Denúncia

Polícia investiga denúncia de racismo contra criança autista em shopping de São Luís

Polícia Civil apura denúncia de racismo após mãe relatar que filha autista foi alvo de ofensas em shopping do bairro Calhau, em São Luís, no Maranhão.

Imirante.com

- Atualizada em 19/09/2026 às 11h49
Mãe afirma que filha autista foi chamada de ‘pretinha’ em shopping de São Luís; polícia apura racismo.
Mãe afirma que filha autista foi chamada de ‘pretinha’ em shopping de São Luís; polícia apura racismo. (Foto: Reprodução/Redes sociais)

SÃO LUÍS – A Polícia Civil do Maranhão investiga uma denúncia de racismo envolvendo uma criança autista durante uma discussão na praça de alimentação de um shopping localizado no bairro do Calhau, em São Luís. O caso aconteceu na quarta-feira (16), durante o horário do almoço.

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Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), a ocorrência está sendo apurada pela Delegacia de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância. As pessoas envolvidas já prestaram depoimento, e novas diligências devem ser realizadas para esclarecer as circunstâncias do episódio.

A denúncia foi feita por Pedrolina do Espírito Santo da Silva, conhecida como Keyla Negona. Ela afirma que a filha, que é autista, foi alvo de uma ofensa racial durante um desentendimento envolvendo um lugar na praça de alimentação.

Discussão teria começado por causa de lugar na praça de alimentação

Segundo o relato de uma testemunha, Keyla estava sentada com a filha quando outra mulher se aproximou e afirmou que aquele seria o lugar dela, pedindo para que mãe e filha saíssem.

A situação teria evoluído para uma discussão. Ainda conforme a testemunha, a mulher teria afirmado que “não queria se misturar com esse tipo de gente”.

Depois que Keyla e a filha se levantaram, a cliente teria feito novas declarações de cunho racial e chamado as duas de “preta” e “pretinha”.

As declarações relatadas fazem parte da denúncia e ainda estão sendo investigadas pelas autoridades. A Polícia Civil deverá analisar depoimentos, imagens e outros elementos antes da conclusão do caso.

Mãe diz que episódio causou dor e constrangimento

Após o ocorrido, Keyla publicou uma nota de repúdio nas redes sociais. No texto, afirmou que a situação provocou “dor, constrangimento e revolta” e declarou que não pretende se calar diante do episódio.

“Minha filha é uma criança. Ela merece ser protegida, respeitada e tratada com dignidade. Sua cor não é motivo de vergonha, muito menos autorização para que alguém a humilhe ou a discrimine”, declarou.

A mãe também destacou que a filha é autista e defendeu que situações de preconceito não sejam tratadas como brincadeira ou minimizadas.

“Ser negra não é ofensa. Ser autista não é ofensa. O preconceito é que é inaceitável”, afirmou.

Mãe também questiona atuação policial

Além da denúncia de racismo, Keyla afirma que teria recebido tratamento diferente durante a atuação dos policiais que acompanharam as partes envolvidas até a delegacia.

Segundo a mãe, após a ocorrência no shopping, ela perguntou se poderia seguir até a unidade policial em seu próprio carro, mas teria sido informada de que isso não seria permitido.

Keyla afirma, no entanto, que a mulher apontada por ela como autora das supostas ofensas teria sido autorizada a seguir em seu próprio veículo, acompanhada por policiais durante o trajeto.

Em um vídeo gravado durante o deslocamento, a mãe questionou a diferença de tratamento e pediu esclarecimentos sobre a atuação das equipes.

“Eu perguntei lá no shopping se eu poderia vir no meu carro [e disseram que] não. Mas a pessoa que me discriminou racialmente veio no carro dela. Por que eu não posso?”, questionou.

Segundo a SSP-MA, a atuação das equipes de segurança envolvidas na ocorrência também será apurada.

Polícia vai analisar câmeras de segurança

A Secretaria de Segurança informou que determinou a oitiva de todos os envolvidos no episódio. As partes já foram ouvidas pela Delegacia de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância.

Nos próximos dias, testemunhas também devem prestar depoimento. A Polícia Civil informou ainda que solicitará imagens das câmeras de segurança do shopping para auxiliar na reconstrução dos fatos.

Outras diligências deverão ser realizadas para verificar tanto as circunstâncias da discussão quanto a atuação das equipes durante a condução das envolvidas até a delegacia.

De acordo com a SSP-MA, “não haverá qualquer omissão na investigação” e as providências cabíveis serão adotadas a partir dos elementos reunidos no decorrer da apuração. As investigações continuam.

Mãe diz que decidiu tornar caso público

Keyla afirmou que decidiu divulgar o episódio para chamar atenção para situações de racismo e preconceito enfrentadas por outras famílias.

“Não vamos nos calar. Não vamos normalizar o racismo. Não vamos aceitar o preconceito. Racismo é crime. Respeito é direito”, declarou.

“Minha filha merece respeito. Minha família merece respeito. Toda pessoa merece respeito”, concluiu.

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