para enviar o inquérito para o Poder Judiciário.

Pai e filho atropelados
Também na Avenida Carlos Cunha, no Jaracati, no dia 17 de março des­te ano, foram atropelados Wundeson Alves Pereira e o seu filho, Wdysson Ruan Silva Pereira, de 1 ano, segundo a polícia, por um veículo vermelho. As vítimas foram levadas para o hospital e, no dia 20, a criança faleceu.

A polícia ainda informou que a mãe da criança, de nome não revelado, observou todo o aciden­te. Ela declarou que Wundeson Alves estava com o filho no braço e, ao tentar atravessar a avenida, acabou atropelado por um veículo vermelho, de marca e placas não identificadas. O condutor do carro não prestou socorro às vítimas.

Mais casos
Somente no primeiro semestre deste ano, ocorreram 35 mortes no trânsito na Grande Ilha. No mesmo período do ano passado, ocorreram 47 óbitos e 50 em 2017. Somente no mês passado, a polícia registrou oito óbitos no trânsito, enquanto, no primeiro mês deste ano o registro foi de 12 mortes.

O primeiro caso de acidente com morte neste mês ocorreu no último dia 5, na MA-203, conhecida como Estrada da Raposa, envolvendo uma motocicleta Honda vermelha e um veículo de passeio. O motociclista Antônio Ivaldo Pereira Gonçalves veio a falecer e o garupa, Gildo Silva, ficou ferido e foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Araçagi.

SAIBA MAIS

Vítimas de casos de acidente de trânsito ocorridos durante este mês, na Grande Ilha

Antônio Ivaldo Pereira Gonçalves, de 43 anos
Maurício Andrey Landivar Soares, de 25 anos
Henrique Martins Durans Neto, de 37 anos
Carla Correa Diniz, de 40 anos
Tiana Naid Alves Correa, de 32 anos

LEI

Acidentes de trânsito são, na maioria dos casos, considerados homicídios culposos (quando envolvem mais de um veículo). Esse crime está previsto no artigo 121, p. 2-4 do Código Penal Brasileiro (CPB). Conforme o CPB, o homicídio culposo é quando uma pessoa mata outra sem a intenção, quando a culpa é inconsciente. As causas do homicídio culposo são norteadas pela negligência, imprudência ou imperícia. O réu pode ser condenado entre 1 a 3 anos de prisão. Caso o acusado não seja reincidente, o regime pode ser aberto, conforme prevê o artigo 33 do Código Penal.

NÚMEROS

55 pessoas já perderam a vida em acidentes de trânsito registrados este ano, na Ilha
69 óbitos em acidentes de trânsito ocorridos de janeiro a outubro do ano passado
8 mortes no trânsito no mês passado, na Região Metropolitana de São Luís

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