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COLUNA
Cristiano Sardinha
Cristiano Sardinha é escritor, professor e tabelião. Mestre em Cultura e Sociedade pela UFMA e Doutor em Direito Constitucional pela UNIFOR, é autor de romances e livros jurídicos.
Cristiano Sardinha

Viva mil vidas antes de morrer

A leitura é o remédio mais eficaz para combater o pensamento superficial e auxiliar o nosso desenvolvimento como profissionais e seres humanos.

Cristiano Sardinha

No dia 7 de janeiro é comemorado o dia do leitor. Entretanto, no Brasil, há cada vez menos leitores, trata-se de uma espécie rara, quase à beira da extinção. São pouquíssimos que ainda levam a imaginação para voar através das páginas dos livros físicos ou digitais.

De acordo com a pesquisa disponibilizada pela CBL (Câmara Brasileira do Livro), nos últimos quatro anos houve uma redução de 6,7 milhões de leitores no país. Desde a criação dessa pesquisa, foi a primeira vez que o número de não-leitores superou o de leitores na população brasileira.

Salta aos olhos que nos três meses anteriores à pesquisa, mais da metade dos brasileiros não havia tocado num livro de qualquer gênero para ler sequer parte do seu conteúdo. Trata-se de um fato preocupante, que revela muito sobre a nossa realidade social, econômica e política.

A falta de tempo e a concorrência das redes sociais são apontadas como as principais causas da redução do número de leitores. As telas brilhantes dos celulares parecem ter a estranha capacidade de sugar a nossa alma por meio de um bombardeio de inutilidades. É assim que as desventuras amorosas de jogadores de futebol e subcelebridades viram o assunto mais comentado do momento, deixando de lado o que realmente pode ser relevante.

Quando percebemos, muitas horas do dia já foram gastos com o dedo esfregando a tela para gerar picos de dopamina, algo bem semelhante ao ciclo viciante causado pelos entorpecentes. A dependência digital provoca ansiedade, dificuldade de concentração e de sono. Nos casos mais extremos desregula o cérebro e leva à depressão. 

No documentário “O Dilema da Redes”, especialistas em tecnologia e profissionais da área fazem um alerta sobre os impactos devastadores das redes sociais nos indivíduos e na sociedade. Para não estragar a emoção do enredo desse documentário, adianto apenas que muitos dos criadores das redes sociais não as utilizam e nem permitem que os filhos sejam usuários.

Não se trata de demonizar as redes sociais, mas imaginem quanto conhecimento poderia ser adquirido através da leitura, se durante o caminho até o trabalho, na espera pelo atendimento médico, ou em qualquer outro momento ocioso do cotidiano, trocássemos o hábito de passar o dedo na tela como primatas adestrados pelo hábito de ler bons livros.     

Da mesma maneira que o corpo precisa de atividade física para tornar-se mais saudável e forte, a mente também necessita da leitura para evoluir. Vejo a leitura como o remédio mais eficaz para combater o pensamento superficial e auxiliar o nosso desenvolvimento como profissionais e seres humanos.   

A leitura é uma das formas mais eficazes e acessíveis para nos conectarmos com as grandes mentes do passado, aumentarmos a nossa compreensão do mundo e trabalharmos o raciocínio crítico. Como disse o escritor George R.R. Martin, “um leitor vive mil vidas antes de morrer. O homem que nunca lê vive apenas uma.”


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