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É economista com experiência nacional e internacional em análises macroeconômicas e microeconômicas. Possui habilidade em análises setoriais, gestão do capital humano, orçamentos e finanças.
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A taxa de juros entre a cautela global e o desafio fiscal

Esta foi a primeira queda da taxa básica desde maio de 2024, encerrando um hiato de quase dois anos e fixando-a em 14,75% ao ano.

Wagner Matos - Economista

Atualizada em 21/03/2026 às 16h37
Embora houvesse expectativa por um corte mais agressivo, a postura de cautela do Copom prevaleceu.
Embora houvesse expectativa por um corte mais agressivo, a postura de cautela do Copom prevaleceu. (Foto: divulgação)

Na última quarta-feira (18/03/2026), o cenário econômico foi marcado por decisões cruciais sobre as taxas de juros, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. Enquanto o Federal Reserve (FED) optou por manter os juros americanos inalterados, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil decidiu reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual. Esta foi a primeira queda da taxa básica desde maio de 2024, encerrando um hiato de quase dois anos e fixando-a em 14,75% ao ano.

Embora houvesse expectativa por um corte mais agressivo, a postura de cautela do Copom prevaleceu. A decisão refletiu o receio quanto aos impactos inflacionários derivados das tensões no Oriente Médio, que pressionam o preço do petróleo e, consequentemente, a cadeia produtiva global.

Outro ponto de atenção é o índice de inadimplência, que apresenta elevação tanto entre as famílias quanto nas empresas. A manutenção de juros em patamares elevados por tanto tempo é o principal motor desse cenário; contudo, o início deste ciclo de flexibilização monetária acende uma luz de esperança, facilitando a renegociação de dívidas e aliviando o fluxo de caixa dos agentes econômicos.

Paralelamente, o comportamento do câmbio exige vigilância. Em momentos de incerteza global ou risco geopolítico, investidores tendem a buscar refúgio em moedas fortes. Esse movimento de "fuga para a qualidade" valoriza o dólar frente aos pares emergentes, como o Real, o que pode pressionar ainda mais a inflação interna. Somado a isso, o risco fiscal permanece como um entrave: o crescimento do gasto público acima da arrecadação exige que o governo pague juros mais altos para financiar sua dívida, limitando o espaço para quedas mais expressivas na Selic.

Em última análise, o equilíbrio entre o controle da inflação e o estímulo ao crescimento permanece sensível. O corte atual é um sinal positivo, mas a velocidade da recuperação econômica dependerá diretamente da nossa capacidade de controlar o déficit público e da estabilidade do cenário externo. Sem essa harmonia, o investimento, o emprego e a renda continuarão a enfrentar obstáculos para uma retomada plena.


 


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