Cidades | ASSALTO A COLETIVOS

2018 tem segundo maior número de assaltos a coletivos em oito anos

Quantidade de assaltos a ônibus na Ilha ultrapassou 600 durante todo o ano; aumento foi mais de 150% maior que em 2012, quando houve o menor número de ocorrências; usuários de coletivos dizem se sentir desprotegidos
Igor Linhares / O Estado07/02/2019
Número de assaltos a ônibus superou 600 no ano passado

O número de assaltos a ônibus na Grande São Luís, relativo a 2018, de acordo com dados divulgados pelo Centro de Apoio Operacional Criminal (CAOp-Crim), órgão do Ministério Público do Maranhão (MPMA), apresentou acréscimo de 36,03% em relação ao ano de 2017. No total, foram 672 ocorrências, o que deixa, cada vez mais, motoristas, cobradores e passageiros inseguros durante a viagem. Os meses de abril e novembro foram os que mais registraram ocorrências, 80 e 108, respectivamente. O ano de 2018 também foi o segundo com o maior número de registros desde 2010. Os dados divulgados pelo CAOp-Crim são fornecidos mensalmente pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de São Luís (SET).

Comparando a série histórica 2010-2018, os números do ano passado são superados apenas pelos 705 assaltos que ocorreram em 2015, ponto máximo da referida série histórica, representando um decréscimo de 4,68%. Em comparação ao ano de 2012, quando se registrou os menores índices de assaltos, 260 registros, o ano de 2018 apresentou um acréscimo de 158,46%, como constatou o CAOP-Crim. Diante das estatísticas, o que não falta é preocupação para a população e para os próprios funcionários que fazem as linhas circularem na Ilha.

De acordo com o aposentado Ivo Bottentuit, de 81 anos, é sempre uma preocupação ter de se locomover por meio do transporte coletivo, à medida que a segurança pública, no ponto de vista dele, ainda é muito falha. “Nós precisamos de mais segurança, para que possamos fazer uma viagem tranquila, sem o receio de ser assaltado. A situação é tão complicada que os assaltos têm acontecido também nas paradas, sinal de que o governo não está fazendo o policiamento, como deveria”, destacou o idoso, que é morador do Ipase – área da cidade em que é registrado grande número de assaltos a ônibus.

Assim como Bottentuit, o também aposentado Domingos dos Santos, de 80 anos, teme assaltos em coletivos. “Conheço pessoas que foram assaltadas, que tiveram celular, dinheiro e outras coisas roubadas. Então, é sempre muito preocupante, porque a gente não sabe o que pode acontecer. Eu sei que não pode ter polícia dentro do ônibus, mas, se tivesse na rua, fazendo a segurança da população, prendendo bandido, com certeza o número de assaltos seria bem menor”, declarou. “A gente já tem pouco, e ainda vem um bandido para roubar”.

Já para os profissionais, a única saída é conviver com o conflito e adotar algumas táticas, quando o perigo é iminente. “O trabalho da gente é de muita exposição, e proteção que a gente tem é muita pouca, porque a segurança não é o suficiente para a gente trabalhar, e o passageiro se locomover, com tranquilidade. Vez ou outra a gente sabe que aconteceu com colegas, o que faz com que a gente fique com medo e mais atento para evitar que ocorra”, contou a cobradora Joana de Jesus.

Medidas preventivas
O Estado
manteve contato com o Governo do Maranhão para saber como tem sido o trabalho da Polícia Militar para evitar o crescimento do número de assaltos. Por meio de nota a Secretaria de Segurança Pública (SSP-MA) informou que vem realizando permanentemente atividades preventivas para evitar ações deste tipo. A Polícia Militar do Maranhão (PMMA) desenvolve permanentemente abordagens a coletivos e transeuntes, na “Operação Busca Implacável”, que tem caráter contínuo na região metropolitana, com envolvimento de diversos batalhões. A Polícia Militar conta, também, com grupos especializados no combate a assaltos a coletivos, como, por exemplo, o Batalhão Tiradentes, que é um dos que realiza trabalho direcionado visando coibir esta modalidade de crime. A PM desenvolve, ainda, a “Operação Malha Metropolitana”, que efetua barreiras em toda a região metropolitana da cidade, em horários pré-definidos. O policiamento ainda é reforçado com viaturas (carros e motocicletas).

A SSP frisou que houve redução de 14,76% no número de assaltos ao transporte coletivo na Grande Ilha (São Luís, São José de Ribamar, Raposa e Paço do Lumiar), de janeiro a outubro de 2018, em relação ao mesmo período de 2017. De janeiro a outubro de 2017, o Batalhão Tiradentes realizou 7.421 abordagens e em 2018, no mesmo período, foram 26.670. Um aumento de 259,39% no número de abordagens.

Quantitativo dos meses de 2018

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Linha histórica de assaltos

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SAIBA MAIS

Em reportagem de mesmo conteúdo veiculada por O Estado em dezembro do ano passado, o superintendente do Sindicato das Empresas de Transportes (SET), Luís Cláudio Siqueira, declarou que as ocorrências são, na maioria das vezes, praticadas por menores e jovens de até 25 anos. Além disso, o superintendente também destacou que “é costume dos assaltantes entrarem nos terminais e anunciarem o assalto”. Também frisou que o “maior prejuízo é dos passageiros, pois eles têm seus pertences, como bolsas, celulares, entre outros, roubados” e que esse tipo de “ações não causa tantos impactos aos caixas das empresas, porque atualmente os passageiros utilizam mais cartão e não há tanto dinheiro acumulado nos coletivos”. Conforme dados divulgados na reportagem, a Avenida Beira-Mar, na região central da capital maranhense, é uma das vias com maior incidência de assaltos a ônibus, assim como a região do Monte Castelo e nas abrangências dos bairros Maranhão Novo, Ipase, Cohama, Bequimão e Vinhais, além do Anil e Turu.

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