Lava jato

Em delação, Delcídio envolve Dilma, Lula e Aécio no mesmo caso

Senador apontou que colega do PSDB e principal opositor do governo petista também foi beneficiado com esquema de pagamento de propinas da empresa Furnas

Marco Aurélio D''Eça

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h50
(Delcídio Amaral entregou delação)

O Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou o conteúdo da delação premiada do senador Delcídio do Amaral, que foi homologada pelo ministro do STF, Teori Zavascki. Na delação, Delcídio cita o ex-presidente Lula, a presidente Dilma Rousseff e o senador Aécio Neves, entre outros políticos.

Com relação a Aécio Neves, trecho da delação diz: "Questionado ao depoente quem teria recebido valores de Furnas, o depoente disse que não sabe precisar, mas sabe que Dimas [Toledo, ex-presidente de Furnas] operacionalizava pagamentos e um dos beneficiários dos valores ilícitos sem dúvida foi Aécio Neves."

Mas LULA, Dilma e Aécio Neves não foram os únicos citados na delação do senador Delcídio do Amaral. Na realidade, a peça de mais de 200 páginas é rica em detalhes e faz referências a diversas empresas, empresários, autoridades e políticos de diferentes governos.

O ex-presidente da Petrobras Joel Rennó é um dos citados. Delcídio fala de "ilícitos perpetrados entre a Marítima, de German Erfromovitch e a Petrobras, quando era presidida por Rennó.

De acordo com o senador, "sobrepreços custaram milhões de reais para a Petrobras e, consequentemente para o país."

Delcídio também cita o ex-ministro Pedro Malan, do governo Fernando Henrique Cardoso. De acordo com o senador, a permanência do diretor Rogério Manso na Diretoria de Abastecimento "buscava manter esse quadro de ilicitude. A manutenção de Manso foi 'bancada' pelo então ministro da Fazenda Antonio Palocci, a pedido do ex-ministro Pedro Malan", disse Delcídio.

O senador fala ainda da aquisição de máquinas Alstom, que apresentaram problemas em vários países do mundo, e não teria ocorrido durante a sua gestão. Delcídio teria apenas inaugurado as máquinas, "vez que os ilícitos foram cometidos na gestão anterior (vinculada ao governo de Fernando Henrique Cardoso)."

Delcídio, em sua delação, cita ainda o ex-diretor da OAS Carlos Laranjeira, que era braço direito de Antonio Carlos Magalhães. De acordo com o documento, Laranjeira teria afirmado que "existiria interesses do PFL baiano na aquisição de máquinas; que, segundo Carlos Laranjeira, de nove a dez milhões de dólares foram separados para o pagamento de propina."

"Questionado ao depoente quem teria recebido valores de Furnas, o depoente disse que não sabe precisar, mas sabe que Dimas [Toledo, ex-presidente de Furnas] operacionalizava pagamentos e um dos beneficiários dos valores ilícitos sem dúvida foi Aécio Neves.

Senador pede saída do PT

O senador Delcídio do Amaral (MS) entregou hoje (15) ao presidente do PT em Mato Grosso do Sul, Antônio Carlos Biffi, carta pedindo desfiliação do partido. Em um texto curto, o senador informa a decisão de deixar o PT e pede que Biffi tome as providências para o desligamento.

Delcídio responde a representação no Conselho de Ética do Senado por ter sido flagrado tentando subornar a família do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, para que este não firmasse acordo de delação premiada com o Ministério Público. O filho de Cerveró, Bernardo, entregou a gravação da conversa em que o parlamentar oferecia R$ 50 mil por mês e um plano de fuga ao ex-diretor da estatal, o que levou Delcídio a ficar quase três meses preso.

Em fevereiro, foi a vez de o próprio senador firmar acordo de delação premiada, que só foi homologado nesta terça-feira pelo ministro Teori Zavaski, do Supremo Tribunal Federal (STF), para sair da cadeia e passar a recolhimento domiciliar.

O relator do caso no Conselho de Ética do Senado, Telmário Mota (PDT-RR), já deu parecer a favor da admissibilidade do processo contra Delcídio. O relatório será votado amanhã (16), quando os membros do colegiado decidirão se concordam com Mota e iniciam o processo, que pode resultar na cassação do mandato do senador.

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