PESQUISA FECOMÉRCIO

Intenção de consumo das famílias de São Luís recua após 11 meses de alta

Recuo de 1,7% interrompeu a maior série de crescimento da expectativa de consumo doméstico.

Imirante.com

Segundo a Fecomércio, a variação negativa em maio foi puxada por itens de bens duráveis
Segundo a Fecomércio, a variação negativa em maio foi puxada por itens de bens duráveis (Divulgação)

SÃO LUÍS - Após 11 meses de alta, a Intenção de Consumo das Famílias de São Luís (ICF) registrou arrefecimento em maio. O recuo de -1,7% na passagem mensal interrompeu a maior série de crescimento da expectativa de consumo doméstico desde o início da pandemia, posicionando o índice em 78,4 pontos. Apesar da acomodação do indicador sofrida no mês, o cenário para a ICF permanece animador, uma vez que o índice está cada vez mais próximo de atingir a zona de otimismo (100 pontos).

A pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Maranhão (Fecomércio-MA) aponta que a desaceleração da predisposição ao consumo familiar deste mês encontra razão na alta dos preços, diminuindo a possibilidade das famílias ludovicenses de ampliar seu volume de compras e chegar, com mais rapidez, ao patamar apresentado antes do início da pandemia.

Em maio, todos os subindicadores que compõem o levantamento apresentaram retração, com exceção da ‘Perspectiva de Consumo’, que teve alta de +5,1% em seu 8º crescimento seguido, encerrando o mês com 67,3 pontos (maior nível desde maio de 2020). Isto demonstra que, no médio prazo, as famílias de São Luís enxergam melhores condições para realizar suas compras, mostrando que o freio no consumo atual decorrente da inflação é apenas uma cautela momentânea.

“Para um cenário de alta dos preços, considerando tanto os desajustes internos da economia brasileira – a crise dos preços dos combustíveis, cuja pressão afeta o setor de alimentos e transporte – quanto as pressões do mercado internacional, o caminho pelo qual percorre o indicador é uma demonstração de melhora do cenário futuro em São Luís”, pondera o presidente da Fecomércio-MA, Maurício Feijó.

Bens Duráveis

Na passagem mensal, o índice de ‘Momento para Duráveis’ foi o que apresentou maior peso para que a ICF tivesse variação negativa em maio. Com uma queda de -12,6%, e o indicador ainda marcando 34,5 pontos, a pesquisa mostra que as famílias ludovicenses têm visto com receio a compra de bens de consumo duráveis, como eletrodomésticos, eletroportáteis, carros etc., mesmo com a recente queda do câmbio, oscilando abaixo de R$ 5,00.

A escalada persistente dos juros e a pressão sobre o custo de vida têm afastado os consumidores destes itens que representam um segmento muito relevante da indústria nacional, uma vez que 80,2% das famílias revelaram que este não é um bom momento para adquirir estes produtos com valor agregado mais elevado e que, em geral, dependem de financiamento (uso do crédito).

Compra a prazo

A percepção de maior dificuldade no ‘Acesso ao Crédito’ pelas famílias ludovicenses foi outro fator que contribuiu para que a ICF não seguisse a trajetória de alta. Em maio, este índice caiu -2,4% no comparativo com abril, fechando o mês com 98,2 pontos. Este recuo retirou o indicador da zona de otimismo da pesquisa, que anteriormente marcou 100,6 pontos, posicionando-o no mesmo patamar do mês de março de 2022.

Esta ligeira oscilação no índice pode ser explicada por uma possível redução do consumo local pelo cartão de crédito neste mês, dado que 67,3% das famílias ludovicenses declararam que o acesso ao crédito tem sido igual ou mais difícil em comparação ao mesmo período do ano passado. O aumento da Taxa Selic, visando controlar a inflação, é um fator que tem dificultado a realização de compras a prazo.

Situação do Emprego

As famílias ludovicenses também reduziram um pouco o seu nível de confiança no emprego atual, quando comparado ao mesmo período do ano passado. Mesmo com a queda de -2,9% em relação a abril, o mês de maio posicionou o indicador próximo à zona de otimismo, marcando 92,2 pontos.

O saldo de mais 6 mil novos postos de trabalho entre o 1º trimestre de 2021 e o 1º trimestre de 2022, conforme apontam os microdados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio Contínua (PNADc), sustentam o indicador de ‘Emprego Atual’ ainda em um patamar satisfatório, sobretudo quando comparado com maio de 2021, quando o índice marcava 70,4 pontos. De lá para cá, o crescimento foi de +31%.

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