Aulas práticas

Curso de biscuit oferece capacitação e possibilidade de renda a pessoas em situação de rua em São Luís

Atividade reúne dez participantes até quinta-feira (17), com aulas práticas, diálogos e ações de Justiça Restaurativa.

Anne Cascaes / Imirante.com

- Atualizada em 15/09/2026 às 14h46
A primeira turma reúne dez participantes selecionados pelo Centro Pop de São Luís.
A primeira turma reúne dez participantes selecionados pelo Centro Pop de São Luís. (Foto: divulgação / TJ-MA)

SÃO LUÍS - Uma oficina de artesanato em biscuit está sendo realizada nesta semana para pessoas em situação de rua em São Luís. A capacitação começou nessa segunda-feira (14) e segue até quinta-feira (17), das 8h30 às 12h, no Centro de Acolhimento PopRuaJud do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA).

A primeira turma reúne dez participantes selecionados pelo Centro Pop de São Luís. Além das atividades práticas, a programação inclui círculos de diálogo e ações de Justiça Restaurativa, com atividades voltadas à convivência, autoestima e autonomia.

A iniciativa faz parte das ações do Comitê PopRuaJud do TJMA e está relacionada ao eixo de emprego e renda da Política Nacional Judicial de Atenção a Pessoas em Situação de Rua e suas interseccionalidades, estabelecida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Capacitação alia artesanato e geração de renda

Durante as aulas, os participantes aprendem técnicas de produção em biscuit e são estimulados a desenvolver peças inspiradas em elementos da cultura maranhense, como o bumba-meu-boi.

A proposta é que o conhecimento adquirido possa ser utilizado tanto como atividade de expressão e ocupação quanto como possibilidade de geração de renda.

O professor de artesanato Roberto do Nascimento Pereira, responsável pela formação, destaca a possibilidade de transformar a produção artesanal em uma atividade profissional.

"O artesanato permite que cada pessoa coloque um pouco de si naquilo que produz. Além desse aspecto terapêutico, existe uma possibilidade concreta de geração de renda. Quando trabalhamos peças ligadas à cultura maranhense, como o bumba-meu-boi, também mostramos que esse conhecimento pode se transformar em trabalho e em oportunidade", explicou.

Participantes buscam novas possibilidades

Entre os alunos está Otávio José dos Santos, de 43 anos. Natural de Recife (PE), ele já trabalhou como bailarino e vê na atividade uma oportunidade de aprender uma nova habilidade e buscar alternativas para a própria vida.

"É muito gratificante receber esse apoio da Justiça. Além de ensinar uma profissão e possibilitar uma renda, o curso funciona também como uma terapia. Às vezes, uma coisa que parece pequena, como trabalhar com uma massa, pode levar uma pessoa muito longe. A ocupação ajuda a gente a enxergar outras possibilidades para a vida", contou.

A programação também inclui atividades de meditação ativa, com o objetivo de contribuir para a redução do estresse e da ansiedade, além de ações relacionadas à expressão artística e à transformação de ideias em produtos.

Ação é realizada em parceria com outras instituições

O curso é desenvolvido pelo TJMA em parceria com a Secretaria Municipal da Criança e Assistência Social (Semcas), a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), o Centro Pop, o Movimento de Pessoas em Situação de Rua e o Núcleo de Justiça Restaurativa do TJMA.

Segundo a organização, a oficina integra uma série de ações de qualificação profissional voltadas à população em situação de rua, dentro da estratégia de ampliar oportunidades de autonomia e geração de renda.

Durante a abertura da capacitação, o juiz Douglas de Melo Martins, coordenador executivo do Comitê PopRuaJud, ressaltou que o aprendizado pode representar uma oportunidade em diferentes momentos da trajetória dos participantes.

"Talvez o artesanato não seja a profissão definitiva de cada pessoa, aqui, mas pode ser uma oportunidade em determinado momento da vida. Quando você aprende a transformar algo e agregar valor ao que produz, esse conhecimento pode ajudar na sobrevivência, na geração de renda e no caminho para a emancipação de vocês", afirmou o magistrado.

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