Investigação

Deputados articulam pedido de abertura de CPI contra vice-governador

Vinte e quatro deputados pedem a abertura de CPI para apurar supostas movimentações financeiras de Felipe Camarão.

Ipolítica

Atualizada em 24/03/2026 às 15h56
Plenário da Assembleia Legislativa do Maranhão
Plenário da Assembleia Legislativa do Maranhão (Divulgação)

SÃO LUÍS - Vinte e quatro deputados estaduais - todos da base governista -, apresentaram à Presidência da Assembleia Legislativa do Maranhão, pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra o vice-governador Felipe Camarão (PT). A expectativa é de que o requerimento seja lido em Plenário na sessão desta quarta-feira (25).

O objetivo é apurar movimentações financeiras atípicas do petista, que deram base ao Ministério Público pedir - em investigação sigilosa -, ao Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), o afastamento do vice.

O teor do pedido de afastamento vazou na semana passada e provocou forte crise no MPMA.

Assinam o pedido de CPI, os deputados Adelmo Soares (MDB), Ana do Gás (PCdoB), Andrea Rezende (MDB), Antonio Pereira (MDB), Arnaldo Melo (PP), Cláudia Coutinho (PDT), Cláudio Cunha (PL), Daniella (MDB), Davi Brandão (MDB), Dr. Yglésio (PRTB), Helena Duailibe (PP), Eric Costa (PSD), Florêncio Neto (MDB), Glaubert Cutrim (PDT), Guilherme Paz (PRD), Janaína (Republicanos), João Batista Segundo (PL), Júnior França (PP), Mical Damasceno (PSD), Neto Evangelista (União Brasil), Osmar Filho (PDT), Pará Figueiredo (PL), Ricardo Arruda (MDB) e Edna Silva (PRD). 

Pedido de afastamento de Camarão

Na semana passada a imprensa vazou um pedido de afastamento de Felipe Camarão protocolado pelo MPMA na Justiça Estadual. O documento é assinado pelo procurador-geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira, e inclui também dois policiais militares que atuam na segurança institucional de Camarão. 

A investigação, fundamentada em Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) do COAF e quebras de sigilo, revelou um fluxo financeiro atípico que totaliza milhões de reais. De acordo com o documento, Felipe Camarão movimentou mais de R$ 16 milhões em sua conta principal entre 2022 e 2025. Desse montante, cerca de R$ 4,6 milhões são créditos extra-salário, valor que o MPMA afirma superar drasticamente sua renda formal identificada.

A análise detalhada aponta táticas de ocultação, como:

  • Depósitos em espécie: Foram identificados 230 depósitos sem identificação do depositante, somando R$ 360 mil em valores fracionados para evitar o radar das autoridades de controle ("smurfing").
  • Triangulação com PMs: Os policiais militares Thiago Brasil Arruda e Alexandre Guimarães Nascimento, lotados no Gabinete Militar do Governo, são apontados como operadores financeiros.

 

Após o vazamento do pedido sigiloso, o MPMA pediu ao TJMA a abertura de procedimento para investigar de onde partiu o compartilhamento dos dados. 

Felipe Camarão reage à movimentação por CPI

Em seu perfil em rede social, o vice-governador se manifestou oficialmente sobre o pedido de abertura de CPI que poderá ser apresentado nesta quarta-feira na Assembleia Legislativa.

Camarão repudiou a articulação da base governista e disse que não irá recuar.

“Desespero coronelista e oligarquia do dia: depois de um desastrado, espúrio e ilegal pedido de afastamento no TJ, o titio anuncia uma suposta CPI na Assembleia contra mim para limpar terreno para a eleição do sobrinho. Desespero? Golpe? Jogo sujo? Medo da derrota? Resistirei!”, finalizou.

Oposição repudia movimento

Procurado pelo reportagem do Imirante, o deputado estadual Carlos Lula, que integra a oposição, também reagiu na Assembleia.

“Primeiro é importante dizer que qualquer pedido de CPI precisa cumprir requisitos legais e regimentais. A Assembleia tem regras claras, e CPI é instrumento para apurar fatos determinados, não para direcionar debates contra pessoas. Nos chama atenção o momento em que esse pedido surge. É preciso ter muita responsabilidade para que instrumentos sérios do Parlamento não sejam utilizados em meio a disputas políticas, o que não contribui com a estabilidade institucional nem com o interesse da população. O que a sociedade espera de nós, neste momento, é equilíbrio, responsabilidade e foco nos problemas reais do Maranhão, especialmente áreas como saúde, segurança e desenvolvimento, que impactam diretamente a vida das pessoas”, finalizou.

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