Câmara Municipal de SL

Protesto contra lei sobre mulheres trans em banheiros femininos marca sessão na Câmara

Manifestantes criticaram proposta promulgada pela Câmara que restringe uso de banheiros femininos por mulheres trans na capital.

Ipolítica

Atualizada em 18/05/2026 às 14h36
Protesto na Câmara de São Luís criticou lei que restringe uso de banheiros femininos por mulheres trans.
Protesto na Câmara de São Luís criticou lei que restringe uso de banheiros femininos por mulheres trans. (Reprodução/ TV Mirante)

SÃO LUÍS - Mulheres trans, ativistas e coletivos LGBTQIAPN+ realizaram um protesto, na manhã desta segunda-feira (18), na Câmara Municipal de São Luís contra a lei que restringe o uso de banheiros femininos por mulheres trans em órgãos públicos e estabelecimentos privados.

A manifestação ocorreu durante a sessão legislativa da Casa, dias após a promulgação da proposta de autoria do vereador Marquinhos (União Brasil). A proposta foi aprovada em dois turnos e promulgada pela própria Câmara após não ser sancionada pelo Executivo.

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Durante o ato, manifestantes classificaram a medida como discriminatória, apontaram possível inconstitucionalidade da norma e cobraram uma posição definitiva da Justiça sobre o tema.

Manifestantes criticam restrição a mulheres trans

A lei proíbe mulheres trans de utilizarem banheiros femininos, vestiários e espaços semelhantes em órgãos públicos e estabelecimentos privados de São Luís.

Enquanto os defensores da medida alegam proteção e segurança das mulheres, manifestantes e entidades de direitos humanos classificam a lei como discriminatória e apontam possível inconstitucionalidade.

Durante a sessão, os manifestantes exibiram cartazes, acompanharam os debates no plenário e cobraram a revogação da medida aprovada pelos vereadores.

Projeto dividiu comissões da Câmara

Durante a tramitação do projeto, a Comissão de Justiça da Câmara Municipal deu parecer favorável ao texto, enquanto a Comissão de Assistência Social se posicionou contra. 

Apesar da divergência entre os colegiados, o projeto foi aprovado pelos vereadores em dois turnos e acabou promulgado pelo Legislativo municipal.

STF ainda não tem decisão definitiva sobre o tema

O Supremo Tribunal Federal (STF) já possui entendimentos de que impedir pessoas trans de utilizarem banheiros conforme a identidade de gênero pode configurar como tratamento vexatório.

Além disso, a transfobia é equiparada ao crime de racismo pela Justiça brasileira.

Apesar disso, ainda não existe uma regra nacional consolidada sobre o tema. Em 2024, o STF rejeitou um caso relacionado ao assunto sem julgar o mérito da discussão.

Atualmente, uma ação específica aguarda julgamento sob relatoria da ministra Cármen Lúcia.

Pedido de regulamentação chegou ao CNJ

Na última semana, uma entidade de juristas trans acionou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pedindo uma regulamentação nacional sobre o tema no Judiciário.

Até o momento, não houve avanço no pedido.

A ausência de uma definição nacional mantém o debate sobre o uso de banheiros por pessoas trans em discussão no Judiciário e em casas legislativas de diferentes cidades do país.

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