Comissão de Direitos Humanos

Patroa que agrediu doméstica: OAB pede prisão preventiva no Maranhão

Caso de patroa que agrediu doméstica no MA leva OAB a pedir prisão preventiva por tortura agravada contra vítima grávida.

Imirante

Atualizada em 06/05/2026 às 13h51
OAB pede prisão de patroa que agrediu doméstica grávida no MA; entidade classificou crime como tortura.
OAB pede prisão de patroa que agrediu doméstica grávida no MA; entidade classificou crime como tortura. (Foto: Reprodução/Redes sociais/TV Mirante)

SÃO LUÍS  - O caso da patroa que agrediu doméstica no Maranhão ganhou novos desdobramentos nesta quarta-feira (6), após a Comissão de Direitos Humanos da OAB-MA solicitar a prisão preventiva da empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos. A mulher é investigada por tortura e violência contra uma empregada doméstica de 19 anos, que estava grávida no momento das agressões.

O crime ocorreu no dia 17 de abril, na residência onde a vítima trabalhava, em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís. A gravidade da situação e os detalhes revelados pelas investigações têm gerado forte repercussão no estado.

Relatório aponta tortura física e psicológica

Segundo a OAB-MA, a patroa que agrediu doméstica submeteu a vítima a uma série de agressões após acusá-la de furtar um anel. Mesmo com a negativa da jovem, as violências começaram e se prolongaram por cerca de uma hora.

Entre os atos descritos no relatório estão:

  • Socos, tapas e murros repetidos
  • Puxões de cabelo e queda ao chão
  • Ameaças com arma de fogo
  • Colocação da arma na boca da vítima
  • Intimidação psicológica constante

Mesmo após o anel ter sido encontrado dentro da própria casa, as agressões continuaram, o que reforça a caracterização de tortura, segundo a entidade.

Vítima grávida tentou proteger o bebê durante agressões

A jovem relatou que, durante o ataque, tentou proteger a barriga o tempo todo. Na época, ela estava com cerca de cinco a seis meses de gestação.

De acordo com o depoimento, a patroa que agrediu doméstica não demonstrou preocupação com o estado da vítima, que sofreu diversos hematomas pelo corpo e segue em recuperação emocional semanas após o ocorrido.

O caso é considerado ainda mais grave devido à vulnerabilidade da vítima.

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Áudios fortalecem investigação policial

As investigações ganharam força após a divulgação de áudios atribuídos à própria empresária. O material foi obtido pela TV Mirante e já faz parte do inquérito conduzido pela Polícia Civil.

Nas gravações, a patroa que agrediu doméstica descreve as agressões e chega a afirmar que a vítima “não era para ter saído viva”. O conteúdo também aponta a participação de um segundo suspeito, que teria ajudado na ação violenta e estava armado.

Diante disso, a OAB-MA solicitou:

  • Prisão preventiva da investigada
  • Inclusão das provas no inquérito
  • Identificação do possível comparsa
  • Apuração de omissão por parte de policiais

Crime é classificado como tortura agravada

Para a OAB, a conduta da patroa que agrediu doméstica se enquadra como tortura agravada, considerando fatores como:

  • Violência prolongada
  • Sofrimento físico e psicológico
  • Uso de arma para intimidação
  • Condição de gestante da vítima

Além disso, o caso também envolve crimes de lesão corporal, ameaça e calúnia.

A entidade destacou ainda o risco de reincidência, o que reforça o pedido de prisão preventiva.

Histórico criminal preocupa autoridades

Outro fator relevante é o histórico da investigada. Conforme o relatório, a patroa que agrediu doméstica possui diversos antecedentes, incluindo:

  • Condenação por furto qualificado
  • Condenação por calúnia contra funcionárias
  • Registros de violência doméstica
  • Múltiplos processos judiciais

Segundo a OAB-MA, esse histórico evidencia comportamento recorrente e potencial periculosidade.

Policiais são afastados após suspeita de omissão

O caso também envolve possíveis falhas na atuação policial. Quatro policiais militares que atenderam a ocorrência foram afastados das funções.

Áudios indicam que a patroa que agrediu doméstica teria sido beneficiada por conhecer um dos agentes, o que pode ter impedido sua condução imediata à delegacia.

A Polícia Civil investiga a situação.

Caso segue sob investigação no Maranhão

A investigação está sob responsabilidade da 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy. Até o momento, a empresária não foi presa nem indiciada.

O que diz a empresária sobre agressão contra doméstica

"Diante das publicações e comentários que vêm circulando na imprensa e nas redes sociais a respeito do IPL nº 066/2026 — 21º Distrito Policial do Araçagy/MA, venho me manifestar com serenidade e respeito.

Em primeiro lugar, afirmo que respeito profundamente a atuação das autoridades e que jamais me neguei a colaborar com a apuração dos fatos. Minha defesa já compareceu à delegacia, solicitou acesso aos autos e adotará todas as providências necessárias para que minha versão seja apresentada no momento adequado, de forma responsável e dentro do procedimento legal.

Também registro que repudio qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres, gestantes, trabalhadoras e pessoas em situação de vulnerabilidade. Justamente por reconhecer a gravidade do assunto, entendo que tudo deve ser apurado com seriedade, equilíbrio, provas e respeito ao devido processo legal.

Minha família, incluindo meu marido e meu filho, vem sofrendo ataques e ameaças. Isso não contribui para a verdade, não ajuda a investigação e apenas aumenta o sofrimento de todos os envolvidos.

Requeiro que não haja julgamento antecipado e que o inquérito seja conduzido em observância aos princípios constitucionais. A investigação ainda está em andamento, e a verdade deve ser esclarecida pelas vias legais, jamais por ameaças, ofensas, exposição de familiares ou linchamento virtual.

Seguirei à disposição das autoridades, por meio da minha defesa, confiando que os fatos serão esclarecidos com responsabilidade, respeito, técnica e justiça.

Paço do Lumiar - MA, 05 de maio de 2026.

Carolina Sthela Ferreira dos Anjos" 
 

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