Levantamento

Estudo identifica presença de microplásticos em praias dos Lençóis Maranhenses

Levantamento analisou cerca de 4 mil amostras coletadas em mais de mil praias de 17 estados brasileiros; pesquisadores alertam para presença de resíduos em área de conservação.

Imirante.com

- Atualizada em 24/08/2026 às 18h54
Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, no litoral do Maranhão.
Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, no litoral do Maranhão. (Foto: Divulgação)

MARANHÃO - Um estudo realizado pelo projeto Micromar identificou a presença de microplásticos em praias do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, no litoral do Maranhão. A pesquisa, desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), analisou cerca de 4 mil amostras coletadas em mais de mil praias de 17 estados brasileiros. O levantamento é considerado o maior estudo padronizado sobre microplásticos já realizado no litoral do Brasil.

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Mesmo em áreas de conservação e de difícil acesso, os pesquisadores encontraram fragmentos de plástico que não deveriam fazer parte daquele ambiente.

Pesquisadores identificaram diferentes tipos de plástico

Além de verificar a quantidade de microplásticos presentes na areia e na água, os pesquisadores analisaram a composição química dos resíduos encontrados.

Entre os materiais identificados está o PVC, polímero que apresenta características consideradas poluentes. Segundo a pesquisadora do projeto Micromar, Élida Bogea, a presença de determinados materiais nas praias dos Lençóis Maranhenses chamou a atenção da equipe.

“Quando a gente encontra polímeros altamente peculiares, de raro uso na sociedade, e identifica esse material na Praia dos Lençóis, isso chama muita atenção. A análise mostrou um índice elevado de periculosidade ambiental para aquela região”, afirmou a pesquisadora.

Como os microplásticos podem ter chegado aos Lençóis

Os pesquisadores trabalham com diferentes hipóteses para explicar a presença dos resíduos no parque.

Uma delas é que as partículas tenham sido transportadas pelo Rio Preguiças, que passa por áreas próximas a municípios onde ocorre descarte de materiais plásticos. Outra possibilidade é que os fragmentos tenham chegado à região pelo oceano, já que o tamanho reduzido dos microplásticos permite que sejam transportados por longas distâncias.

Para o biólogo Jorge Nunes, integrante do estudo, a identificação dos resíduos em uma área de conservação mostra que a poluição já alcançou ambientes considerados protegidos.

“Existe um comprometimento daquilo que pensamos para ambientes de conservação. Os organismos como um todo também estão suscetíveis aos efeitos desses materiais”, destacou.

Pesquisadores defendem mudanças no descarte

Os especialistas afirmam que o problema não está restrito aos locais onde os resíduos são encontrados. Parte do plástico descartado nas cidades pode ser transportada pelos rios até o mar e, posteriormente, chegar a regiões costeiras.

“Estamos considerando os ambientes marinhos e as regiões costeiras, mas muitos resíduos não são produzidos nesses locais. Eles vêm das cidades, chegam aos rios e acabam desembocando no mar”, explicou Jorge Nunes.

O projeto agora pretende ampliar as pesquisas para compreender melhor a origem dos resíduos, a forma como eles se espalham pelo ambiente e quais medidas podem ser adotadas para reduzir os impactos.

Para Élida Bogea, o levantamento também reforça a necessidade de ações conjuntas entre poder público, sociedade e empresas.

“Agora que temos parte dessa história contada, precisamos partir para resolver. O poder público, a sociedade e as empresas precisam atuar juntos para reverter esse cenário”, afirmou.

Lençóis Maranhenses ganharam destaque internacional

A descoberta dos microplásticos ocorre em um momento em que os Lençóis Maranhenses voltaram a ganhar projeção internacional. Nesta semana, uma imagem do parque vista do espaço foi publicada pela NASA, mostrando o contraste entre as dunas de areia branca e as lagoas de água doce. A agência espacial chamou a paisagem de “deserto feito de água”.

O parque também recebeu, em 2024, o título de Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco, em reconhecimento à importância de sua paisagem e biodiversidade.

O reconhecimento internacional reforça a visibilidade dos Lençóis Maranhenses, mas também amplia a importância de medidas voltadas à preservação do parque e à redução dos impactos ambientais.

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