Picada

Escorpiões e serpentes lideram acidentes com animais peçonhentos no Maranhão

Autoridades adotam a estratégia de descentralização do acesso aos soros antivenenos.

Imirante, com informaç

Atualizada em 14/03/2026 às 09h28
Escorpiões lideram casos de acidentes com animais peçonhentos no MA.
Escorpiões lideram casos de acidentes com animais peçonhentos no MA. (Foto: Vitor Corrêa Dias/iNaturalist)

SÃO LUÍS - O Maranhão registrou 6.529 acidentes envolvendo animais peçonhentos em 2025, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).

Entre os principais responsáveis pelos casos estão os escorpiões, com 3.137 ocorrências. Em seguida aparecem as serpentes (1.728 casos), abelhas (568), aranhas (549) e lagartas (128).

De acordo com os dados, cerca de 45% das ocorrências exigiram aplicação de soro e internação hospitalar. O número reforça a necessidade de qualificação permanente das equipes de saúde para o atendimento adequado às vítimas.

Chuva aumenta riscos de acidentes com animais peçonhentos

Com o aumento das chuvas no estado e o consequente crescimento do risco de acidentes com animais peçonhentos, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) realizou a capacitação “Manejo de Acidentes por Animais Peçonhentos no Maranhão”, voltada ao atendimento de vítimas desses acidentes em áreas urbanas, rurais e comunidades indígenas. A atividade iniciou na quinta-feira (12) e seguiu até sexta-feira (13), no Praia Mar Eventos, em São Luís.

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Em parceria com o Ministério da Saúde (MS), estão sendo qualificados médicos, enfermeiros e outros profissionais da rede de saúde. A iniciativa reforça a preparação da rede do Sistema Único de Saúde (SUS) para o diagnóstico e o manejo clínico desses casos. O período chuvoso favorece o aparecimento de animais peçonhentos e amplia o risco de acidentes, tanto em áreas urbanas quanto rurais, o que torna ainda mais importante a qualificação das equipes de saúde para o atendimento adequado.

Acesso a soros antivenenos

A ação integra, ainda, a estratégia de descentralização do acesso aos soros antivenenos, especialmente em áreas indígenas e entre populações vulneráveis da Amazônia Legal.

A coordenadora de Vigilância de Zoonoses da SES, Monique Maia, destacou a importância da qualificação das equipes diante do aumento do risco de acidentes no período chuvoso.

“Os animais ficam desabrigados, há aumento de entulhos e matéria orgânica, o que cria condições para a ocorrência de acidentes. Por isso, é fundamental que os profissionais estejam preparados para o diagnóstico correto e o tratamento adequado. A capacitação também faz parte de um plano maior, que é a criação de uma rede de referência de soroterapia no estado, com pontos de atendimento nos territórios para responder a esse grave problema de saúde pública”, afirmou Monique.

A representante do Ministério da Saúde, Lúcia Montebello, ressaltou que o período posterior às enchentes exige atenção especial das equipes de saúde.

“O momento de maior risco é depois da enchente, quando as pessoas retornam para limpar as casas. Muitas espécies se deslocam do seu habitat e acabam dentro das residências ou em áreas atingidas pela água. Por isso, é fundamental que os territórios estejam preparados para dar suporte rápido e adequado à população”, explicou.

Durante a programação, especialistas abordam temas como epidemiologia dos acidentes no Brasil e no Maranhão, identificação de serpentes, escorpiões, aranhas e outros animais de importância médica, diagnóstico clínico, tratamento com soros antivenenos e discussão de casos clínicos.

Para o coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena do Maranhão (DSEI-MA), Lúcio Guajajara, a descentralização do acesso ao soro representa um avanço importante para as comunidades indígenas.

“É um marco significativo para o estado e para as populações indígenas, porque temos aldeias muito distantes. A descentralização do atendimento com soro é fundamental para garantir cuidado mais rápido nesses territórios”, comemorou.

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