Fenômeno social

Violência faz moradores da Vila Funil migrarem para outros bairros

O Estado constatou ontem que diversas casas na região possuem marcas de facão, machado e tiros nas portas e janelas; moradores vivem assustados

Daniel Júnior / O Estado

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h29

Amedrontados com a violência desenfreada que se instalou na Vila Funil, em São Luís, moradores do bairro estão migrando para outras localidades da capital maranhense. Ontem, O Estado verificou que diversas casas na região, fechadas e com placas de “aluga-se” ou “vende-se”, possuem marcas de facão, machado e tiros nas portas e janelas. Moradores relataram que quatro famílias tinham acabado de se mudar, momentos antes da chegada de O Estado ao bairro.

Moradora há 10 anos na Vila Funil, a dona de casa Cristina Silva, de 42 anos, disse que falta policiamento eficaz na localidade. “Só tem uma viatura da Polícia Militar [PM], com apenas dois policiais. Um dirige e o outro fica ao lado. Eles ficam rodando pelo bairro e é muito difícil parar. Isso não adian­ta. Enquanto eles estão indo para um ponto, assaltantes invadem casas, roubam o que veem pela frente e se apropriam até das casas. Já não aguentamos mais isso. Muita gente está se mudando, com medo de ser morto. Se esse problema não for resolvido, vamos protestar, fechar a BR, e só vamos parar com a presença do secretário de Segurança”, garantiu.

Durante a reportagem, uma viatura do 21° Batalhão da Polícia Militar (BPM), com dois policiais, transitava pelo bairro e em seguida ficou parada no ponto final do ônibus, local onde, conforme os moradores, é o mais violento da região.
“As pessoas estão indo embora daqui, porque estão com medo dos casos de violência, como roubo e homicídio, que são frequentes. Temos a informação de que são criminosos que vêm de outro bair­ro se enfrentar com os daqui, que são ligados a facções criminosas rivais. Nós, moradores, ficamos nesse fogo cruzado. É uma situação lastimável”, relatou o pedreiro José de Jesus, de 48 anos.

O aposentado Tiago Mesquita, de 32 anos, disse que nunca tinha visto tanta violência. “Já morei em outros bairros de São Luís, mas nunca vi isso aqui. Vivemos assustados, com medo. Se sairmos na rua, temos que ter cuidados redobrados, porque podemos ser vítima de um assalto ou até mesmo sermos mortos com uma bala perdida”, frisou.

Outros moradores da Vila Funil, que prefeririam não se identificar, exigiram mais policiamento, com urgência, na área.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP), por meio do 21°Batalhão de Polícia Militar, informou, em nota, que desenvolve, ininterruptamente, ações preventivas e ostensivas em todos bairros da zona rural de São Luís, incluindo a Vila Funil. A SSP ressaltou, ainda, que a sede do 12° Distrito Policial, localizado no bairro Maracanã, foi entregue à comunidade no final do ano passado. Além desse equipamento, a população da zona rural conta com a base fixa da Polícia Militar instalada no Terminal de Integração do Distrito Industrial.

Como resultado das ações das forças de segurança na região, fo­ram desbaratadas várias quadrilhas que atuavam na zona rural de São Luís. Além disso, houve 220 prisões neste ano, 16% a mais do que em 2017, bem como um aumento de 36% de apreensões de drogas. Quanto aos homicídios, foi registrada uma queda de 57% em relação ao ano passado. Destacou, também, que a Polícia Militar realiza diariamente barreiras de segurança em pontos estratégicos da BR-135, com o objetivo de inibir a ação de criminosos.

SAIBA MAIS

Na última segunda-feira (20), moradores do bairro Vila Funil realizaram uma ma­nifes­ta­ção na BR-135, para exigir mais segurança na região. De acordo eles, no domingo (19), cinco famílias haviam abandonado as suas casas, porque facções crimi­nosas expulsaram os moradores de suas residências. Por causa do protesto, a rodovia foi interditada nos dois sentidos. Eles usaram pedaços de pau e fogo, o que causou o con­gestionamento dos veículos. A Polícia Militar (PM) foi acionada, com o objetivo de manter a ordem e a segurança durante a manifestação.
O bairro Vila Funil fica situado no Km-03 da BR-135, na Zona Rural de São Luís, e carece de serviços essenciais, como segurança, saúde e educação.

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