COLUNA
Geraldo Carvalho
Economista, MBA pela USP e mestre em gestão de empresas
Geraldo Carvalho

Por que não privatizam?

O socorro público a empresas deficitárias revela os custos de um modelo que mantém ineficiências e penaliza o contribuinte.

Geraldo Carvalho

- Atualizada em 09/08/2026 às 10h20

O brilhante economista Marcos Lisboa diz que a estagnação e o fraco desempenho econômico do Brasil é fruto de escolhas erradas. O caso do atual debate sobre o futuro de duas empresas públicas é emblemático. A insistência do Estado brasileiro em atuar como empresário continua cobrando um preço alto da sociedade. O setor privado faz a alocação de capital pelo caminho mais eficiente, através da inovação e produtividade, a gestão pública insiste em resgatar companhias deficitárias e inviáveis. Os casos recentes dos Correios e do Banco de Brasília (BRB) expõem as vísceras de um modelo ultrapassado, o socorro público a operações destruidoras de valor.

A situação dos Correios (EBCT), após catorze trimestres de resultados negativos ultrapassou, o mero desequilíbrio conjuntural e tornou-se um problema de sobrevivência. Acumulando prejuízos bilionários consecutivos, impulsionados por um inchaço operacional, perda de fatia no mercado de e-commerce e encargos trabalhistas pesados, faz estatal viver à beira da insolvência. Em vez de avançar na desestatização para atrair investimento privado e tecnologia, o governo federal busca operações de socorro e empréstimos. A estatal federal já tomou 12 bilhões de empréstimo em cinco bancos e pede mais 7 bilhões. O Patrimônio líquido está negativo em 16 bilhões, ou seja, se vender tudo que tem, a empresa ainda ficaria devendo. Ela está tecnicamente falida. Mas o atual governo por questões ideológicas, resiste em vende-la, enquanto ainda tem algum valor de operação e capilaridade. 

O setor de entregas foi sacudido por empresa eficientes como Amazon, Mercado Livre e Shopee. Qualquer pessoa que administrou empresas públicas, sabe que é impossível uma estatal ter agilidade e facilidade de tomar decisões. O resultado é uma empresa incapaz de competir em agilidade com o setor privado de logística, mas que consome bilhões do contribuinte.

Outro caso se passa no Distrito Federal, o BRB-Banco Regional de Brasília, viu-se envolvido no escândalo de negociações e compras de ativos sem lastro vinculados ao ecossistema do Banco Master, na realidade uma pirâmide financeira. Operações arriscadas e falhas graves de governança arrastaram o banco público para um rombo de grandes proporções. Para evitar o colapso, recorre-se novamente ao aporte e garantias estatais, penalizando a sociedade local para cobrir ineficiências gerenciais. Por que não privatizar ao invés de tomar dinheiro do já esfolado pagador de impostos, como eu, você e todos nós?

Há enorme sucesso nas privatizações feitas no Brasil. A relutância ideológica em privatizar ignora exemplos concretos da história econômica brasileira, onde a transferência do controle estatal para a iniciativa privada gerou saltos extraordinários de eficiência, arrecadação e qualidade de serviços:

Telecomunicações (Sistema Telebras): Antes do leilão em 1998, uma linha telefônica era tida como bem declarável no Imposto de Renda, custando milhares de dólares. A privatização universalizou a telefonia, gerou competição e abriu espaço para o avanço da internet móvel no país. Hoje todo mundo tem uma linha e ela é uma ferramenta de trabalho a milhões de pessoas.

Setor Aeronáutico (Embraer): Privatizada em 1994 à beira da falência, a Embraer transformou-se na terceira maior fabricante de aeronaves civis do mundo, sendo polo global de tecnologia e exportação. A empresa em seu último ano como estatal produziu poucos aviões do bimotor Brasília; em 2025 produziu 224 aviões a jato e muito mais caros. Foi de uma receita de US$207 milhões para US$7,6 bilhões. È um case de boa gestão num mercado  com praticamente duas empresas competindo, Boeing e Airbus, que consome gigantescos montantes de investimento e inovação.

Mineração e Siderurgia (CVRD, Usiminas, CSN): Antigas estatais burocratizadas tornaram-se gigantes globais, aumentando drasticamente a produção, os investimentos privados e o recolhimento de impostos ao Tesouro. A receita da VALE foi de US$ 5 bilhões em 1996 para US$ 38 bilhões em 2025, se tornando a maior mineradora de minério de ferro do mundo, graças a eficiência na gestão privada e o foco em resultados. A Ação da VALE3 se valorizou 15.000% (considerando vários desdobramentos do papel.

Infraestrutura e Logística (Concessões de Aeroportos, estradas, ferrovias): A entrada de operadores privados em aeroportos de Guarulhos, Galeão e Brasília elevou a qualidade do atendimento ao passageiro e aportou bilhões em modernização sem demandar dinheiro público. Do mesmo modo estradas concedidas a gestão privadas são muito mais seguras e eficazes para a mobilidade. A Rede Ferroviária Federal perdia 1 milhão de dólares por dia quando estatal, foi fatiada e vendida a vários players, hoje operam no lucro.

Existe uma lógica invertida no socorro público. Quando o governo decide injetar recursos em estatais falidas ou endividadas, ele promove a transferência de renda do contribuinte, que já paga uma das maiores cargas tributárias do mundo, para sustentar ineficiências e apadrinhamento político. O custo de oportunidade dessa escolha é devastador: cada bilhão direcionado ao resgate de estatais é um bilhão subtraído da infraestrutura básica, saúde e educação.

Sem a disciplina do mercado, onde a falência ou o encerramento das atividades atua como mecanismo de punição para que o capital migre para setores eficientes, as estatais perpetuam seus vícios. A solução para Correios e bancos estatais não reside em mais empréstimos, e sim na coragem política de abrir o mercado, vender ativos e permitir que a iniciativa privada traga a concorrência que verdadeiramente beneficia o consumidor.

O pagador de imposto brasileiro (nós), lutando para sobreviver após ser confiscado com a 2ª. Maior carga de impostos do mundo, não pode se púnico com mais esse ônus.

Privatizem já !


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