Covid-19

Maranhão na pandemia em 2021 é diferente do que foi em 2020

Dados da Secretaria de Saúde Estadual mostram que a Covid-19 tem vitimado mais pessoas este ano, mas mesmo assim as medidas restritivas de agora são bem mais brandas

Carla Lima/Editora de Política

- Atualizada em 27/03/2022 às 11h03
Em nome de salvar empregos, o governador Flávio Dino prefere, em 2021, restrições mais ponderadas mesmo com números alarmantes da Covid-19 no MA
Em nome de salvar empregos, o governador Flávio Dino prefere, em 2021, restrições mais ponderadas mesmo com números alarmantes da Covid-19 no MA (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

SÃO LUÍS - A partir desta sexta-feira ( 26) os serviços e atividades não essenciais ficarão proibidos de funcionar. A determinação de estende ainda no sábado e no domingo, segundo o que está previsto no decreto do governo estadual editado na semana passada. As restrições menos brandas chegam no momento em que na Ilha de São Luís, as ocupações dos leitos de UTI passam de 96% e dos clínicos, 97%.

Em nome de preservação de empregos (algo não defendido há um ano) e com tons políticos por ser ano pré-eleitoral, as medidas de restrições no Maranhão estão sendo aplicadas de forma tardia deixando o sistema de saúde à beira do colapso.

E são os números que comprovam que medidas mais duras em março de 2020 permitiu que a contaminação no Maranhão não chegasse aos ritmo atual.

Há exatos um ano, o cenário da pandemia no estado era o seguinte: oito casos confirmados e nenhum óbito. Pelo boletim epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde (SES), o Maranhão registrou nas últimas 24 horas 1.011 novos casos da Covid-19 e mais de 5.750 pessoas mortas devido ao vírus.

No último dia 17, no estado bateu recorde de novos contaminados diários: foram 1.579. E das vidas perdidas em um dia a conta chegou a 36. Este cenário desta quarta-feira, 24, somente foi visto por aqui em 24 de maio de 2020 quando o Maranhão registrou mais de 1,5 mil novos casos do novo coronavírus em um dia. Naquela época, o número de óbitos era de 784.

Quando o lockdown foi decretado em 5 de maio de 2020, o estado tinha registrado 4.530 pessoas com a doença e 271 mortos. Com estes números, o Ministério Público Estadual decidiu pedir à Justiça que colocassem todos em casa por 10 dias deixando somente os serviços essenciais funcionando e determinando barreiras para evitar entrada e saída de pessoas na Ilha de São Luís.

Os números atuais, no entanto, não comovem o mesmo Ministério Público tão pouco os gestores municipais da Grande São Luís e também o governo do Maranhão de restringir totalmente a circulação de pessoas. A ciência, tão aclamada há um ano por tantas autoridades, não serve mais para comprovar que o distanciamento social ajudar a reduzir a linha de contaminação assim como a de óbitos.

Aliada aos interesses políticos e econômicos dos representantes nas mais diversas esferas do Poder no estado está a falta de consciência de parte da população que teima em não usar máscaras e também a se aglomerar.

Enquanto isto, profissionais de Saúde se desdobram para atender nos hospitais lotados, risco de falta de insumos aumenta e colapso do sistema público e privado de Saúde ronda o Maranhão.

Diante de tal cenário, a saída é consciência da população e torcida para que gestores públicos percebam que os riscos de uma imagem arranhada por medidas impopulares são menores do que a mancha que poderão ter em suas vidas públicas por serem apontados como aquelas pessoas que poderiam ter agido para salvar vidas, mas preferiram o caminho oposto.

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