Política | Polêmica

Bolsonaro muda discurso sobre família de médicos cubanos

Em 2013, deputado dizia que famílias de médicos cubanos seriam agentes da ditadura no Brasil; após eleito, Bolsonaro considera “desumano” separar famílias
20/11/2018

BRASÍLIA - O presidente eleito Jair Bolsonaro defendeu, ainda como deputado, em 2013, a proibição da entrada no Brasil de familiares de médicos cubanos que ingressaram no programa Mais Médicos. O registro dos discursos está disponível nas notas taquigráficas da Câmara.
Hoje, mais de cinco anos depois, Bolsonaro critica a suposta proibição da vinda de familiares dos médicos cubanos e diz que permitir a entrada dessas pessoas no país seria uma das condições do Brasil para a manutenção da participação de Cuba no programa.
Para ele, é uma “situação desumana” separar famílias de cubanos. A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) nega que o acordo assinado com o governo brasileiro impeça a vinda de familiares dos médicos cubanos ao país.
No último dia 14, o governo de Cuba anunciou que deixaria o Mais Médicos e como motivo apontou “referências diretas, depreciativas e ameaçadoras” feitas por Bolsonaro à presença de cubanos no Brasil.
Segundo o presidente eleito, Cuba não concordou com as exigências feitas por ele para manter os profissionais no programa.
Condicionamos à continuidade do programa Mais Médicos a aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou.
Em 2013, o então deputado federal Jair Bolsonaro, que à época estava no PP, fez diversos discursos criticando a medida provisória que criou o Mais Médicos.
Em mais de uma ocasião, Bolsonaro disse que a intenção do programa, criado pela então presidente Dilma Rousseff, era trazer “agentes” cubanos para promover o socialismo no país.
Segundo o então deputado, o próprio texto da medida provisória previa a possibilidade de que cada médico cubano trouxesse para o Brasil “todos os seus dependentes”.
“A verdade, aos poucos, vem vindo à tona: eles querem trazer 6 mil médicos cubanos. Prestem atenção! Está na medida provisória: cada médico cubano pode trazer todos os seus dependentes. E a gente sabe um pouquinho como funciona a ditadura castrista. Então, cada médico vai trazer 10, 20, 30 agentes para cá. Podemos ter, a exemplo da Venezuela, 70 mil cubanos aqui dentro”, disse Bolsonaro em discurso no dia 8 de agosto de 2013.
“Esses agentes podem adquirir emprego em qualquer lugar do Brasil com carteira assinada, inclusive cargos em comissão. Olhem o perigo para a nossa democracia”, complementou na mesma ocasião.
Na fala, Bolsonaro defendeu a rejeição integral da medida e disse que o programa não resolveria o problema da saúde do país.
De acordo com o deputado, o governo brasileiro queria resolver a falta de profissionais de saúde contratando médicos formados “nas coxas” e expostos a “dois anos de ideologia marxista-leninista”.
“Essa questão dos cubanos é um crime. [...] Querem trazer esse pessoal para cá e, revalidando esses diplomas, serão essas pessoas que ocuparão os postos-chaves da medicina pública em nosso país”, criticou o então deputado.
O mesmo tom foi utilizado por Bolsonaro em, pelo menos, mais três discursos na Câmara.
No dia 9 de outubro de 2013, ele criticou o salário pago aos médicos cubanos e o repasse da maior parte da remuneração para o governo de Cuba.
No discurso, afirmou que os “ditadores covardes e sanguinários, Fidel Castro e Raul Castro” ficavam com 90% do salário dos médicos – o acordo entre Opas e os governos brasileiro e cubano prevê que 70% da remuneração seja enviada a Cuba.

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