SÃO LUÍS - A doméstica grávida agredida por ex-patroa no Maranhão relatou à Polícia Civil que recebeu apenas R$ 750 por pouco mais de duas semanas de trabalho e foi ameaçada de morte após sofrer agressões em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís.
O depoimento da jovem, de 19 anos, foi prestado nesta quarta-feira (6), na 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy, que investiga o caso. Ela detalhou a rotina de trabalho, as condições de pagamento e os momentos de violência.
Rotina de trabalho incluía jornada extensa e múltiplas funções
Segundo o relato, o primeiro contato ocorreu no início de abril, por meio de um aplicativo de mensagens, quando foi feita a proposta de um mês de trabalho. Ao chegar à residência, a jovem afirmou que começou a trabalhar sem ter acertado previamente o valor do serviço.
A doméstica grávida disse que cumpria uma jornada de segunda a sábado, das 9h às 19h, com apenas 30 minutos de intervalo.
Entre as atividades desempenhadas estavam:
- Limpeza da casa
- Preparação de refeições
- Lavar e passar roupas
- Cuidados com uma criança de seis anos
O pagamento, segundo a vítima, foi feito de forma fracionada, por meio de transferências em nome de terceiros, totalizando R$ 750.
Doméstica grávida relata agressões dentro da residência
A doméstica grávida também descreveu as agressões sofridas após ser acusada de roubar uma joia. Mesmo negando a acusação, ela afirmou que foi atacada com puxões de cabelo, socos e murros, além de ter sido derrubada no chão.
Durante o ataque, a jovem relatou que tentou proteger a barriga, já que está com seis meses de gestação.
“Começou com puxões de cabelo. Eu fui derrubada no chão e passei boa parte do tempo ali. Foram tapas, socos e murros... foi sem parar. Eles não se importavam", disse.
Agressões continuaram mesmo após objeto ser encontrado
De acordo com o depoimento, a ex-patroa passou horas procurando o anel que teria motivado a acusação. O objeto foi encontrado posteriormente dentro de um cesto de roupas sujas na residência.
Mesmo assim, a doméstica grávida afirmou que as agressões continuaram.
Ela relatou ainda que foi ameaçada de morte caso denunciasse o caso às autoridades.
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Homem teria ajudado nas agressões
No depoimento, a jovem também afirmou que um homem, ainda não identificado, participou das agressões. Segundo ela, o suspeito foi até a residência para pressioná-la de forma violenta.
A doméstica grávida descreveu o homem como alto, forte e moreno. A participação dele também está sendo investigada pela Polícia Civil.
OAB pede prisão e classifica crime como tortura
Diante da gravidade do caso, a Comissão de Direitos Humanos da OAB no Maranhão pediu a prisão preventiva da investigada.
Segundo a entidade, a doméstica grávida foi vítima de tortura física e psicológica após ser acusada de furtar um anel. O crime foi classificado como tortura agravada, além de envolver lesão corporal, ameaça e calúnia.
Policiais são afastados após suspeita de omissão
O caso também envolve possíveis falhas na atuação policial. Quatro policiais militares que atenderam a ocorrência foram afastados das funções.
Áudios indicam que a patroa que agrediu doméstica teria sido beneficiada por conhecer um dos agentes, o que pode ter impedido sua condução imediata à delegacia.
A Polícia Civil investiga a situação.
Caso segue sob investigação
A Polícia Civil segue investigando o caso, incluindo a identificação do homem citado no depoimento e a análise das provas reunidas.
A jovem continua em recuperação após os episódios de violência, enquanto o caso segue sendo apurado pelas autoridades.
O que diz a empresária sobre agressão contra doméstica
"Diante das publicações e comentários que vêm circulando na imprensa e nas redes sociais a respeito do IPL nº 066/2026 — 21º Distrito Policial do Araçagy/MA, venho me manifestar com serenidade e respeito.
Em primeiro lugar, afirmo que respeito profundamente a atuação das autoridades e que jamais me neguei a colaborar com a apuração dos fatos. Minha defesa já compareceu à delegacia, solicitou acesso aos autos e adotará todas as providências necessárias para que minha versão seja apresentada no momento adequado, de forma responsável e dentro do procedimento legal.
Também registro que repudio qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres, gestantes, trabalhadoras e pessoas em situação de vulnerabilidade. Justamente por reconhecer a gravidade do assunto, entendo que tudo deve ser apurado com seriedade, equilíbrio, provas e respeito ao devido processo legal.
Minha família, incluindo meu marido e meu filho, vem sofrendo ataques e ameaças. Isso não contribui para a verdade, não ajuda a investigação e apenas aumenta o sofrimento de todos os envolvidos.
Requeiro que não haja julgamento antecipado e que o inquérito seja conduzido em observância aos princípios constitucionais. A investigação ainda está em andamento, e a verdade deve ser esclarecida pelas vias legais, jamais por ameaças, ofensas, exposição de familiares ou linchamento virtual.
Seguirei à disposição das autoridades, por meio da minha defesa, confiando que os fatos serão esclarecidos com responsabilidade, respeito, técnica e justiça.
Paço do Lumiar - MA, 05 de maio de 2026.
Carolina Sthela Ferreira dos Anjos"
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