Geraldo Carvalho
Divulgação
COLUNA
Geraldo Carvalho
Economista, MBA pela USP e mestre em gestão de empresas
Geraldo Carvalho

O Brasil afunda em competitividade econômica.

Uma breve análise sobre a perda de competitividade global do Brasil e o risco do retrocesso econômico estrutural

Geraldo Carvalho

Divulgado a algumas semanas, O Ranking Mundial de Competitividade do IMD 2026 (International Institute for Management Development) com apoio da Fund. Dom Cabral, posicionou o Brasil na 65ª colocação entre 70 nações pesquisadas, acendeu um alerta crítico sobre o futuro do crescimento do país. Aqui analiso as causas estruturais desse desempenho, com ênfase no "Custo Brasil", na baixa eficiência governamental e na persistente diferença de infraestrutura, elementos que condenam o país a ficar para trás na corrida global por investimentos, produtividade e inovação.

É alarmante e frustrante, temos ficado no último lugar em alguns tópicos como: Custo de Capital, Endividamento corporativo, Produtividade da força de trabalho, qualidade da educação básica e secundária, e competência financeiras e linguística. 

A competitividade econômica não é apenas uma métrica de prestígio internacional; ela reflete diretamente a capacidade de uma nação gerar riqueza sustentável, atrair capital produtivo e elevar o padrão de vida de sua população. Quando o Anuário de Competitividade Mundial aponta que o Brasil retrocedeu para a 65ª posição em um universo de 70 economias, o diagnóstico vai além de uma flutuação estatística de curto prazo: estamos diante de uma crônica e severa perda de tração estrutural face aos nossos pares globais.

O recuo na tabela de classificação coloca o Brasil atrás de vizinhos regionais e de outras economias emergentes que, historicamente, enfrentavam desafios similares. A perda de posições realça o fato de que, enquanto o mundo avança em reformas dinâmicas, desburocratização e transição tecnológica, o ecossistema de negócios brasileiro permanece ancorado em velhas amarras estruturais. O resultado prático é o encarecimento da produção doméstica e o isolamento das cadeias globais de valor.

O ranking do IMD decompõe a competitividade em quatro pilares fundamentais: desempenho econômico, eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestrutura. A debilidade brasileira manifesta-se de forma geral, mas atinge níveis alarmantes no quesito da eficiência governamental e do ambiente institucional. Fatores como a complexidade do sistema tributário, a insegurança jurídica e o peso da máquina pública atuam como forças que drenam o dinamismo do setor privado.

No pilar de eficiência empresarial, a produtividade da mão de obra brasileira encontra-se estagnada há décadas. A falta de investimentos robustos em educação técnica e profissionalizante, combinada com uma baixa taxa de formação bruta de capital fixo (FBCF), impede que as indústrias nacionais atinjam economias de escala competitivas. O Brasil produz caro e com menor valor agregado, o que reduz nossa participação no comércio internacional de manufaturados de alta tecnologia.

O famoso e triste "Custo Brasil" — que engloba o conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas, trabalhistas e logísticas que encarecem o investimento — deixa de ser um jargão corporativo e assume sua face mais perversa nos dados. A deficiência crônica na infraestrutura de transportes (rodovias precárias, ferrovias subdesenvolvidas e portos com custos operacionais elevados) atua como uma barreira invisível sobre a exportação e a circulação interna.

Além disso, o custo de capital no país permanece historicamente elevado. Taxas de juros reais elevadas, muitas vezes necessárias para conter pressões inflacionárias decorrentes de desequilíbrios fiscais persistentes, inibem o investimento de longo prazo. O empresário brasileiro, diante de um horizonte de incerteza jurídica e volatilidade macroeconômica, tende a adotar uma postura defensiva, preterindo a inovação tecnológica disruptiva em favor da mera manutenção de ativos existentes. Frequentemente pura sobrevivência!

As consequências dessa perda contínua de competitividade são severas. Primeiramente, há uma clara tendência de desindustrialização precoce da economia. O país exporta volumes crescentes de commodities agrícolas e minerais — setores de excelência que, embora fundamentais e altamente competitivos, possuem menor capacidade de criação de empregos sofisticados e menor efeito multiplicador de inovação tecnológica, que uma indústria de transformação forte.

Em segundo lugar, a baixa competitividade limita o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) potencial. Sem ganhos reais de produtividade por trabalhador, o crescimento econômico fica restrito a espasmos cíclicos de consumo ou booms temporários de preços internacionais de matérias-primas (Voos de galinha). A ausência de bases sólidas condena a economia nacional ao que a literatura econômica chama de "armadilha da renda média", impossibilitando a elevação da nossa renda per capita para os níveis das economias plenamente desenvolvidas.

Reverter a 65ª posição no ranking global de competitividade exige uma agenda de Estado que transcenda ciclos eleitorais de curto prazo. A implementação plena e simplificada da reforma tributária sobre o consumo é um passo inicial imperativo, mas insuficiente se isolado. É urgente avançar na eficiência do gasto público para reduzir o déficit fiscal do Estado e garantir maior segurança jurídica para os contratos de longo prazo em concessões e parcerias (PPPs).

O Brasil possui vantagens comparativas dinâmicas inquestionáveis. Contudo, transformar vantagens comparativas naturais em competitividade econômica global exige infraestrutura moderna, capital humano qualificado e um ambiente institucional previsível. Sem o enfrentamento corajoso desses gargalos, continuaremos a assistir ao avanço de nações mais ágeis, enquanto nossa economia corre o risco de ficar definitivamente para trás na periferia do desenvolvimento global.

O diagnóstico de nossos problemas é muito claro, mas enquanto isso tem se a impressão que o congresso e o judiciário sabotam o país, apenas preocupados com aumentas seus salários e pautas identitárias irrelevantes. Fora a possibilidade de aprovar o fim da escala 6x1, esse sim o tiro no pé da economia nacional!


As opiniões, crenças e posicionamentos expostos em artigos e/ou textos de opinião não representam a posição do Imirante.com. A responsabilidade pelas publicações destes restringe-se aos respectivos autores.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.